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MPMT vai articular medidas para reduzir impactos das obras em Cuiabá

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Com o objetivo de debater os impactos das obras de mobilidade urbana em curso na cidade e buscar soluções para minimizar os transtornos à população, a 29ª Promotoria de Justiça de Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística promoveu uma audiência pública na manhã desta quarta-feira (10), no auditório da sede das Promotorias de Justiça da Capital. Com o tema “Mobilidade Urbana em Cuiabá: desafios e soluções durante a execução de obras nas vias estruturais da capital”, a consulta reuniu sociedade civil, autoridades públicas, entidades de classe, especialistas e representantes do setor produtivo.A audiência foi presidida pelo promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva. “É muito importante tê-los aqui no Ministério Público. Assim como vocês, também enfrento dificuldades para me locomover pela cidade. Quem nunca ficou preso em engarrafamento ou teve que mudar de rota por um cone inesperado no caminho? Realizamos esta audiência pública justamente para lidar com essas frustrações e expectativas, mas também para ouvir contribuições e promover transparência. Nosso objetivo é construir soluções conjuntas. Este espaço é para refletirmos sobre a cidade que queremos e garantirmos que esse processo de transformação seja mais organizado, transparente e eficiente para todos”, iniciou.O promotor então apresentou os principais temas da pauta, como: a otimização da fiscalização de trânsito para garantir segurança e fluidez; a necessidade de maior transparência nos cronogramas das obras, permitindo que cidadãos e empresas possam se planejar; e a sincronização entre diferentes tipos de obras (como asfaltamento, saneamento e mobilidade) para evitar sobreposições que agravem o caos urbano. Segundo ele, a articulação entre órgãos públicos, concessionárias e empresas é essencial para minimizar os impactos negativos à população.Por fim, Carlos Eduardo Silva consignou que a audiência pública é uma oportunidade de reflexão sobre a cidade que se deseja construir, com foco em ações produtivas e colaborativas que contribuam para o futuro de Cuiabá. O promotor também fez um reconhecimento público à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) de Cuiabá. “Nos últimos dez dias, tenho observado a atuação incisiva dos agentes de trânsito da Semob em pontos críticos da cidade. Não apenas fiscalizando e autuando, mas principalmente orientando os condutores, e isso merece reconhecimento. Agradeço publicamente pelo esforço, pois sei das limitações de efetivo e das dificuldades enfrentadas pela equipe”, afirmou.O deputado estadual Diego Guimarães destacou a relevância da audiência pública promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso, reconhecendo os transtornos causados pelas obras de mobilidade urbana em Cuiabá, mas reforçando que esses impactos podem ser mitigados com planejamento e articulação entre os poderes. Ele apontou os prejuízos diários enfrentados pelos cidadãos e relembrou os traumas deixados pelas obras da Copa do Mundo. Também enfatizou que o tempo perdido no trânsito afeta diretamente a qualidade de vida da população.“Na semana passada, falei na tribuna da Assembleia sobre a necessidade de adotarmos horários alternativos de funcionamento nos órgãos públicos. Estamos estudando medidas nesse sentido. Mas isso só será eficaz se todos os poderes e instituições se alinharem. Por isso, deixo aqui o pedido para que construamos uma reunião com os chefes dos poderes ou seus representantes, a fim de elaborar um plano de escalonamento de horários, com entradas às 7h, 8h, 9h ou até 10h, e até mesmo a redução da carga horária em alguns casos. Precisamos também de uma comunicação mais efetiva sobre rotas alternativas e horários”, defendeu.O secretário-adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Isaac Nascimento Filho, apresentou as duas grandes obras em andamento – Complexo Leblon e BRT. “É bom compartilharmos nossas angústias de execução das obras antes de falarmos das medidas mitigadoras”, argumentou. A respeito do Complexo Leblon, enfatizou os benefícios do empreendimento para o futuro da cidade, explicou como funcionarão as intervenções quando concluídas, destacou a parceria