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Encontro do MPMT destaca inovação e prevenção institucional

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Membros do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que atuam na Defesa do Patrimônio Público participam da edição 2025 do Encontro da Procuradoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público, realizado nesta sexta-feira (27). Durante a abertura, o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, destacou a importância do encontro diante das recentes alterações legislativas, das novas tecnologias, bem como do diálogo com outras instituições para uma atuação mais preventiva.“Sou um entusiasta do futuro. Acredito que, no Patrimônio Público, temos muito a fazer. A mudança na forma de trabalho não deve ser interpretada como uma finalização, mas como uma atualização. A recuperação de recursos pelas Promotorias do Patrimônio Público cresceu nos últimos anos, cresceu vertiginosamente e, entre os objetivos, talvez esse seja o mais importante, pois é o que a sociedade mais busca. Defendo também que podemos agir de forma preventiva, participando mais dos demais órgãos de controle”, destacou o procurador-Geral.Realizado no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, o encontro tem como propósito estimular o intercâmbio de experiências e fortalecer a atuação institucional na defesa do patrimônio público. “O efetivo cumprimento do artigo 37 da Constituição da República requer que a eficiência no gerenciamento do patrimônio público seja pauta prioritária nas ações de gestores, parlamentares, juízes, integrantes de órgãos de controle e servidores da administração pública. Para que esse objetivo seja alcançado, é fundamental o aprimoramento contínuo da matéria e dos meios de compartilhamento de informações com a comunidade”, pontuou o titular da Procuradoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público, procurador de Justiça Edmilson da Costa Pereira.O secretário-geral do MPMT, procurador de Justiça Adriano Augusto Streicher de Souza, relembrou o compromisso do Ministério Público com a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. “A proteção do patrimônio público é mais do que uma atribuição constitucional é um dever ético que nos impõe vigilância, atuação técnica e, sobretudo, capacidade de prevenir, dialogar e construir novas soluções em rede.”Membro auxiliar da Corregedoria-Geral do MPMT, o promotor de Justiça Tiago de Sousa Afonso da Silva, lembrou que, em 2021, a atuação do Ministério Público passou por mudanças com a alteração da Lei de Improbidade Administrativa. “A atuação do Ministério Público foi limitada. Passou-se a exigir um nível de prova ainda maior para que se obtivesse a condenação dos processados com base naquela lei, e os tipos caracterizadores dos atos de improbidade administrativa também sofreram uma redução considerável. Entretanto, o Ministério Público, em nenhum momento, pode se esmorecer, até porque dispõe, sim, de mecanismos sobretudo extrajudiciais para exercer sua função em conformidade com a nova realidade normativa.”A programação do encontro contemplou dois painéis temáticos. O primeiro abordou os “Aspectos Práticos da Atuação Preventiva do Ministério Público na Defesa do Patrimônio Público”, com palestra do promotor de Justiça Rodrigo Otávio Mazieiro Wanis, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A mediação foi feita pelo promotor de Justiça Gustavo Dantas Ferraz, do MPMT. Já o segundo painel, com o tema “Consensualidade, Gestão e Educação Patrimonial”. Os palestrantes foram os promotores de Justiça Taiana Castrillon Dionello e Eduardo Antonio Ferreira Zaque, ambos do MPMT. Os debates contaram com a participação da promotora de Justiça Lindinalva Correia Rodrigues.O evento foi promovido pela Procuradoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) — Escola Institucional do MPMT.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Tese de promotora do MPMT analisa feminicídio e Estado

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A promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Lindinalva Correia Rodrigues, teve sua tese de doutorado aprovada nesta sexta-feira (12), durante defesa pública realizada no auditório da Sede das Promotorias de Justiça, em Cuiabá. O trabalho, intitulado “Eles não param de matar: o feminicídio como exercício de soberania sobre o corpo feminino em face da ineficiência do Estado contemporâneo”, foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).O trabalho contou com apoio institucional do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (FESMP-MT), que têm incentivado a produção de conhecimento voltado ao fortalecimento das políticas públicas e das práticas institucionais.A pesquisa, orientada pelo professor doutor Mário Cezar Silva Leite, foi avaliada por banca examinadora composta pelas professoras doutoras Patrícia Silva Osorio (PPGAS/PPGECCO/UFMT), Aline Wendpap Nunes Siqueira (PPGECCO/UFMT), Amini Haddad Campos (PPGD/UFMT) e Maria Cristina Theobaldo (PPGF/UFMT), que aprovaram a tese, reconhecendo sua relevância teórica, metodológica e social.Com mais de 21 anos de trajetória jurídica e acadêmica e tendo sido a primeira no Brasil a aplicar a Lei Maria da Penha, Lindinalva Correia Rodrigues constrói, em sua investigação, uma leitura crítica sobre a persistência do feminicídio no Brasil, apontando que o fenômeno transcende a categoria de crime comum. A tese sustenta que a violência letal contra mulheres constitui um mecanismo estruturado de poder, no qual o corpo feminino é submetido a uma lógica de dominação que opera, em grande medida, com a conivência e a ineficiência estatal.Durante a defesa, a doutoranda destacou a necessidade de transformação do sistema de justiça, afirmando que “para o enfrentamento ao feminicídio é necessária uma justiça sensível ao gênero”. A afirmação sintetiza a principal contribuição do estudo: a urgência de uma atuação institucional que reconheça as especificidades das violências de gênero e seja capaz de produzir respostas preventivas e protetivas mais eficazes.A tese articula um sólido referencial teórico, fundamentado nas categorias de “necropolítica”, de Achille Mbembe; “pedagogias da crueldade”, de Rita Segato; e “vida nua”, de Giorgio Agamben. A partir desses aportes, Lindinalva propõe a noção de um “Estado de Exceção de Gênero”, em que o espaço doméstico se transforma em território de suspensão da norma jurídica.Ao revisitar casos emblemáticos da história brasileira, como os de Ângela Diniz, Daniella Perez e Eliza Samudio, a tese identifica que a ineficiência estatal não deve ser compreendida como falha episódica, mas como um dispositivo estruturante.No caso de Eliza Samudio, em particular, a pesquisadora destaca que o episódio se tornou um divisor de águas ao expor o papel do silêncio institucional como elemento que reforça a necropolítica de gênero, permitindo que a violência doméstica seja naturalizada e invisibilizada.Outro eixo central do estudo é a análise interseccional da violência, com ênfase no extermínio de mulheres negras. A pesquisa demonstra que o feminicídio no Brasil não atinge as mulheres de forma homogênea, sendo agravado pela sobreposição entre machismo estrutural e racismo institucional.O Paradoxo de Mato Grosso – conforme aponta a autora, o Estado apresenta um paradoxo contundente entre desenvolvimento econômico e proteção à vida das mulheres. Reconhecido como um dos motores do agronegócio nacional, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 4,5% em 2024 e valor bruto da produção agropecuária que ultrapassa R$ 200 bilhões, Mato Grosso também lidera, de forma alarmante, o ranking nacional de feminicídios per capita.Com taxa de 2,52 mortes por 100 mil mulheres, cerca de 80% acima da média brasileira, os números evidenciam uma escalada da violência letal de gênero. Tal cenário revela que o avanço econômico não tem sido acompanhado por estruturas eficazes de proteção social e de enfrentamento à violência de gênero.Conclusão da tese – Ao final, a tese se apresenta como um ato de resistência acadêmica e política, ao denunciar a continuidade da violência e propor caminhos para sua superação. Ao afirmar que “eles não param de matar”, a autora convoca o Estado e a sociedade a romper com a naturalização do feminicídio e a construir, de forma efetiva, um ambiente de proteção e dignidade para todas as mulheres.“A tese denuncia um sistema de machismo institucionalizado no próprio sistema de segurança e justiça, em que as narrativas das vítimas são frequentemente minimizadas, descreditadas ou submetidas à vitimização secundária ou à revitimização”, concluiu a promotora de Justiça.Avaliação da banca – Segundo Amini Haddad Campos, o estudo documental da tese é rico em pormenores. “A tese foi muito feliz em desmascarar esse estado de coisas”. Já Maria Cristina Theobaldo destacou a relevância da tese. “Eu acho que a sua tese é um instrumento de denúncia que precisa vir a público. De como a coisa é feita e de quem é responsável por ela. E isso é muito corajoso”.Para Patrícia Osorio, participar da banca foi um presente. “Um presente que veio às vésperas do Dia de Santo Antônio. É um santo que marca a celebração dos ciclos juninos e é um santo que celebra a união, o casamento e o amor. Então eu, como pesquisadora da cultura popular, não poderia deixar de lembrar deste momento que a gente está vivendo”.Já Aline Wendpap destacou que a pesquisa cumpre os propósitos do programa de pós-graduação. “Estamos diante de uma pesquisa consistente, comprometida e intelectualmente madura. Trata-se de uma tese que honra os propósitos dos Estudos de Cultura Contemporânea”.Ao final das considerações, a promotora de Justiça teve a tese aprovada pela banca, reiterando a qualidade do trabalho e indicando-o para publicação, com sugestão de que a tese seja indicada para o Prêmio de Teses da CAPES 2026.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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