O município de Rondonópolis teve decisão favorável em liminar sobre a suspensão da obra do novo traçado da “Ferrovia Senador Vicente Vuolo”. Com isso, a obra está embargada também em decorrência da decisão da juíza Milene Aparecida Pereira Beltramini, da 3a Vara Cível de Rondonópolis em decorrência de falta de documentos como alvará da obra e da certidão de uso e ocupação do solo.
O trecho embargado é o que fica próximo à cidade, entre os km 26,05 ao km 45,30 que está, cujo traçado ficaria, em certo local, a apenas 40 metros do Residencial Maria Amélia.
Na decisão a juíza cita que há “prova inequívoca da verossimilhança das alegações e o fundado receio do dano irreparável ou de difícil reparação”. A decisão é simplesmente parar a obra, mas inclui realização de audiência pública com a população diretamente atingida, como também determina que a SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente) se abstenha de emitir nova licença ao trecho antes que haja a liberação da documentação por parte do município. Por fim, solicita que a SEMA considere os informes dos órgãos técnicos ambientais de Rondonópolis.
Durante esta quinta-feira (14) técnicos da Secretaria de Habitação e Urbanismo estiveram no local para se certificar de que a obra estava realmente paralisada. Desta vez com resposta positiva. Até então, apesar das notificações para parar a obra, assim como de multas pelo descumprimento das fiscalizações, a empresa continuava sem cessar os serviços.
A decisão da juíza ratifica as ações do poder público municipal nos atos de paralisação dos trilhos da ferrovia em decorrência da modificação do traçado apresentado à época para expedição da documentação municipal. A suspensão da certidão do uso e ocupação do solo e do alvará para a empresa Rumo ocorreu depois que a fiscalização averiguou que o traçado construído não era o mesmo apresentado ao poder público. À revelia do município, a empresa apresentou novo traçado ao estado que liberou as licenças para a construção da ferrovia.
Procurador-geral do município, Rafael Oliveira
O procurador-geral do município, Rafael Oliveira, destacou que a empresa solicitou a suspensão do embargo feito pela prefeitura e também das multas aplicadas pela equipe de fiscalização. “Agora temos uma decisão judicial favorável ao embargo e também as multas aplicadas à empresa”, destacou.
Fiscalização
A secretária de Habitação de Urbanismo, Huani Rodrigues, lembrou do trabalho técnico detalhado apresentado para respaldar o embargo. “Não somos contra o desenvolvimento, mas consideramos uma falta de respeito a mudança de traçado sem conhecimento do poder público municipal. Tentamos o diálogo e continuamente a empresa nos tem desrespeitado. Diante disso, houve a fiscalização e as ações para respaldar o embargo à obra”, destacou.
A equipe de fiscalização permaneceu indo diariamente à empresa para notificá-la. Trabalho feito pelos fiscais de obras, Wilson Galdino e Simone Moraes.
Mesmo com decisão favorável ao embargo no trecho próximo ao bairro, o município está com uma proposta de um novo traçado que pode resolver o problema dos trilhos do trem passarem a uma distância de dois quilômetros do Maria Amélia. O trajeto foi feito pelo geólogo Ramon Figueira e contempla uma rota que acarretaria economia para a empresa e preservaria as vidas dos moradores da cidade do perigo de ter a movimentação do trem muito próxima as suas casas. O município aguarda a empresa para apresentar a nova proposta de traçado.
Relembre
A briga judicial começou no início de dezembro de 2023, em decorrência da Rumo executar um traçado novo, sem anuência do município, que passava a 40 metros do Bairro Maria Amélia. De lá para cá a paralisação da obra já possui duas decisões judiciais, uma em decorrência de invasão a uma fazenda e a segunda em relação à falta de documentação expedida pelo município.
Em primeira votação, Câmara aprova programa para negociação de débitos e amplia acesso . A Câmara Municipal de Rondonópolis aprovou, em primeira votação, o Projeto de Lei Complementar nº 042, de 14 de setembro de 2026, que institui, em caráter excepcional e temporário, o Programa Especial de Consenso e Recuperação de Créditos Municipais de Alta Materialidade (Consenso-ROO 2026). A proposta, de iniciativa do Poder Executivo, autoriza a negociação de créditos tributários e a composição de créditos não tributários do município. O projeto recebeu 16 votos favoráveis. Durante a apreciação, os vereadores Vinicius Amoroso e Ibrahim Zaher apresentaram emenda para ampliar o acesso ao programa. A alteração reduz de R$ 100 mil para R$ 20 mil o valor mínimo dos débitos que poderão ser incluídos na negociação, permitindo que um número maior de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, tenha acesso às condições previstas. O vereador Vinicius Amoroso destacou que a emenda busca contemplar contribuintes que possuem débitos abaixo do limite inicialmente estabelecido. “Nós entendemos a necessidade de adequação e foi apresentada a emenda para que quem possui débitos de R$ 20 mil para cima também possa participar desse programa”, afirmou. Ibrahim Zaher ressaltou que a medida pode beneficiar empresários, prestadores de serviços e profissionais autônomos que enfrentam dificuldades para regularizar suas pendências. O vereador também destacou o volume de créditos que o município tem a receber e a importância da recuperação desses valores. “É uma grande oportunidade para o contribuinte vir até a Prefeitura e buscar fazer a sua renegociação”, afirmou. O programa prevê ainda a possibilidade de parcelamento dos débitos em até 36 vezes. O projeto ainda precisa ser aprovado em segunda votação pela Câmara Municipal. Após essa etapa, a matéria será encaminhada ao Poder Executivo para apreciação, que poderá sancionar ou vetar a redação aprovada pelo Legislativo, incluindo as alterações realizadas pelos vereadores.
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