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USDA mantém cenário estável para soja e milho no relatório de dezembro

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O novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado nesta terça-feira (9), trouxe ajustes pontuais nos principais mercados agrícolas, mantendo o quadro geral de estabilidade para soja e milho e revisando para cima as perspectivas globais do trigo na safra 2025/26. As atualizações são acompanhadas atentamente por produtores, cooperativas e tradings brasileiras por influenciarem decisões de comercialização, formação de preços e projeções de exportação.

No caso da soja, o USDA promoveu alterações discretas. A produção mundial foi elevada em 0,2% ante novembro, para 422,54 milhões de toneladas, enquanto as exportações globais recuaram 0,1%, para 187,7 milhões de toneladas. Já os estoques finais tiveram ligeira alta de 0,3%, estimados em 122,37 milhões de toneladas — sinal de oferta confortável.

Para os Estados Unidos, o relatório não trouxe mudanças em relação ao mês anterior: produção mantida em 115,75 milhões de toneladas, exportações em 44,5 milhões e estoques finais em 7,89 milhões de toneladas. O mercado esperava revisão para cima dos estoques, o que não se confirmou.

A América do Sul também teve quadro inalterado. A produção combinada segue estimada em 175 milhões de toneladas, com a Argentina permanecendo em 48,5 milhões. As importações chinesas seguem projetadas em 112 milhões de toneladas.

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Para o milho, o USDA reduziu projeções globais. A produção mundial foi estimada em 1,28 bilhão de toneladas, queda de 0,3%, com cortes nos estoques finais, agora projetados em 279,15 milhões (-0,8%).

Nos Estados Unidos, apesar da manutenção da produção recorde de 425,53 milhões de toneladas, houve aumento de 4,1% nas exportações, para 81,28 milhões, refletindo demanda aquecida. Com isso, os estoques finais americanos foram reduzidos em 5,8%, passando a 51,33 milhões de toneladas.

A Ucrânia teve a maior revisão negativa: a projeção de safra caiu 9,4% (29 milhões de toneladas), e as exportações foram ajustadas para baixo em 6,1%, totalizando 23 milhões. Para Brasil e Argentina, não houve alterações — produções mantidas em 131 milhões e 53 milhões de toneladas, respectivamente.

O trigo foi o destaque do relatório. A oferta global subiu para 1,09 bilhão de toneladas, 7,5 milhões acima da estimativa anterior. A expansão decorre principalmente de revisões positivas em países exportadores.

A Argentina teve a colheita ajustada para 24 milhões de toneladas (+2 milhões), com exportações de 14,5 milhões. O país continua sendo o principal fornecedor ao Brasil, que manteve suas projeções: produção em 7,7 milhões, importações em 7,3 milhões e estoques finais em 2,4 milhões.

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União Europeia (+1,7 milhão), Austrália (+1 milhão), Rússia (+1 milhão) e Canadá (+3 milhões, recorde de 40 milhões) também tiveram revisões para cima.

Os estoques globais foram elevados para 274,9 milhões de toneladas (+3,4 milhões), enquanto o consumo mundial aumentou 4,1 milhões, agora em 823 milhões. O comércio internacional foi revisado para 218,7 milhões (+1,5 milhão).

No algodão, a produção global foi levemente reduzida para 26,08 milhões de toneladas (-0,2%). O consumo mundial também caiu, acompanhando menor uso industrial em Brasil, EUA e países da América Central.

O comércio global foi ajustado para baixo, para 9,52 milhões de toneladas (-0,6%), enquanto os estoques finais subiram 0,1%, chegando a 16,54 milhões.

Nos Estados Unidos, a produção foi revisada para cima em 1,1%, alcançando 3,11 milhões de toneladas, o que elevou os estoques finais para 97,98 mil toneladas. Para o Brasil, as projeções foram mantidas: produção em 4,08 milhões de toneladas e exportações em 3,16 milhões. Os estoques finais, porém, tiveram alta de 5,2%, para 92,97 mil toneladas.

China e Índia tiveram números mantidos, mantendo o quadro global estável.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Pecuária reage a exigências da União Europeia e cobra autonomia sobre uso de medicamentos

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O setor agropecuário brasileiro vive um momento de tensão sem precedentes com a aproximação do dia 3 de setembro, data em que entra em vigor o embargo da União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil. A crise, motivada por alegações europeias de falhas no controle do uso de antimicrobianos nos rebanhos, colocou em rota de colisão dois pesos-pesados da economia nacional: a indústria frigorífica e os produtores rurais.

