O livro “Almonaque: Arquivos. Histórias. Futuro – Volume 1” será lançado neste sábado (11.4), às 18h, no Centro Cultural Casa Cuiabana, em Cuiabá. A publicação integra o projeto que articula memória, política e cultura LGBTI+ em Mato Grosso, contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) no edital Viver Cultura – Identidades, edição Lei Paulo Gustavo.
Organizado por finalistas do Prêmio Jabuti, o Almonaque reúne mais de 40 textos assinados por 24 pesquisadoras(es), artistas e ativistas, abordando territórios, acontecimentos históricos e personagens que marcaram a trajetória do movimento LGBTI+ em Mato Grosso ao longo das décadas.
A publicação lança luz sobre uma dimensão ainda pouco reconhecida da história regional: o protagonismo de Cuiabá e do estado como polos de diversidade, resistência e produção cultural. O livro será lançado nas versões digitais e audiobook; já a versão impressão será lançada posteriormente.
“Cuiabá, que ao longo de sua trajetória abrigou múltiplas formas de expressão e sociabilidade, aparece aqui como cenário vanguardista de narrativas que resistem ao silenciamento”, destaca a professora Bruna Irineu, coorganizadora da obra e finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025.
Para o jornalista Marcos Salesse, também coorganizador, o projeto representa um esforço coletivo de valorização da memória e inserção das narrativas mato-grossenses no cenário nacional.
“O Almonaque é esse movimento de reunir arquivos, relatos e reflexões que contribuam para a construção de uma memória diversa, fundamental para a afirmação de direitos e para a produção de futuros possíveis no nosso estado”, afirma.
A programação na Casa Cuiabana inclui ainda a roda de conversa “Memória LGBTI+ – Desafios e Futuro”, reunindo pesquisadoras(es), ativistas e agentes culturais para discutir a preservação dessas memórias frente ao apagamento histórico e às violências enfrentadas pela população LGBTI+.
A noite contará também com apresentações de artistas LGBTI+, como DJ Foguinho, a drag queen Sarah Mitch, Karola Nunes e Chris Chaves, nomes que ratificam o compromisso do evento com a pluralidade e a representatividade.
(Com informações da Assessoria)
Outras programações na Casa Cuiabana
O equipamento da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) recebe outros eventos culturais neste fim de semana. Nesta sexta feira (10), às 19h, haverá o lançamento do livro de poesias “De Cara Lavada”, de Roberto Zwestsch.
E no domingo (12), a partir das 11h30, o espaço será o palco da confraternização do Bloco Carnavalesco Agora QQ Esse, campeão do Desfile de Carnaval de Cuiabá 2026. Com almoço, shows e premiação, os ingressos estão sendo vendidos pelo próprio Bloco. Mais informações no instagram @ bloco_agoraqqesse
A Casa Cuiabana está localizada na rua General Vale, 181, bairro Bandeirantes, em Cuiabá.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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