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Asfaltamento de rodovias redesenha competitividade de Mato Grosso

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Por décadas, produzir e industrializar em Mato Grosso sempre foram sinônimos de vencer distâncias. O Estado que se consolidou como celeiro do Brasil também carregava um peso invisível: a logística. Agora, essa equação começa a mudar.

O asfaltamento das rodovias estaduais deixou de ser apenas infraestrutura e passou a operar como motor de competitividade. Com mais de 7 mil quilômetros de asfalto previstos até 2026, o dobro de tudo o que havia sido construído em mais de dois séculos, Mato Grosso troca a imprevisibilidade das estradas pela lógica da eficiência e do planejamento.

O impacto não está apenas na fluidez do tráfego, mas na forma como a indústria mato-grossense passa a operar. Com mais de 6,1 mil quilômetros de asfalto novo já entregues e outros mil em execução, dentro de um pacote superior a R$ 13,4 bilhões em investimentos desde 2019, Mato Grosso começa a encurtar o que o setor produtivo chama de “distância econômica”, aquela medida invisível que pesa no custo do frete, no tempo de entrega e na capacidade de planejamento.

Mas os avanços não se resumiram ao asfaltamento das rodovias estaduais, passando também pela implantação da primeira ferrovia estadual do país, à solução história da BR-163, a principal artéria para escoar a produção agrícola do país, e à estadualização da antiga BR-174, hoje MT-170, ligando Castanheira a Colniza.

Com esses investimentos, o que muda na prática é a lógica do negócio. Na FS Bioenergia, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país, a melhoria das rodovias já se traduz em ganho operacional direto. A redução do tempo de viagem e, principalmente, da variabilidade do trânsito, diminui custos com combustível, manutenção e desgaste da frota, ao mesmo tempo em que aumenta a frequência de viagens e reduz a necessidade de estoques elevados.


É uma mudança silenciosa, mas decisiva: menos capital parado, mais eficiência no giro e maior previsibilidade na expedição de etanol e coprodutos.

Esse novo ambiente logístico também redefine a viabilidade de expansão industrial. A própria empresa aponta que a pavimentação é fator determinante para garantir o fluxo contínuo de insumos e produtos em novas unidades, eliminando gargalos sazonais que, até então, comprometiam a operação em períodos de chuva ou de pico de safra. A infraestrutura, nesse contexto, deixa de ser um risco e passa a ser variável controlável na equação de investimento.

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“Infraestrutura reduz incertezas de escoamento, melhora a segurança operacional e a equação de viabilidade de projetos, fatores necessários para planos de expansão e construção, como a nova planta de Campo Novo do Parecis. Além de mitigar riscos de eficiência, esses investimentos geram efeitos indiretos positivos ao longo da cadeia, estimulam o desenvolvimento de uma rede local de prestadores de serviços logísticos e fortalecem o ecossistema agroindustrial do Estado”, argumenta a FS, em comunicado institucional enviado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.

O efeito se repete em cadeias distintas. No setor mineral, a Nexa Resources observa que a melhoria da infraestrutura no Noroeste do Estado, região historicamente marcada pelo isolamento, reposiciona Mato Grosso como uma nova fronteira de mineração.

Segundo o gerente-geral da unidade da Nexa Resources, em Aripuanã, Evandro Figueiredo, as melhorias estruturais elevam o Estado a um novo patamar de competitividade ao reduzir gargalos logísticos e proporcionar maior previsibilidade no escoamento da produção ao longo de todo o ano.

“Esses avanços contribuem para a otimização de custos, ampliam a segurança no transporte e fortalecem toda a cadeia produtiva regional, reforçando a viabilidade econômica e o potencial do setor mineral no noroeste do Estado”, afirma.

Já no setor sucroenergético, a leitura é de reorganização territorial. A abertura e asfaltamento de corredores logísticos, como as MTs 247 e 246, não apenas reduzem custos de frete, mas redesenham conexões entre polos produtivos, fornecedores e mercados consumidores.