Enquanto a União Europeia mantém sua posição de exigir regras mais rígidas, o Brasil se vê encurralado entre o risco de perder mercados bilionários e a soberania sobre suas próprias práticas de produção. O impasse gerou um movimento atípico nos corredores do poder: a cúpula da JBS, incluindo o empresário Joesley Batista e o CEO global Gilberto Tomazoni, buscou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pessoalmente para pressionar pela proibição imediata de um rol mais amplo de antimicrobianos no país, antes mesmo que entidades como a Abiec e a ABPA formalizassem o pedido.

A indústria argumenta que a proibição nacional é a única via para salvar as exportações. Em contrapartida, uma coalizão de peso — que reúne entidades como Acrimat, Famato, SRB, Assocon e ABCZ — defende que as exigências do bloco europeu devem ser restritas apenas aos animais destinados à exportação, por meio de um sistema de segregação, e não transformadas em uma lei geral para toda a pecuária nacional.

Soberania técnica em jogo

Uma ampla frente de entidades representativas da pecuária brasileira decidiu enfrentar a pressão pela mudança nas regras de uso de medicamentos veterinários no país. Com a data limite se aproximando, os produtores se uniram para dizer “não” à imposição de normas estrangeiras como regra geral para toda a produção nacional.

Em uma nota técnica conjunta, o setor deixou claro: o Brasil tem um sistema de controle sanitário robusto e as exigências comerciais de um mercado específico não devem ser transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira.

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Para os produtores, a solução não é mudar a lei brasileira para agradar aos europeus, mas sim criar um sistema de “segregação”. Em termos simples: quem quiser vender para a Europa que siga as regras exigidas pelo comprador, mas quem vende para outros mercados ou para o consumidor interno deve manter as práticas atuais, que garantem eficiência, saúde animal e desempenho do rebanho sem aumentar custos ou burocracia desnecessária.

“As entidades consideram inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”, diz o manifesto. Segundo os produtores, ceder a essas pressões cria um precedente perigoso, permitindo que interesses políticos ou comerciais de fora definam as leis nacionais.

Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), alerta que a submissão cega a normas externas pode ser um caminho sem volta para a competitividade do campo.

“Precisamos evitar uma ‘colonização regulatória’, onde normas criadas fora de nossa realidade técnica ditem o ritmo da nossa pecuária. O uso responsável de antimicrobianos não é apenas uma questão de sanidade, mas de eficiência produtiva e soberania científica”, afirma Rezende.

“Se banirmos tecnologias reconhecidas pelo Codex Alimentarius sem uma justificativa sanitária própria, estaremos sacrificando a nossa competitividade global no altar da burocracia externa, abrindo precedentes perigosos para que futuras exigências, de qualquer natureza, ditem as políticas nacionais”, completou.

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura, tem sido alvo de críticas tanto da indústria, que exige mais rigidez, quanto dos produtores, que temem o aumento de custos e a burocratização excessiva para o mercado interno. A ideia do governo de implementar um protocolo de rastreabilidade do nascimento ao abate foi rejeitada pelos europeus, o que forçou o debate sobre a “segregação da produção” — ou seja, ter uma “linha de frente” que atenda aos critérios europeus e uma “linha doméstica” que siga os critérios brasileiros, hoje considerados um dos mais rigorosos do mundo.

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No entanto, o receio do setor produtivo é que essa concessão abra a porta para que outros países importadores imponham suas próprias agendas, engessando a pecuária nacional. Em nota conjunta, as entidades foram claras: “Consideramos inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”.

Com a data limite se aproximando, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade comercial de manter o acesso ao mercado europeu com o desejo de manter a autonomia sobre suas políticas sanitárias. O desfecho dessa disputa definirá não apenas o futuro das exportações de carne, mas o nível de influência que interesses externos terão sobre o desenho da pecuária brasileira nos próximos anos.

Quem assina a manifestação: Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat); Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato); Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul); Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apron); União Nacional da Pecuária (Unapec); Sociedade Rural Brasileira (SRB); Associação Nacional dos Confinadores (Assocon); Associação dos Criadores do Pará (Acripará); Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg); Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB); Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT); Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB) e Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS).

Fonte: Pensar Agro

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