Tribunal de Justiça de MT

Com foco em fisioterapia, AAPOC amplia cuidado a pacientes oncológicos com apoio do Judiciário

Publicado em

Contemplada com R$ 73.920,00, a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (AAPOC) está entre as instituições beneficiadas com recursos oriundos de transações penais, repassados pelo Poder Judiciário de Mato Grosso durante cerimônia realizada no Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá. A iniciativa integra o Edital nº 01/2025 do Juizado Especial Criminal (Jecrim) de Cuiabá, que destinou, ao todo, R$ 720.000,00 a 10 instituições sociais.

Fundada em 2020, a AAPOC é uma organização sem fins lucrativos que atua no acolhimento e suporte a pacientes oncológicos, oferecendo dignidade, cuidado e esperança a pessoas em tratamento contra o câncer. A entidade é presidida por Janaína Santana de Oliveira, ativista da causa oncológica, que destaca que a manutenção das atividades depende majoritariamente da solidariedade da sociedade e de parcerias institucionais.

Segundo Janaína, todo o trabalho desenvolvido pela associação é sustentado por doações e pela comercialização de produtos próprios. “Temos uma marca registrada e vendemos camisetas, canecas, planners, agendas e bolsas. Também contamos com uma loja na Feira do Porto e participamos de projetos do Tribunal de Justiça, do Sicredi e de outras instituições, além do apoio de pessoas que acreditam na nossa causa”, explicou.

Esta é a segunda vez que a AAPOC é contemplada com recursos do Judiciário. No repasse anterior, realizado em 2024, os valores permitiram atender demandas estruturais essenciais, como a instalação de placas solares, reduzindo os custos com energia elétrica, além da aquisição de mobiliário para a casa de apoio da entidade. A obra foi concluída recentemente, após um período prolongado em razão dos elevados custos com materiais e mão de obra. Ainda assim, a associação manteve como prioridade o atendimento direto aos pacientes, com apoio em exames e consultas.

Leia Também:  Iniciativa do CNJ quer ampliar oportunidades para jovens acolhidos e egressos no país

Com os recursos recebidos neste ano, a AAPOC dará um novo passo na ampliação dos serviços oferecidos, com investimentos voltados à área de fisioterapia. A casa de apoio e a casa transitória já estão finalizadas, com inauguração prevista para o dia 22 de dezembro, e início dos atendimentos a partir de janeiro do próximo ano. A entidade conta com uma equipe de profissionais voluntários, entre fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e dentistas.

O novo investimento viabilizará a aquisição de equipamentos específicos para fisioterapia, especialmente direcionados a pacientes que desenvolvem linfedema nos braços ou nas pernas em decorrência do tratamento oncológico. Também foram adquiridos climatizadores, filtro de água, máquina de ozônio e outros equipamentos necessários para assegurar um cuidado mais completo, seguro e humanizado.

“Nosso compromisso é oferecer sempre o melhor cuidado possível a cada paciente oncológico”, ressaltou Janaína.

Para a presidente da AAPOC, o repasse representa mais do que um apoio financeiro. “Não esperávamos ser contemplados novamente e a notícia nos trouxe muita emoção. Sou profundamente grata à juíza Maria Rosi de Meira Borba, que compreende de forma sensível os desafios enfrentados por quem passa por esse processo. Esse olhar de acolhimento faz toda a diferença”, afirmou.

Leia Também:  Juíza Maria Rosi Borba fala sobre Solidariedade no novo episódio do podcast Explicando Direito

A magistrada, que atua no Juizado Especial Criminal, destacou que o processo de seleção das instituições é criterioso, seguindo os parâmetros estabelecidos em edital e incluindo visitas técnicas às sedes das entidades. Segundo ela, a legislação permite esse tipo de atuação, que dá transparência à destinação dos recursos oriundos de transações penais, provenientes de infrações de menor potencial ofensivo.

Ainda conforme Janaina, o momento marca um encerramento de ano especial para a entidade. “Vivemos um período de muita gratidão e alegria. Este fim de ano tem um significado ainda mais especial, pois no dia 20 celebro meu aniversário e não poderia receber um presente mais simbólico e emocionante do que esse”, concluiu.