Na indústria de etanol, energia, biodiesel e açúcar Barralcool, em Barra do Bugres, isso significa acesso mais competitivo à região Oeste e melhor integração com fornecedores e clientes, criando um ambiente mais eficiente para produção e distribuição.

Para o diretor executivo da empresa e presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, essa transformação vai além da logística imediata. A expansão do asfalto reduz o isolamento de regiões inteiras, melhora o acesso à mão de obra, amplia a circulação econômica e eleva o nível de confiança para novos investimentos. A indústria, que antes precisava compensar ineficiências estruturais, passa a operar com maior capacidade de planejamento, condição essencial para expansão de capacidade, instalação de novas unidades e atração de fornecedores.

“A expansão da malha asfaltada reduz custos, melhora a segurança logística e permite entregas com mais agilidade. Isso cria um ambiente mais favorável ao investimento e à produtividade”, pontua Silvio Rangel.

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Intermodalidade em escala

Se o asfalto resolve o acesso e garante capilaridade, a ferrovia entra como vetor de escala. Mato Grosso avança na implantação da primeira ferrovia estadual do país, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, e também a Cuiabá, um eixo que atravessa o coração produtivo do Estado e o integra aos principais corredores de exportação.


A primeira fase, entre Rondonópolis e Dom Aquino, já atingiu 85% de execução e deve ser concluída ainda este ano, com investimento estimado em R$ 5 bilhões. O trecho inclui um terminal com capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, estrategicamente localizado próximo à BR-070. Trata-se de uma infraestrutura pensada para operar em sinergia com a malha rodoviária, não como substituta, mas como complemento.

É essa integração que muda o jogo. Enquanto as rodovias garantem capilaridade e abastecimento, a ferrovia assume o transporte de longa distância, onde o custo por tonelada é significativamente menor. Para a indústria, isso significa acesso mais competitivo a portos e grandes centros consumidores, além de maior estabilidade no fluxo logístico.

Na visão do diretor comercial da Rumo, Diogo Velloso, o impacto vai além da logística e se conecta ao desenvolvimento regional.

“Investir em logística é impulsionar o desenvolvimento. Esse novo terminal já nasce com alta capacidade e vai ampliar a competitividade do estado, além de gerar empregos e conectar a produção mato-grossense aos mercados globais com eficiência”, ressalta.

No caso da FS, a expectativa é de ampliação da competitividade do etanol de milho e do DDG produzido no Estado, especialmente em rotas de média e longa distância. A combinação entre rodovia pavimentada e ferrovia cria um sistema mais resiliente, capaz de reduzir gargalos, diluir riscos e manter o fluxo de expedição constante mesmo diante de oscilações sazonais.

Mais do que resolver um problema logístico, Mato Grosso começa a construir uma vantagem estrutural. A formação de uma malha multimodal, integrada e eficiente, reposiciona o estado como um polo industrial competitivo, capaz de agregar valor e atrair investimentos. No fim, o que está em curso não é apenas a pavimentação de estradas, mas de um novo ciclo econômico.

Fonte: Governo MT – MT

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Governador lança construção de batalhões da PM e Bombeiros e viabiliza mais de mil novas moradias

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O governador Otaviano Pivetta cumpriu agenda em Diamantino, neste sábado (16.5), e anunciou novos investimentos do Governo de Mato Grosso em segurança pública e habitação para a região.

Entre as ações, estão a construção da sede do batalhão da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da unidade integrada da Politec, em Diamantino, além de moradias para 615 famílias do município e outras 404 para Nova Marilândia.

Em Diamantino, as unidades habitacionais serão viabilizadas por meio do programa SER Família Habitação – Entrada Facilitada, no Residencial Nova Alvorada, em parceria com a JBS e o programa federal Minha Casa Minha Vida. Já em Nova Marilândia, o governador autorizou nova parceria habitacional para atender trabalhadores da região.

“Mato Grosso vive um momento de crescimento e o Estado precisa acompanhar esse avanço. Nós já viabilizamos 40 mil casas nesses sete anos e agora temos um plano para construir mais 60 mil moradias. Se nós quisermos trabalhadores, precisamos ajudar essas pessoas a conquistar moradia, educação e qualidade de vida. Isso é obrigação do Estado e dos municípios”, afirmou Otaviano Pivetta.

