Tribunal de Justiça de MT

Comarca de Lucas do Rio Verde comemora 26 anos de instalação

Publicado em

A Comarca de Lucas do Rio Verde completa 26 anos de instalação nesta quarta-feira (3 de abril), celebrando o crescimento da atuação do Poder Judiciário no município, em consonância com o desenvolvimento da região.
 
A comarca nasceu a partir do desmembramento da Comarca de Sorriso, quando a cidade de Lucas do Rio Verde tinha apenas 30 mil habitantes. Hoje, a população é de quase 100 mil pessoas e o município é um dos que mais cresce em Mato Grosso.
 
A servidora aposentada Vilma Pinheiro Machado Lopes participou de todo o processo de instalação da Comarca de Lucas do Rio Verde, em 1996. Ela já era servidora do Poder Judiciário desde 1988 e veio transferida da Comarca de Sorriso. Vilma se lembra que no início, a responsabilidade foi muito grande e os desafios múltiplos, pois os primeiros servidores eram cedidos pela Prefeitura e não conheciam nada do Judiciário. A comarca nasceu com 2 mil processos.
 
“Durante o meu expediente, eu ficava só auxiliando os servidores e o meu trabalho fazia fora do horário. Me dediquei de cabeça à comarca, encarei os desafios, trabalhava final de semana, à noite, você quer ir além”, recorda-se.
 
Após 36 anos de dedicação ao Poder Judiciário de Mato Grosso, Vilma se aposentou em 2022 e hoje se sente feliz com a trajetória que viveu em sua carreira. “Me sinto muito gratificada pela oportunidade, se você não tiver oportunidade, você não vai para a frente. Me sinto muito contente, me aposentei feliz por ter participado desses 36 anos de judiciário”, completa.
 
Atualmente, a comarca é composta por quatro varas cíveis, duas varas criminais, uma vara especializada dos Juizados Especiais e um Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc). Tramitam cerca de 19 mil processos em todas as unidades judiciárias da comarca.
 
No Fórum de Lucas do Rio Verde trabalham 141 pessoas, sendo sete magistrados, 57 servidores efetivos, 20 comissionados, 17 terceirizados, 14 credenciados, 21 estagiários e cinco militares.
 
“Vejo uma evolução extrema, no início era somente trabalho e trabalho, hoje somos valorizados e respeitados, recebemos treinamentos desde como usar os programas até como sermos líderes e tratar os liderados. A sociedade luverdense recebe os nossos serviços com excelência, dentro das nossas condições de ofertas. Temos uma equipe fantástica de servidores todos compromissados e responsáveis, além do trabalho harmônico entre nós, isso faz com que fica mais leve e conseguimos a entrega da tutela jurisdicional eficaz”, pontua a gestora geral da comarca, Marisa Tábile.
 
O prédio do fórum foi inaugurado no dia 11 de dezembro de 2020, construído com critérios de acessibilidade, modernidade e praticidade, em um terreno de 25 mil metros quadrados na Cidade Jurídica – região onde se concentra também os prédios da Justiça do Trabalho, Ministério Público, Defensoria Pública e a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
 
O juiz Luis Otávio Pereira Marques foi o segundo magistrado a ser o diretor do foro, em 1999, e já assumiu o cargo diretivo em sua primeira comarca. “Essa função administrativa é muito gratificante, e ao mesmo tempo de muita responsabilidade, pois gerenciávamos recursos financeiros e pessoas”, relembra.
 
Para o magistrado, sua passagem pela comarca foi marcante e enriquecedora. “O legado deixado foi de extrema transparência nos atos, de muita produtividade e interação com a sociedade, servidores e colaboradores do Fórum. Lucas do Rio Verde é uma comarca pujante, de um povo colaborativo e trabalhador, e que sempre caminha a passos largos”, destaca.
 
Também foram diretores do Fórum de Lucas do Rio Verde os juízes Edleuza Zorgetti Monteiro da Silva, Tulio Duailibi Alves Souza, Julio César Molina Duarte Monteiro, Bruno D’Oliveira Marques, Gleidson Grisoste Barbosa, Cássio Luis Furim, Hugo José Freitas da Silva, Alethea Assunção Santos, Melissa Lima Araújo e Evandro Juarez Rodrigues, o atual juiz diretor.
 
Para o juiz Evandro Rodrigues, Lucas do Rio Verde é uma cidade pujante, em pleno desenvolvimento, uma das mais promissoras do estado. A comarca caminha sempre com muito trabalho, perseverança e dedicação para ser uma das melhores comarcas do Poder Judiciário de Mato Grosso.
 
Ele analisa que nos últimos sete anos o quadro de magistrados se manteve e houve alterações de competência das varas, de modo que isso fez o trabalho render mais, com unidades mais especializadas, permitindo maior dinâmica no trabalho para dar resposta à sociedade, maior rapidez na redução do estoque processual e melhoria da qualidade do serviço jurisdicional.
 
“Ser juiz diretor é controlar todas as equipes, além da equipe da própria vara, ter paciência, coragem e tranquilidade para solucionar situações que não são comuns a um magistrado, fatos que ocorrem no cotidiano. Temos que viver em paz, cordialmente e darmos uma boa prestação jurisdicional, saber controlar tudo isso e dar andamento aos trâmites que necessitam para a comarca continuar fluindo e crescendo”, expressa o magistrado.
 
Por fim, o juiz diretor deixa uma mensagem à equipe de Lucas do Rio Verde: “a mensagem que eu deixo é de agradecimento por todos esses anos de luta, principalmente para quem está desde o início da comarca, deixo uma mensagem de carinho, todos são bem-vindos, representam a nossa cidade, a nossa comarca e o Tribunal de Justiça em Lucas. Todos vocês são muito importantes para nós”.
 
Mylena Petrucelli/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia Também:  Judiciário e Executivo promovem capacitação sobre práticas de leitura em presídios e remição de pena

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Published

on

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia Também:  Prefeitura e Embaixada da Índia ajustam os últimos detalhes para instalação do monumento de Mahatma Gandhi em Cuiabá

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia Também:  Juiz do Centro de Solução de Conflitos de Rondonópolis realiza bate-papo com estudantes do Senai

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

Cuiabá

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA