O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) lançou o Sistema Integrado de Cadastro de Recursos para Apoio aos Incêndios Florestais (Sicraif) para que produtores rurais, prefeituras, instituições e demais parceiros possam registrar os meios que possuem para combater incêndios florestais, como máquinas, equipes e equipamentos. A medida integra as ações de prevenção e preparação para a temporada de incêndios florestais.
Por meio do Sicraif, é possível organizar antecipadamente o apoio operacional, ampliando a eficiência das ações e garantindo uma resposta mais ágil e estruturada às ocorrências. Podem ser cadastrados, por exemplo, tratores, caminhões-pipa, brigadas locais e outras estruturas que, sob coordenação técnica do CBMMT, possam atuar de forma colaborativa em prol da proteção ambiental e da segurança da população. O sistema já está disponível. Para fazer o cadastro dos recursos, os interessados devem acessar o site do Sicraif.
O comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, explicou que o sistema dá visibilidade ao apoio que já é prestado durante a temporada de incêndios florestais. Na prática, quando uma equipe de militares é acionada para combater um incêndio em uma propriedade rural, muitos dos recursos locais são utilizados sob a coordenação da corporação.
“Nessa situação, o papel do Corpo de Bombeiros é coordenar esses recursos e aplicá-los da forma mais eficiente possível. No entanto, essa atuação só se tornava visível durante a operação. Após o controle do incêndio e a desmobilização do local, esses recursos deixavam de ser perceptíveis. Eles não ficavam registrados, tornando-se praticamente invisíveis. Nosso objetivo, agora, é mapear todos esses recursos de forma sistemática”, explicou o comandante.
Ainda segundo o tenente-coronel Marcondes, a adesão ao sistema não é obrigatória, mas é fortemente recomendada. Os participantes podem escolher quais recursos desejam disponibilizar sem comprometer toda a estrutura da propriedade. Assim que cadastrados, eles recebem um selo de parceiro institucional, podendo identificar suas propriedades e equipamentos como colaboradores do combate aos incêndios florestais.
“Construiu-se a ideia de que o produtor rural é o principal responsável pelos incêndios florestais. No entanto, pela vivência prática, observamos que, na verdade, os indicadores mostram uma realidade bem diferente. Grande parte da força de enfrentamento aos incêndios florestais é composta por recursos particulares. Os produtores devem ser vistos como parte da solução, e não como causadores do problema”, destacou o comandante.
Além de promover a transparência na gestão de recursos e fortalecer a cooperação junto à sociedade, o Sicraif também servirá como base para análise de lacunas na cobertura e identificação de áreas que necessitam de reforço preventivo do CBMMT. Essa rede de apoio organizada permitirá ao CBMMT agir com mais rapidez, inteligência e efetividade no acionamento das equipes para o combate às ocorrências.
“Isso facilita a elaboração das nossas estratégias de combate, permitindo otimizar a distribuição dos recursos. Com isso, conseguimos visualizar no mapa onde esses recursos estão posicionados, onde já há cobertura adequada, onde é necessário incrementar e onde precisamos reforçar a atuação”, concluiu o tenente-coronel Marcondes.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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