Na área da segurança pública, o governador afirmou que a nova estrutura será construída na entrada da cidade e vai reforçar o atendimento em toda a região.

“Dentro de 30 dias devemos emitir a ordem de serviço. O Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Politec vão funcionar juntos na entrada da cidade, reforçando a segurança de Diamantino e da região”, ressaltou.

O prefeito Chico Mendes destacou que os investimentos atendem demandas históricas do município e fortalecem o papel regional de Diamantino.

“Diamantino volta à condição de polo regional. A chegada do Corpo de Bombeiros, do batalhão da Polícia Militar e da Politec era aguardada há muitos anos pela população. Isso representa mais segurança, mais estrutura e mais qualidade de vida para a nossa cidade”, disse.

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A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, destacou que os investimentos nas estruturas das forças de segurança devem ultrapassar R$` 20 milhões e reforçam a presença das forças policiais em Diamantino e nos municípios da região.

“Todo investimento feito reforça a segurança pública. Uma iniciativa como essa impacta diretamente nas ações de segurança”, afirmou.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Flávio Glêdson, destacou que a nova unidade vai fortalecer os atendimentos emergenciais e o combate aos incêndios florestais.

“Diamantino é um município em crescimento, com grande fluxo nas rodovias e forte atividade econômica. A nova unidade amplia o atendimento pré-hospitalar, combate a incêndio, busca e salvamento e ações ambientais em toda a região”, pontuou.

Na área habitacional, o presidente da MT Par, Wener Santos, afirmou que o programa SER Família Habitação tem ajudado a acelerar o desenvolvimento dos municípios e reduzir o déficit habitacional em Mato Grosso. Segundo ele, o Governo do Estado oferece subsídio de até R$ 35 mil por família na modalidade Entrada Facilitada.

“Em Diamantino, essa parceria com a iniciativa privada ajuda mais famílias a realizarem o sonho da casa própria e também contribui para o crescimento do município”, afirmou.

O empreendimento será construído em área doada pela JBS, em parceria com o Governo do Estado e o programa federal Minha Casa Minha Vida. A previsão é que esta seja a primeira etapa de um projeto habitacional que poderá chegar a 2 mil moradias no município.

“Hoje, o principal desafio é a mão de obra. A habitação ajuda tanto os novos trabalhadores quanto quem já atua na empresa e busca melhorar a qualidade de vida da família. Essa primeira etapa prevê mais de 600 moradias, mas o projeto completo deve chegar a 2 mil casas”, destacou o representante da empresa JBS-Friboi, Renato Costa.

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O deputado estadual Chico Guarnieri destacou que Mato Grosso vive um momento de crescimento impulsionado pelos investimentos realizados pelo Governo do Estado.

“O governador Otaviano Pivetta tem feito investimentos importantes para preparar Mato Grosso para crescer ainda mais. O Estado já é destaque na produção e agora avança também na industrialização, gerando emprego e oportunidades para a população”, declarou.

Durante a agenda em Diamantino, o governador também participou da inauguração da Biblioteca-Parque, considerada a primeira biblioteca parque de Mato Grosso, e da inauguração do novo prédio do curso de Agronomia do IFMT.

Dispositivo

Participaram da agenda em Diamantino o ministro do STF, Gilmar Mendes; o secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini; os senadores Jayme Campos e Wellington Fagundes; as deputadas federais Coronel Fernanda e Rosa Neide; o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho; o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dimorvan Brescancim; o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fernando Tinoco; os deputados estaduais Julio Campos, Valdir Barranco, Janaína Riva e Wilson Santos; os prefeitos de Cuiabá, Abilio Brunini, de Alto Paraguai, Adair José, de Nobres, José Domingos, e de Nova Marilândia, Jefferson Oliveira; o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes; o presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior; os reitores do IFMT, Julio Santos, e da Unemat, Vera Lúcia Maquêa, além de autoridades da região.

Fonte: Governo MT – MT

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