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Desembargadora Shelma Lombardi é homenageada na Defensoria Pública por atuação em prol das mulheres

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A desembargadora aposentada e ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), no biênio 1991-1993, Shelma Lombardi de Kato, recebeu uma moção da Comissão de Proteção e Defesa dos Direitos das Mulheres do Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), pelo seu pioneirismo e atuação em prol da pauta feminina, em especial no combate à violência doméstica e familiar. A honraria foi deliberada em junho, durante o 1º Fórum Nacional das Defensorias Públicas para a Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Fonadem), ocorrido em Cuiabá.
 
A entrega da moção foi realizada nesta segunda-feira (26 de setembro), durante o Encontro em Defesa do Orçamento Mulher 2024, realizado na sede da Defensoria Pública do Estado (DPE-MT). A defensora-geral, Luziane Castro, a defensora pública Rosana Leite de Barros, que atua no Núcleo de Defesa da Mulher e a presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da Silva, entregaram em mãos a placa simbólica para a desembargadora aposentada.
 
“Me lembro bem quando comecei a minha vida na carreira jurídica. A senhora sempre nos inspirou muito porque eu olhava para a senhora no átrio do Tribunal e pensava: a gente pode chegar lá também, a gente pode chegar longe! Então, por esse exemplo, desembargadora, e por toda a sua atuação, que sempre foi uma atuação muito firme, muito forte, isso realmente sempre nos motivou. E olha o exemplo da senhora se arrastando aqui no estado de Mato Grosso, quantas mulheres ocupando espaços de poder”, disse a defensora-geral, Luziane de Castro, citando a desembargadora Clarice Claudino como um desses exemplos de mulheres no poder, que foram inspiradas pela homenageada.
 
A presidente do TJMT, por sua vez, classificou a desembargadora Shelma Lombardi como uma fonte inesgotável de inspiração e revelou que tem a predecessora como uma mestra, com quem tem uma história de vida conectada. “A primeira comarca dela foi em Alto Garças, minha cidade natal. Eu ainda era uma adolescente, que aspirava seguir esse mesmo caminho, mas não chegamos a nos conhecer pessoalmente. Eu só reverenciava a figura dela à distância. E quando vim para a faculdade de Direito na UFMT, eis que aí sim o encontro aconteceu e ela foi minha professora de Direito Civil em todos os semestres e a nossa paraninfa de turma. Então por isso eu digo que a nossa história se conecta em muitos momentos da vida”, contou.
 
Clarice Claudino relatou ainda que, ao ingressar na magistratura, foi abraçada pela desembargadora, por quem afirma sentir imensa gratidão. “Suspendi o que estava fazendo para vir assistir essa homenagem mais que justa à senhora, que saiu de um fórum nacional. Esse registro é muito importante para nós, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que continuamos tendo na senhora o nosso ícone, a nossa inspiração, aquela que abriu os nossos caminhos para que hoje nós pudéssemos ter 10 mulheres. E 10 mulheres fortes e conscientes. Cada uma de nós tem um pouquinho dos seus dons, que juntos estão nessa única pessoa aqui. Mas nós fazemos muito esforço para fazer jus à sua história, à sua trajetória no Poder Judiciário do nosso estado”, declarou.
 
Quem também rendeu homenagens à desembargadora Shelma foi a defensora pública Rosana Leite de Barros, atuante na defesa dos direitos das mulheres, que lembrou a atuação da magistrada na instalação da primeira vara com competência híbrida (cível e criminal) para julgar casos de violência contra a mulher. “Nós sabemos que Mato Grosso foi o primeiro estado a aplicar a Lei Maria da Penha por conta da senhora, por conta do seu trabalho, por conta do Provimento 18/2006, que eu sei que saiu das mãos da senhora. E hoje, se nós temos uma aplicação integral da Lei Maria da Penha, é por conta da senhora. No Brasil inteiro, Mato Grosso ainda é o único estado que aplica o artigo 14. Nós gostaríamos que todos os estados aplicassem o artigo 14 da Lei Maria da Penha. Infelizmente não é a realidade. Mas nesse Fórum Nacional, a senhora foi reconhecida por todas as defensorias públicas do Brasil por tudo o que a senhora fez por nós”, disse a defensora, emocionada.
 
A homenageada recordou que sentiu o machismo estrutural no âmbito profissional, que conseguiu vencer graças a sua luta pessoal e de outras mulheres. “Nesse compasso da lida diuturna, eu tive a oportunidade de conhecer mulheres extraordinárias no Poder Judiciário, no Ministério Público e na Defensoria Pública, que é a nossa irmãzinha caçula. Na ordem história dessas instituições, a Defensoria Pública surgiu como uma conquista constitucional, conquista legal e resultou em benefício de todos, de toda a sociedade. Eu só tenho a agradecer a todos os senhores, responsáveis pela garantia dos direitos humanos, especificamente dos direitos humanos das mulheres e das crianças. Muito obrigada a todos”, declarou.
 
Luta ainda não terminou – A desembargadora Shelma Lombardi ainda ressaltou a importância da mobilização das mulheres na busca por igualdade de direitos. “Na realidade, a luta das mulheres ainda não terminou. Ao longo da História, é só conferir. Não há no mundo inteiro a verdadeira igualdade. Nos Estados Unidos, que são um país pioneiro na democracia, exemplo mundial das garantias constitucionais, surgiu o primeiro movimento em defesa do direito à igualdade pelas mulheres. Veja, se não houvesse fome de justiça, não haveria o problema e nem a necessidade de procurar o alimento, que á a justiça, a igualdade, um princípio constitucional, independentemente de sexo, raça, religião, credo ou qualquer diferença que seja. Então, toda luta histórica tem que ser vencida, mas não tem fim. Estamos ainda no combate e vocês que são novas ainda têm muito a combater”, exortou.
 
Pioneirismo – Durante o evento, foi destacado o histórico que justifica a homenagem à desembargadora Shelma Lombardi de Kato. Em 1969, ela foi a primeira mulher a passar e ser nomeada em concurso para juiz em Mato Grosso. Ascendeu ao cargo de desembargadora em 1991, pelo critério de merecimento. Durante 14 anos, Shelma foi a única representante feminina na magistratura estadual. Foi a primeira a pleitear e assumir o mais alto cargo na administração da Justiça estadual, tendo presidido o Tribunal de Justiça de Mato Grosso na gestão 1991 a 1993.
 
A magistrada teve forte atuação nas causas ligadas ao combate à violência contra a mulher, coordenando os trabalhos de implantação das primeiras Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher em Mato Grosso. Shelma Lombardi de Kato se aposentou em 2 de abril de 2009.
 
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#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Desembargadoras Clarice Claudino e Shelma Lombardi e as defensoras públicas Luziane Castro e Rosana Leite de Barros posam para foto, sorrindo e segurando a placa de homenagem à Shelma Lombardi. Foto 2: Desembargadora Clarice Claudino fala ao microfone olhando para a desembargadora Shelma e segurando em seu ombro. A homenageada olha para a sucessora. Ao lado delas, estão a defensora-geral Luziane Castro e a defensora pública Rosana Leite de Barros, que está segurando a placa de homenagem. Foto 3: Desembargadora Shelma Lombardi concede entrevista à TV.Jus. Ela é uma senhora de traços orientais, cabelos brancos, lisos e curtos, usando camisa azul celeste e óculos de grau.
 
Celly Silva/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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