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Desigualdade de Gênero altera o cérebro das mulheres, aponta pesquisa apresentada em curso no TJMT

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Desigualdade de gênero altera o cérebro das mulheres, aponta estudo feito a partir de análises de exames de ressonância magnética de 7,8 mil homens e mulheres de 29 países, inclusive o Brasil. A pesquisa foi publicada na revista científica Proceeding of the National Academy of Sciences, em maio deste ano, e abordada na manhã desta sexta-feira (25) pela doutora em Direito Penal e vice-presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas, Alice Bianchini, no curso “Violência Psicológica contra a mulher: aspectos criminais e desafios na identificação e prevenção”.
 
O evento foi promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) e da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT).
 
Conforme a pesquisa citada por Alice Bianchini, em países em que as mulheres vivenciam mais desigualdades sociais, o córtex cerebral (responsável por funções como pensamento, julgamento e linguagem) das mulheres tem menor espessura quando comparado aos dos homens e também foram evidenciadas alterações anatômicas do sistema límbico, cujo principal papel é o de regular o comportamento emocional.
 
Para a palestrante, tal conclusão demonstra que quanto maior a experiência de sofrimento emocional vivida pela mulher, pior é o seu estado de saúde mental. Ela ponta ainda a questão da resiliência como reflexo dessa alteração na estrutura cerebral. “Na questão da resiliência, que é a capacidade de você aceitar determinadas coisas. Isso demonstra, inclusive, porque mulheres ficam na violência e porque elas se conformam com essa situação da violência”.
 
Alice Bianchini faz um paralelo também com dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que pela primeira vez apontou uma onda de violência psicológica contra as mulheres. “É a primeira violência demonstrada e falada pelas mulheres. E a violência psicológica, embora não deixe vestígios físicos, ela deixa vestígios psicológicos muito grandes, que vão afetar inclusive a forma como essa mulher vai tratar os seus próprios filhos, a forma como ela vai estar no seu trabalho, a forma como ela vai estar nos outros relacionamentos”, elenca.
 
Destacando que a violência de gênero é proporcional às desigualdades sociais em todos os países estudados, a palestrante mostrou dados alarmantes em relação ao Brasil, que é o 5º país em que mais mulheres morrem e em que crimes praticados no contexto da Lei Maria da Penha chegam ao segundo lugar no ranking das denúncias apresentadas pelos Ministérios Públicos estaduais. Além disso, meninas brasileiras, aos 6 anos de idade, já se sentem menos inteligentes do que os meninos e desistem de fazer as atividades.
 
 
Evento dá visibilidade à violência silenciosa – De acordo com a coordenadora do Cemulher, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, a escolha do tema para o curso, que também trouxe outras duas palestrantes de outros estados para abordar o tema por outros ângulos, se deve ao fato de que a violência psicológica ainda é tratada de forma velada na sociedade. “A violência física se demonstra através das agressões físicas, mas a violência psicológica eu acredito que seja muito maior do que o índice da violência física. Então é preciso discutir e chamar atenção para determinadas atitudes do homem, como as críticas, o menosprezo, que torna a mulher, muitas vezes, refém dela mesma, que começa a acreditar que realmente ela á feia, que ela é gorda, incapaz, burra. São expressões que ao tempo vão sendo repetidas e ao tempo fazem com que a mulher se torne uma pessoa triste e não busque a solução. Então Cemulher tem discutido vários temas, inclusive este, com palestrantes de renome, conscientizando todas as pessoas que trabalham diariamente com as questões de violência doméstica”.
 
A presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, classificou o curso como de “vital importância e pertinência” para a pauta feminina e destacou que a atual administração do Tribunal tem como meta desenvolver projetos com o viés de cuidado com as pessoas e, principalmente, com as mulheres.
 
“É de suma importância nós trazermos formas de conscientização cada vez mais amplas dessa problemática porque é muito sutil e, às vezes, passa despercebido até mesmo pela própria vítima, que, pela cultura, acaba imaginando que aquilo seja tolerável, quando, na verdade, existem caminhos, ajudas e formas de se proteger desse tipo de violência. Eu reputo como uma das formas mais nocivas e profundamente degradantes para a mulher a violência psicológica. Ela tem muitas nuances, tem muitas formas, muitas abordagens também para que nós nos despertemos e formemos uma rede de proteção entre nós mesmas, para proteger outras mulheres, que ainda se encontram em situação de absoluta vulnerabilidade”, afirma.
 
Para a vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, cursos e demais eventos promovidos pela instituição para tratar o tema da violência contra a mulher demonstram que o Judiciário mato-grossense está na vanguarda desse debate. “Não só o Tribunal está em vanguarda nessa discussão porque realmente é moderno o tipo penal que surgiu agora em 2021, na Lei 14.188 (que tipifica como crime a violência psicológica contra a mulher), mas também está cumprindo um Plano Nacional que o governo federal lançou, um pacto de proteção dos direitos da mulher”, pontua.
 
Contribuição na formação de profissionais – O curso “Violência Psicológica contra a mulher: aspectos criminais e desafios na identificação e prevenção” atraiu dezenas de magistrados, servidores do Poder Judiciário, promotores de Justiça, defensores públicos, delegadas, policiais militares, civis e penais, agentes socioeducativos, assistentes sociais, acadêmicos de Direito, entre outros.
 
A assistente social Marianne Kelly de Oliveira Rosa, que atua em Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em Cuiabá, afirma que, por trabalhar na rede de proteção social básica, sempre tem participado dos eventos promovidos pelo Tribunal de Justiça, juntamente com seus colegas de trabalho. “A gente trabalha com mulheres vítimas de violência, porque a gente trabalha com famílias em situação de vulnerabilidade social, então sempre tem casos. O evento contribui porque o que a gente ouve mais falar é da violência física. E como a violência psicológica é algo mais silencioso, a gente percebe que afeta muito a saúde mental, então é bem interessante porque através dos nossos atendimentos, a gente vai conseguir identificar essas violências que podem estar ocultas”.
 
Dagma Alves, acadêmica do 8º semestre de Direito, afirma que o recente caso de feminicídio de uma advogada em Cuiabá aumentou sua atenção para o tema da violência de gênero. “Enquanto advogada em formação, esse tema é sempre atual, é sempre importante. As palestrantes são autoridades muito conhecedoras do assunto, então a gente precisava ouvi-las e cada vez mais difundir a conscientização do que a violência contra a mulher faz, o malefício que faz à nossa sociedade”.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Auditório lotado. À frente, a palestrante Alice Bianchini falando ao microfone. Ela usa um blazer verde. No palco, sentados em poltronas, a desembargadora Maria Erotides Kneip, o juiz Jamilson Haddad, a tenente-coronel PM Emirella Martins e o promotor de Justiça, Thiago Afonso. No telão, a logomarca do evento. Foto 2: Foto de perfil de Alice Bianchini durante sua palestra. Ela segura o microfone e olha para a frente. Ela é uma mulher branca, de cabelo liso e castanho, usando um blazer verde. Foto 3: Desembargadora Maria Aparecida Ribeiro discursa no púlpito do auditório. Ela é uma senhora branca, de cabelo liso e preso, usando uma camisa bege, medalha de Nossa Senhora Aparecida e óculos de grau. Do lado direito, o telão com a logomarca do evento. Foto 4: Presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva concede entrevista à TV.Jus. Ela é uma senhora branca, de cabelo curto, liso e castanho, olhos claros, usando um vestido estampado verde e terninho na cor verde militar.
 
Celly Silva/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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