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NR alerta para não reprodução de estereótipos da pessoa negra

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso expediu notificação recomendatória às instituições que atuam na área da Segurança Pública para que se abstenham de reproduzir situações de representações negativas ou estereótipos da pessoa negra na denominação das operações que são realizadas. A medida foi adotada após a divulgação de nota pelos Movimentos Sociais Negros brasileiros repudiando a utilização da nomenclatura “Março Negro” para denominar uma operação deflagrada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) no dia 02 de março deste ano.

 Além da Polícia Judiciária Civil, a notificação foi encaminhada à Polícia Militar e ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Foi recomendada ainda a realização de debates, entre outras iniciativas, com abordagens sobre racismo estrutural e institucional, privilégios e representatividade. Caso ocorra uma nova fase da operação alvo da nota de repúdio, o MPMT recomenda que o nome seja alterado de modo a prestigiar a luta por igualdade de direitos pelas pessoas negras e população quilombola.

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De acordo com o artigo 1º, alínea 2, da Convenção Interamericana Contra o Racismo, “a discriminação racial indireta é aquela que ocorre, em qualquer esfera da vida pública ou privada, quando um dispositivo, prática ou critério aparentemente neutro tem a capacidade de acarretar uma desvantagem particular para pessoas pertencentes a um grupo específico, com base nas razões estabelecidas no Artigo 1.1, ou as coloca em desvantagem, a menos que esse dispositivo, prática ou critério tenha um objetivo ou justificativa razoável e legítima à luz do Direito Internacional dos Direitos Humanos”.

 A notificação recomendatória foi assinada pelo procurador de Justiça titular da Procuradoria de Justiça Especializada de Defesa da Cidadania e do Consumidor, José Antônio Borges Pereira, e pelos promotores de Justiça Henrique Schneider Neto, da 25ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá e Thiago Marcelo Francisco dos Santos, colaborador do Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos, Diversidade e Segurança Pública. 

Fonte: Ministério Público MT – MT

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O Mistério do Fogo

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Da fricção de duas peças de madeira seca, do choque de duas pedras: o fogo. Como conservá-lo? Uma vez extinto, como reacendê-lo?

Tanta coisa evoluiu no mundo, e insisto na fogueira. Ao redor dela sempre chegam novidades, histórias, pessoas, caminhos e encontros. O devaneio junto à fogueira. O sonho. Desperta a vontade de mudar, de correr o tempo, de levar a vida a seu termo, a seu além. Aumenta o destino humano.

Existe uma convocação silenciosa em toda fogueira. A vida de uma chama para a vida de um mundo. O fogo é íntimo e universal. Vive em nosso coração.

Queria saber da arte de atiçar o fogo nos outros. Em mim já é difícil. O fogo esmorece, é preciso atiçá-lo, sabiamente, longamente, no meio da fumaça.

Eu sei que tem a ver com paciência, audácia, sorte (Deus). Sobretudo amor. Eu sei também que o fogo se propaga mais na alma que nas cinzas. Antes de ser nascido da madeira e da pedra, o fogo nasce da gente.

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Vejo tantos corpos cansados e almas-cinzas. Sim, Amigo Leitor, o sentido das coisas mora longe, mas ele é tocado dentro de você. Somente quando lembramos da nossa solidão é que somos senhores da nossa fogueira.

Olhei para o horizonte, para não me perder de vista. Imensidão vasta e profunda, mais vasto é o meu coração. Põe a alma na tua frente, Leitor Atento, que ela vence o corpo cansado.

Num mundo de luzes instantâneas, há algo de corajoso em acreditar no fogo que se alimenta devagar.

Aprenda a cuidar do seu fogo. Seja capaz de forçar a porta da fornalha e adentrar no mistério do fogo, a fim de arder sempre.

*Emanuel Filartiga Escalante Ribeiro é promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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