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Instituições se unem em simpósio sobre pessoas desaparecidas

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Com o compromisso de fortalecer a atuação interinstitucional e garantir respostas mais eficazes às famílias que enfrentam o drama do desaparecimento de entes queridos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), em parceria com Núcleo de Identificação o Humana da Politec, realizou nesta sexta-feira (29) o 1º Simpósio Estadual sobre Pessoas Desaparecidas. O evento, que teve como tema “Não me esqueça”, reuniu especialistas e representantes de diversas instituições no auditório das Promotorias de Justiça, em Cuiabá, para debater estratégias, políticas públicas e avanços técnicos voltados à identificação e localização de pessoas desaparecidas.A iniciativa é fruto da articulação entre o Centro de Apoio Operacional às Promotorias (CAOP) do MPMT, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), com apoio DA Polícia Civil e dos sindicatos dos profissionais da papiloscopia e dos peritos oficiais do estado. O simpósio teve como público-alvo profissionais das forças de segurança e acadêmicos das áreas da saúde, biologia e afins.Na abertura do evento, o promotor de Justiça Caio Marcio Loureiro, coordenador-geral do CAOP, destacou a importância da atuação conjunta entre instituições. Ele falou sobre o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (SINALID) e o programa estadual PLED, voltado à identificação de pessoas desaparecidas.“O simpósio tem esse objetivo promover a interinstitucionalidade no tratamento desse tema sensível. Cada instituição possui acesso a informações que, se compartilhadas, tornam as respostas mais efetivas e as atuações mais resolutivas. O compartilhamento de dados dá mais celeridade ao trabalho do Ministério Público, da Polícia Civil e da Politec”, afirmou o promotor.O delegado da Polícia Civil Caio Albuquerque apresentou um panorama sobre os desaparecimentos no Brasil e em Mato Grosso, ressaltando a necessidade de união entre os agentes públicos. “É um tema que envolve solidariedade. Se todos os agentes como a polícia, Politec e Ministério Público não estiverem imbuídos no propósito de ajudar o próximo, isso não funciona. As políticas públicas estão aí, mas é preciso que todos ajam juntos, com uma mesma finalidade”, pontuou.O diretor-geral da Politec, Jaime Trevizan, reforçou a importância da integração entre os órgãos para superar os desafios técnicos na identificação de pessoas. “A temática dos desaparecidos coercitivos ultrapassa o nível da Politec e da Polícia Civil. Muitas vezes, as informações que precisamos estão em outras instituições. Quando reunimos os atores capazes de fazer políticas públicas e deixamos a vaidade de lado, focando no resultado, temos certeza de que os avanços serão significativos”, declarou.Programação técnica e científica – a programação do simpósio incluiu palestras sobre o funcionamento do Núcleo de Identificação Humana da Politec, acolhimento aos familiares de desaparecidos, uso da necropapiloscopia e do DNA na identificação, além da contribuição da odontologia legal e dos fluxos hospitalares para identificação de pessoas desconhecidas.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Semear e Colher

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Há anos, me atenho ao princípio de Semear e Colher, para enredar a interpretação que faço a respeito da trajetória humana na Terra. Existem várias teses sobre os atos em cotejo, imprimindo facetas ao ser humano. Muitas pessoas se gabam de, ao longo da vida, prestarem-se muito a Semear, atribuindo substancial importância a essa tarefa. Outros se orgulham das fartas Colheitas materiais e intelectuais que acumulam na trajetória humana, ressaltando que é a capacidade de coletar que importa. Os dois cenários são, efetivamente, muito importantes, mas o que não pode ser ignorado é que a colheita é resultado do que foi plantado e, eventual desajuste entre um ponto e outro, precisa ser refletido para permitir a adoção oportuna de eventuais medidas corretivas.