com a Semob, falou sobre as rotas de desvios, apresentou um cronograma com a previsão da liberação das interdições e as ações mitigadoras que estão sendo adotadas.Segundo o secretário, o alargamento da Avenida Miguel Sutil, ao lado da trincheira do Complexo Leblon, deve ser concluído ainda em setembro de 2025. Já o trecho da Miguel Sutil sentido Rodoviária – Coxipó, na parte superior do túnel, está previsto para outubro. Em dezembro, devem ser entregues tanto a passagem inferior ao lado do McDonald’s quanto a alça de acesso à Avenida do CPA, nas proximidades da Polícia Federal. Para o início de 2026, o cronograma prevê a finalização do trecho da Miguel Sutil sentido Coxipó – Rodoviária, também na parte superior do túnel, em fevereiro. Por fim, a conclusão da trincheira na Miguel Sutil está prevista para abril de 2026.Sobre o BRT, informou que o novo modal contribuirá para reduzir o fluxo de ônibus na cidade e que mudará o conceito da Avenida do CPA com a substituição de retornos por cruzamentos. Para encerrar, entre as ações mitigadoras, o secretário informou que medidas estão sendo adotadas em parceria com a Semob; que há inserção de bloqueios no aplicativo Waze; divulgação prévia de rotas alternativas em diferentes mídias; e sincronização dos cronogramas das obras com os da Águas Cuiabá. Além disso, o contrato do BRT prevê horário estendido de trabalho, das 6h às 22h.A secretária interina da Semob, coronel PM Francyanne Siqueira Chaves Lacerda, destacou os desafios enfrentados pela equipe diante do aumento da demanda causada pelas obras em execução na cidade. Ela explicou que, assim que assumiu a pasta há menos de 15 dias, buscou se reunir com os responsáveis pelas intervenções, como Águas Cuiabá e representantes do Governo do Estado, para entender a dinâmica das obras e buscar alternativas que minimizem os impactos no trânsito. A estrutura da Semob, dividida em três diretorias (Trânsito, Transporte e Engenharia), conta com cerca de 170 agentes, número considerado insuficiente frente à demanda atual. A secretária também mencionou a sobrecarga causada por eventos mensais, acidentes de trânsito e limitações legais de jornada dos agentes.“Fizemos um mapeamento que identificou 27 pontos críticos onde seria necessário, no mínimo, uma dupla de agentes atuando, mas conseguimos atender menos da metade. Por isso, estamos articulando um termo de cooperação com o Batalhão de Trânsito para reforçar a atuação nesses locais e também iniciar a operação ‘Carga Pesada’, voltada ao controle de caminhões. Mesmo com todas as limitações, nossa equipe tem se dedicado ao máximo para garantir a segurança e a fluidez no trânsito da capital”, revelou.O secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Portocarrero, destacou a importância da parceria entre o Governo do Estado, a Prefeitura e o Ministério Público para enfrentar os desafios da mobilidade urbana em Cuiabá. Ele relembrou o crescimento acelerado da cidade nas últimas décadas, que passou de 70 mil habitantes nos anos 1970 para cerca de 700 mil atualmente, o que gerou impactos inevitáveis na infraestrutura urbana. “Cuiabá passou por um crescimento agressivo e desordenado, e não há planejamento que dê conta de tudo isso. Precisamos encontrar caminhos criativos e viáveis, como já fazem cidades europeias com crescimento controlado. É hora de discutir soluções com apoio do Ministério Público e buscar alternativas reais para destravar a cidade, não só politicamente, mas também fisicamente, para que ela volte a funcionar de forma eficiente”, defendeu.Representando a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso (OAB-MT), o advogado Thiago França reconheceu a importância das intervenções para a cidade e a região metropolitana, mas criticou a forma como estão sendo conduzidas, apontando falta de planejamento emergencial, diálogo com a sociedade e medidas de mitigação. Thiago compartilhou experiências da época das obras da Copa do Mundo, quando foi secretário da Semob, destacando ações como a criação de comitê gestor, plano de comunicação, escalonamento de horários e restrição de circulação de caminhões, que ajudaram a reduzir os impactos e melhorar a coordenação entre os órgãos públicos.“Não estamos aqui para lamentar, mas para propor. A cidade vive um momento crítico e precisa de liderança, coordenação e respeito à população. É urgente instituir um plano emergencial de mobilidade urbana, pactuado com a sociedade civil organizada, para transformar esse cenário de caos em uma oportunidade de avanço. Cuiabá pode continuar crescendo, mas com planejamento, responsabilidade e dignidade”, enfatizou.O vereador Alex Rodrigues reconheceu a importância das obras de mobilidade conduzidas pelo Governo do Estado, mas alertou para os impactos no comércio local e cobrou mais transparência sobre os cronogramas. Ele destacou que comerciantes, especialmente da Rua 15 de Novembro, precisam saber com antecedência quando e como as obras vão ocorrer para se planejarem, principalmente no fim do ano, período de maior faturamento.Encaminhamentos – Após as manifestações, o promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva finalizou destacando as principais sugestões apontadas e dizendo que não é fácil discutir a temática, que já deveria ter sido debatida anteriormente. “Quem sabe agora consigamos colocar todo mundo na mesa de forma institucionalizada. Se tiver que fazer Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a gente faz; se tiver que fazer mais audiência pública, a gente faz, para que possamos caminhar e melhorar um pouco o ambiente aqui na nossa cidade”, considerou.“Vamos avaliar todas as contribuições recebidas nesta audiência e buscar soluções práticas. A criação de um comitê com participação de entidades pode ser um caminho para agilizar decisões. Também pretendo dialogar com a Casa Civil e a Secretaria de Segurança Pública para reforçar o apoio à Semob. Precisamos avançar na articulação entre as obras do BRT e as intervenções da Águas Cuiabá, evitando sobreposições e impactos desnecessários. Articularemos também um possível escalonamento de horários de funcionamento dos órgãos públicos, como forma de reduzir os impactos nos horários de pico e melhorar a fluidez do trânsito durante o período de obras. Não é o cenário ideal, estamos apagando incêndios, mas é possível construir alternativas com diálogo e coordenação”, finalizou.Também participaram da audiência pública as secretárias municipais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Elisangela Fernandes Bokorni, e de Ordem Pública, Juliana Chiquito Palhares; o diretor-geral da Concessionária Águas Cuiabá, Leonardo Menna; o representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Enodes Ferreira; a representante da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Doriane Azevedo; o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá, Junior Macagnam; entre outras autoridades, convidados e integrantes da sociedade civil.A audiência pública foi transmitida ao vivo pelo canal do MPMT no YpuTube e pode ser assistida aqui.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MP e Judiciário lançam Programa Semear para ressocialização em MT

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A integração entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e o Poder Judiciário Estadual (PJMT) foi um dos destaques no encerramento do Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, realizado nesta sexta-feira (29). A atuação articulada entre as instituições, responsável por avanços significativos, foi apontada como um diferencial e resultou no lançamento oficial do Programa Semear (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando) em Mato Grosso, durante o evento.A iniciativa tem como objetivo promover maior efetividade na recuperação de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta busca fortalecer a assistência às pessoas privadas de liberdade. Além disso, o programa prevê ações voltadas à valorização dos servidores do sistema prisional, reconhecendo o papel essencial que desempenham como agentes de transformação no processo de ressocialização.Implantado no Estado de São Paulo há quase 11 anos, o Programa Semear já apresenta resultados expressivos, com a execução de 1.393 projetos em 159 unidades prisionais, beneficiando 52.862 pessoas. De acordo com dados da 6ª aferição de reincidência criminal, 82% dos participantes que conquistaram a liberdade não retornaram ao sistema penitenciárioEm Mato Grosso, o Semear é resultado do Termo de Cooperação Técnica (TCT) nº 32/2024, firmado em 17 de dezembro de 2024, reunindo esforços do MPMT, do TJMT, da Defensoria Pública (DPMT), do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), e do Instituto Ação pela Paz.“Embora tenhamos debatido temas complexos e desafiadores ao longo destes dois dias de evento, encerramos este encontro com uma mensagem de esperança. Tivemos a oportunidade de conhecer resultados concretos de programas e ações desenvolvidos no Estado de São Paulo, iniciativas que vêm promovendo mais luz, pacificação e compreensão, além de ampliar as possibilidades de reintegração social de pessoas em processo de recuperação”, avaliou a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal do MPMT.Para ela, o Programa Semear Mato Grosso nasce com esse propósito e está plenamente preparado para levar essa mesma perspectiva ao sistema penitenciário do nosso estado, fortalecendo caminhos mais humanos e eficazes de ressocialização. Importância da ressocialização – Para apresentar o Programa Semear, foram convidados o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Luiz Antonio Cardoso, a diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz, Solange Senese, e o agente de segurança penitenciária e coordenador dos presídios da região noroeste paulista, Jean Ulisses Campos Carlucci.Ao abordar o tema, Solange Senese destacou a necessidade de repensar o modelo atual de enfrentamento da criminalidade. “Se o problema é sistêmico e não podemos deixar de prender as pessoas que cometem crimes, porque viraria uma bagunça, e também não conseguimos construir presídios na velocidade necessária, então, que tal pensarmos em recuperar as pessoas?”, questionou a diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz.A diretora chamou atenção para os índices de reincidência no país. “Se os índices do país indicam que 42% das pessoas que saem do sistema prisional não voltam, ainda existe um volume muito grande que retorna ao sistema, retroalimentando essa necessidade de construir presídios. Então, vamos, neste momento, falar um pouco sobre isso, sobre uma experiência que está sendo realizada no estado de São Paulo”, acrescentou.Durante a apresentação, a palestrante explicou o funcionamento do Programa Semear e destacou o impacto positivo de atividades como música, esporte e xadrez na redução da reincidência criminal. Também apresentou dados que demonstram que o investimento na recuperação de pessoas privadas de liberdade pode gerar economia aos cofres públicos, ao reduzir a demanda por novas unidades prisionais.Solange Senese ainda enfatizou a necessidade de atuação integrada entre instituições. “Quando vejo o Tribunal de Justiça e o Ministério Público trabalhando juntos, percebo um avanço importante. O que funciona é a união de esforços. Se o crime se organiza, por que o Estado e a sociedade civil também não podem se organizar de forma eficiente?”, afirmou.Segundo a especialista, o modelo propõe a integração efetiva entre órgãos do sistema de justiça e parceiros institucionais, aliada à adoção de metodologias baseadas em evidências para identificar quais ações geram melhores resultados. “Prender é dever do Estado, mas a recuperação depende de toda a sociedade”, pontuou.Outro eixo central do programa é o monitoramento contínuo dos resultados, com base em dados que permitam medir o impacto das ações na redução da reincidência e orientar a replicação de práticas eficazes. A iniciativa também valoriza a participação organizada da sociedade civil, de forma complementar ao poder público, e destaca o protagonismo dos policiais penais e dos próprios reeducandos no processo de transformação.Evolução da pena – O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Luiz Antonio Cardoso, propôs uma reflexão sobre a transformação do conceito de pena ao longo da história, destacando a passagem de um modelo centrado no castigo para outro voltado à recuperação. Em sua análise, ele ressaltou que a atuação isolada do Judiciário e do Ministério Público é insuficiente para promover a efetiva ressocialização, tornando indispensável o envolvimento da sociedade civil nesse processo. “A pessoa é recuperável e se é recuperável, é aí que nós vamos entrar”, afirmou.Ao contextualizar historicamente o sistema punitivo, o magistrado mostrou como a prisão deixou de ser apenas um espaço de custódia que antecedia punições mais severas para assumir a função de reintegrar o indivíduo à sociedade. Nesse cenário, destacou o Programa Semear como uma experiência bem-sucedida em São Paulo, baseada na colaboração entre o poder público e a comunidade, com foco na redução da reincidência criminal e na humanização da execução penal. Para ele, a participação social não é apenas desejável, mas uma exigência para que a justiça alcance resultados concretos.