A cerimônia de entrega dos recursos foi realizada no dia 16 de dezembro.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Deficiência invisível: psicóloga do TJMT relata vivência com visão monocular

Published

on

A psicóloga do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Giselle Ramos de Castilho Teixeira, convive desde a infância com a visão monocular, condição caracterizada pela perda da visão de um dos olhos. Apesar de a deficiência não ser perceptível fisicamente, ela relata que os desafios fazem parte da rotina e vão desde dificuldades de profundidade até a necessidade constante de reafirmar sua condição diante das pessoas.
Em continuidade às ações do Mês de Conscientização sobre Acessibilidade, a servidora destaca a importância de ampliar o debate sobre inclusão, acolhimento e respeito às pessoas com deficiências não aparentes, tanto no ambiente institucional quanto na sociedade.
Giselle conta que descobriu a deficiência ainda criança, de forma inesperada. “Eu fui brincar com as maquiagens da minha mãe e percebi que não enxergava de um olho para passar a sombra. Perguntei para minha mãe se ela também não enxergava de um olho e aí fomos descobrir a deficiência”, relembra.
Desafios diários
Segundo ela, uma das maiores dificuldades enfrentadas por pessoas com visão monocular é justamente a falta de compreensão da sociedade sobre uma deficiência que nem sempre possui características físicas aparentes. “Se eu não falar que sou uma pessoa com deficiência, ninguém percebe. Muitas vezes, a dificuldade da visão monocular é exatamente essa, as pessoas não acreditarem que você realmente tem uma deficiência”, afirma.
A psicóloga explica que a visão monocular afeta diretamente a percepção de profundidade, distância e visão lateral, tornando situações cotidianas mais desafiadoras. “Escadas são muito perigosas para quem tem visão monocular, porque a gente não consegue ter a mesma percepção de profundidade. Por isso, aquelas faixas coloridas nos degraus são tão importantes”, comenta.
Além das limitações práticas, Giselle destaca que o impacto emocional causado pela falta de compreensão sobre a deficiência também é significativo. “Muitas vezes, as pessoas julgam você como incapaz por causa da deficiência. Isso acaba trazendo problemas emocionais porque a própria pessoa começa a se sentir incapaz”, observa.
Acolhimento e inclusão
Para a psicóloga, inclusão vai além de adaptações estruturais e envolve, principalmente, acolhimento e reconhecimento da individualidade de cada pessoa. “Inclusão não é só colocar uma rampa ou um adesivo na escada. É olhar para a pessoa e mostrar que ela é importante, que ela tem sentimentos e que merece ser acolhida”, ressalta.
Ela avalia que o Poder Judiciário de Mato Grosso avançou significativamente nos últimos anos em relação às políticas de acessibilidade e inclusão, especialmente após a criação da Comissão de Acessibilidade e Inclusão. “Hoje existem ferramentas, adaptações, jornada especial e avanços importantes que fazem com que a pessoa com deficiência se sinta vista dentro da instituição”, destaca.
Giselle também lembra que a visão monocular foi reconhecida legalmente como deficiência visual pela Lei nº 14.126/2021, garantindo às pessoas com essa condição os mesmos direitos assegurados às demais pessoas com deficiência.
Mesmo assim, ela afirma que ainda existem dificuldades para o reconhecimento desses direitos. “Muitas vezes precisamos provar constantemente que temos uma deficiência, mesmo apresentando laudos. Nem sempre os nossos direitos são respeitados de forma automática”, pontua.
Segundo a psicóloga, ampliar o debate sobre acessibilidade e inclusão é essencial para construir ambientes mais humanos, empáticos e preparados para acolher diferentes realidades. “A deficiência não define uma pessoa. Antes de qualquer limitação, existe um ser humano que precisa ser respeitado, acolhido e compreendido”, conclui.
Pesquisa sobre acessibilidade
Como parte das ações desenvolvidas para o fortalecimento da política de inclusão, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do PJMT também promove uma pesquisa sobre as condições de acessibilidade nas unidades judiciárias e administrativas do Estado.
O levantamento é destinado a magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), colaboradores(as) e credenciados(as), com o objetivo de identificar demandas, necessidades e possíveis barreiras enfrentadas no ambiente institucional.
A pesquisa segue aberta até o dia 30 de junho de 2026. Participe!

Autor: Emily Magalhães

Leia Também:  Inscrições abertas para processo seletivo de assistentes sociais e psicólogos em Tangará da Serra

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

Cuiabá

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA