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Desafios e boas práticas da execução penal são abordadas por juiz em capacitação da Justiça Federal

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A capacitação “Execução Penal na Prática”, promovida pela Justiça Federal teve como foco o aprimoramento de magistrados e servidores na fase de execução penal e reuniu participantes de diversas subseções judiciárias de Mato Grosso. O curso, que ocorreu de 22 de setembro a 3 de outubro, teve a participação do juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Mestre em Direito e Especialista em Jurisdição Penal Contemporânea e Sistema Prisional, o magistrado atua na área de Execução Penal desde 2013 e é o coordenador do Plano “Pena Justa” em Mato Grosso. Essa atuação motivou o juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré, titular da 7ª Vara Federal Especializada em Ações Criminais e ministrante do curso, a convidá-lo para fazer a abordagem sobre a execução penal e o sistema penitenciário. Participaram também os assessores Gabriela de Lemos Floôr e Saulo da Silva Júnior, ambos com ampla experiência no Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU).

Durante sua participação, o juiz apresentou um panorama abrangente do sistema prisional mato-grossense e nacional, abordando temas como o número de pessoas privadas de liberdade, as condições de saúde, alimentação e trabalho no cárcere, além de reflexões sobre a composição do público encarcerado, a seletividade penal e o racismo estrutural, bem como, as vulnerabilidades do público encarcerado, como é o caso da mulher, dos idosos e do público LGBTQIA+. Também destacou a importância das redes de apoio sociais e institucionais na ressocialização e prevenção da reincidência, e explicou o funcionamento do Ciclo Penal, com as audiências de custódia, a monitoração eletrônica, a Central de Alternativas Penais e das portas de entrada e saída das penitenciárias, enfatizando que o encarceramento deve ser sempre a última medida.

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O magistrado também apresentou iniciativas em andamento em Mato Grosso, como a Sala de Reintegração Social, em Cuiabá, e os dez Escritórios Sociais implantados em diferentes regiões do Estado, voltados ao atendimento de egressos do sistema prisional e à promoção de oportunidades de reinserção social. “Essas ações refletem o compromisso do Poder Judiciário mato-grossense em oferecer condições para que as pessoas privadas de liberdade retornem à sociedade preparadas para uma vida digna e produtiva e, principalmente, honesta, longe da violência”, afirmou o juiz Geraldo Fidelis.

Além disso, o coordenador do GMF compartilhou experiências exitosas implementadas em Mato Grosso e reforçou a importância do uso qualificado do SEEU para garantir mais agilidade, transparência e segurança jurídica na prestação jurisdicional dos processos de execução penal. Segundo ele, “a execução penal é uma etapa decisiva do processo criminal, que exige integração, sensibilidade e compromisso com os direitos humanos. Iniciativas como essa capacitação são fundamentais para uniformizar práticas, aprimorar o uso do SEEU e fortalecer a atuação institucional”.

Na parte final da capacitação, os assessores Gabriela de Lemos Floôr e Saulo da Silva Júnior apresentaram aos servidores federais a aplicação prática do SEEU na rotina do Judiciário estadual. O juiz Geraldo Fidelis destacou ainda que o intercâmbio de experiências entre as esferas Estadual e Federal é essencial para o aprimoramento da Justiça: “Quando há diálogo entre as instituições, há crescimento para todos. Essa integração fortalece a administração da Justiça e, consequentemente, traz benefícios diretos à população”.

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A capacitação “Execução Penal na Prática” também abordou temas como a legislação aplicável, direitos das pessoas privadas de liberdade, cálculo de penas e prazos, concessão de benefícios e estratégias de atuação. Ao final, a juíza federal e diretora do foro, Juliana Maria da Paixão Araújo, agradeceu o engajamento dos participantes e reconheceu a contribuição do magistrado estadual. “A presença do juiz Geraldo Fidelis enriqueceu enormemente o debate, trazendo uma visão prática e atualizada da execução penal em Mato Grosso”, afirmou.

O evento foi avaliado de forma positiva pelos participantes, que destacaram a importância de novas capacitações que promovam o diálogo e a cooperação entre o Judiciário Estadual e Federal, fortalecendo o sistema de justiça e aprimorando a gestão da execução penal em todo o país.

Autor: Adellisses Magalhães

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário articula rede de empregabilidade para pessoas privadas de liberdade e egressas

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O fortalecimento da ressocialização por meio do trabalho ganhou mais um importante capítulo em Mato Grosso. Na manhã desta segunda-feira (18), representantes do Poder Judiciário, Executivo estadual, empresários, instituições e atores da sociedade civil participaram, no Auditório Desembargador Gervásio Leite, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), de uma reunião estratégica que antecede o lançamento oficial do projeto Emprega Lab no estado, o primeiro da região Centro-Oeste.

A iniciativa é resultado de articulações conduzidas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (GMF/TJMT), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O projeto integra a estratégia nacional Pena Justa – Emprega e busca ampliar oportunidades de trabalho e qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.

Supervisor do GMF/TJMT, o desembargador Orlando Perri destacou que a ressocialização precisa estar diretamente ligada à geração de oportunidades reais de trabalho e capacitação.

“Eu tenho defendido e pregado que a ressocialização passa necessariamente pelo trabalho, pela profissionalização. Então, é preciso que nós levemos trabalho para dentro das unidades prisionais. Nós queremos o preso ressocializado e não reincidindo aqui fora”, afirmou.

Mato Grosso como território-piloto

O estado foi escolhido como território-piloto nacional por reunir condições institucionais e operacionais consideradas estratégicas para a implementação do projeto. A proposta prevê a criação de uma metodologia que poderá ser replicada em outros estados brasileiros, articulando Poder Judiciário, Executivo e setor produtivo para garantir empregabilidade dentro e fora do sistema prisional.

Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ (DMF/CNJ), o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi ressaltou o simbolismo do momento.

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“Hoje não é um dia qualquer. Nós estamos aqui lançando o primeiro Emprega Lab nacional. O Emprega Lab é um hub de oportunidades, o lugar onde nós vamos trabalhar as estratégias de empregabilidade do sistema prisional. O que nós estamos tentando disseminar é que essas pessoas possam se educar pelo trabalho e, mais do que isso, possam ganhar um novo ofício, uma nova oportunidade para a vida. Isso é segurança pública”, destacou.

União entre instituições e iniciativa privada

O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho ressaltou que Mato Grosso já vem desenvolvendo políticas voltadas à empregabilidade no sistema penitenciário e que a chegada do Emprega Lab fortalece esse caminho.

“O foco hoje da Secretaria de Justiça é a questão de emprego dentro do sistema penitenciário. Acho que veio a coincidir esse momento político aqui do estado com o lançamento do primeiro Emprega Lab no Brasil”, afirmou.

Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 16,5 mil pessoas privadas de liberdade, sendo aproximadamente três mil já inseridas em atividades laborais. A meta do programa é ampliar significativamente esse número nos próximos anos.

Presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles explica que a Fundação Nova Chance já atua em 36 municípios, mantém 392 termos de intermediação e acompanha aproximadamente três mil pessoas trabalhando atualmente.

“O emprego ajuda tanto quem está lá dentro do cárcere, quanto sua família lá fora. O trabalho ajuda a diminuir a reincidência”, pontuou.

Experiências que já dão resultado

A reunião também contou com relatos de empresários que já desenvolvem projetos de inclusão produtiva com pessoas privadas de liberdade. Empresário de Sinop, Carlos Cairo Montemezzo compartilhou a experiência positiva da integração entre trabalhadores contratados pelo regime CLT e mão de obra prisional.

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“A integração acontece naturalmente quando o apenado percebe que pode voltar ao mercado de trabalho normal. A profissionalização, a qualificação e o olhar para a família fazem toda a diferença nesse processo”, relatou.

Atualmente, a empresa possui cerca de 65 Pessoas Privadas de Liberdade (PPLs) trabalhando e projeta ampliar esse número para 150 nos próximos meses.

Também participaram da reunião a juíza federal e coordenadora do eixo Trabalho e Renda do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Maria Rosi Meira Borba; o coordenador do GMF/TJMT, juiz Geraldo Fernandes Fidélis Neto; a juíza Edna Ederli Coutinho; e o secretário adjunto de Administração Penitenciária, Jean Carlos Gonçalves.

O que é o Emprega Lab

O Emprega Lab faz parte da estratégia Pena Justa – Emprega e funcionará como uma instância estadual de governança voltada à formulação de estratégias de empregabilidade para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta envolve a criação de oportunidades por meio do emprego formal, empreendedorismo, cooperativismo e economia criativa.

A iniciativa é articulada nacionalmente pelo CNJ, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre as metas estabelecidas está alcançar, gradativamente, pelo menos 50% da população privada de liberdade inserida em atividades laborais.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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