“Nós, juízes, nós, Ministério Público, não damos conta da execução da pena. Damos conta das execuções em termos de progressão, regressão, remissão e de todos os temas relacionados à execução. Mas a execução da pena não é apenas isso. Se nós não alcançarmos a ressocialização, a recuperação da pessoa, de que adianta o trabalho da polícia e da Justiça? É um trabalho perdido”, afirmou.O desembargador concluiu com um alerta sobre as consequências de um sistema que não consegue transformar trajetórias. “É um trabalho perdido para todos nós quando devolvemos à sociedade uma pessoa marcada pela prática do crime e que não sofreu mudança nenhuma. É aí que nós precisamos, e muito, da atuação da sociedade civil”, defendeu.Reintegração na prática – O agente de segurança penitenciária e coordenador dos presídios da região noroeste do Estado de São Paulo, Jean Ulisses Campos Carlucci, destacou, durante palestra, a importância da atuação integrada entre instituições para a redução da reincidência criminal. Representando a Secretaria de Administração Penitenciária, ele ressaltou a consolidação da parceria com o Programa Semear ao longo de mais de uma década, envolvendo poder público, Judiciário e sociedade civil. “O fundamento maior é a busca pela diminuição da incidência criminal”, afirmou. Jean Carlucci também apresentou um panorama do sistema prisional paulista, que conta com cerca de 180 unidades e aproximadamente 228 mil pessoas custodiadas, além da recente estruturação da Polícia Penal, responsável pela gestão desses estabelecimentos.Ao abordar a reintegração social, o coordenador enfatizou que ela não é uma ação complementar, mas uma obrigação institucional. “Não estamos fazendo nada além do que a nossa obrigação legal enquanto gestores do sistema prisional”, pontuou. Ele relatou experiências bem-sucedidas iniciadas em Limeira, como projetos de esporte, capacitação profissional e atividades psicossociais, que contribuíram para mudanças de comportamento e redução de faltas disciplinares. Segundo Jean Carlucci, os resultados evidenciam a importância de iniciativas estruturadas e do engajamento das equipes locais, que devem identificar lideranças internas para conduzir os projetos e adaptar as ações à realidade de cada unidade.“Hoje, vocês têm o catálogo de possibilidades. Os cursos são adaptáveis, são para qualquer unidade, com estrutura grande ou pequena. E o diferencial são os senhores, são os gestores de cada unidade. Se vocês não capitanearem esse trabalho, não apontarem a pessoa certa como ponto focal, não vai ser executado. Então, vocês têm aí um terreno fértil, em conjunto com o Ministério Público e com o Poder Judiciário, para avançar nesse trabalho que busca a diminuição da incidência criminal em Mato Grosso”, finalizou.Projeto Lótus – Se a união e o trabalho conjunto são apontados como o verdadeiro segredo para o sucesso das iniciativas, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente aproveitou o evento para apresentar o Projeto Lótus, desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e voltado aos profissionais do sistema penitenciário.Como parte de uma dinâmica de sensibilização, os participantes do encontro técnico receberam, no início da manhã, um presente embalado e foram convidados a abri-lo apenas no fim do evento. Dentro da sacola, havia uma luminária do Projeto Lótus, que será oficialmente lançado no dia 28 de agosto, em Cuiabá.“Essa luz, na verdade, simboliza a nossa luz interior. Cada ser humano tem a sua luz, nós temos luz, nós somos luz. E essa luz precisa brilhar. Ela deve fazer a diferença onde quer que estejamos. E por que não fazer essa diferença também no sistema penitenciário? Vamos, sim, ser agentes de transformação”, afirmou a procuradora de Justiça, ao encerrar a apresentação.“E, se este projeto for um sucesso, como será devidamente aferido, levaremos essa tecnologia social que vocês estão construindo, e que nasce a partir de vocês, para todo o país”, acrescentou Solange Senese.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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