É certo que, por vezes, semear causa frustrações, pois nem sempre o espaço material ou imaterial eleito para as ações é fértil e preparado para tal escopo. A colheita também pode ser marcada pelo insucesso. Semear e colher são fases inerentes ao ser humano, relacionadas ao labor operacional ou intelectual, em estreita sintonia com a natureza e, por vezes, exercendo mister filosófico-religioso, muitos homens e mulheres se especializam em uma ou outra atividade.São exímios trabalhadores, semeando ou colhendo bons frutos. Algumas pessoas especiais são semeadoras natas, ainda que sequer se apercebam disso. No cotidiano, pela prática, legam a todos que lhes cercam um estilo condizente com a missão divina. Semear nem sempre proporciona boa colheita. Por vezes, sequer qualquer colheita é possível. O incrédulo diz que não vale a pena semear em terreno infértil. Entende que é tempo perdido. Já o verdadeiro semeador tornará a realizar a missão, tantas e quantas vezes forem necessárias, mesmo que nenhum resultado satisfatório integre a sua visão de curto prazo. Aliás, esse semeador tem consciência de que todo terreno pode ser preparado para receber a semente e é esse, sem dúvida, seu maior foco.Mateus 13 descreve o sermão de Jesus sobre as sementes: “eis que um semeador saiu a semear e algumas sementes caíram ao longo do caminho; os pássaros vieram e as devoraram. Outras caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra e imediatamente brotaram, pois não havia terra profunda. Quando o sol nasceu, queimaram-se e, porque não tinham raízes, murcharam. Outras caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. Finalmente, algumas caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um”.Nos tempos atuais, quando são disseminadas informações em volume gigantesco, algumas procedentes, outras dúbias e várias falsas, é bom lembrar das parábolas de Cristo. Nem sempre o que se propaga é semente selecionada e raramente o terreno preparado para recebê-las é o adequado. Além disso, existem semeadores de todas as estirpes e com interesses diversos.Alguns arautos da discórdia valem-se desses instantes para alimentação dos egos pessoais, sem se aterem às diversidades culturais e sociais de nossa gente. Espalham ódio como semente, a partir de aleivosias e retroalimentam o processo com as vozes de outros iguais que, irracionalmente, aplaudem os despautérios.Já os verdadeiros semeadores perseveram em cultivar seus valores. Mesmo plantando sementes nem tão produtivas, por conta de interferências externas, contribuem com as condutas positivas voltadas para a construção de uma sociedade cada vez mais justa e igualitária, para que as pessoas de bem busquem o preparo adequado do solo, recepcionando as sementes lançadas, melhorando-as pelo trato e oportunizando, destarte, boas colheitas.Os humanos precisam entender essa dinâmica de semear e colher, em sintonia com a natureza ou sustentada por princípios filosóficos ou dogmas religiosos. Como mencionava Jean-Paul Sartre, “todos somos condenados a sermos livres”, mas alguns insistem em achar que podem manter-nos encarcerados aos seus dogmas. Para produzir bons frutos, é preponderante também o trato cultural em todos os ciclos da planta semeada. Não basta ter bom solo e semente selecionada. É fundamental que as ações para torná-lo produtivo façam parte da rotina. Isso só é possível com a exteriorização de exemplos positivos, porquanto não bastam meros discursos.Quando precisamos enfrentar desconformidades, mesmo aquelas resultantes das intervenções humanas no ciclo regular da vida, devemos considerar, no dia a dia, as ações de quem está semeando, na expectativa de colher e partilhar uma boa produção e, definitivamente, afastar os sinais externados pelas pessoas descompromissadas com a sobrevivência harmônica na Terra.Aqueles que se julgam diferentes se assumem soberanos, vilipendiando o próximo, tal qual nas “eras primitivas”, quando imperava o arbítrio. Nesse escopo, semeiam ódio contra algumas pessoas, pois não aceitam e nem querem admitir a igualdade daqueles que, por uma situação circunstancial ou mesmo interpretação social, apresentam certa diferença, comportamental ou física. E o mais grave é que o ódio disseminado prolifera, como erva daninha, germinando outras situações discriminatórias. Por isso, mais que nunca, precisamos separar “o joio do trigo” e semear aquilo que efetivamente é preciso colher para o bem-estar da sociedade, mormente em uma visão de longo prazo, mesmo após o encerramento da vida do semeador na Terra.*Edmilson da Costa Pereira é procurador de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Foto: Magnific.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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