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UE põe quase R$ 300 bilhões na mesa para tentar destravar o acordo

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia voltou ao centro do debate econômico internacional, mas segue sem desfecho. Prevista inicialmente para ser concluída até 22 de dezembro, a assinatura foi adiada para janeiro e, apesar de sinais de avanço, permanece dependente de decisões políticas internas no bloco europeu.

A tentativa mais recente de destravar o impasse veio de Bruxelas.  A Comissão Europeia propôs a liberação antecipada de cerca de € 45 bilhões (aproximadamente R$ 283 bilhões pela cotação desta terça-feira) em recursos para a agricultura, numa estratégia para reduzir a resistência de países-membros contrários ao acordo, especialmente aqueles com forte base rural. A medida reforça o entendimento de que a principal barreira ao avanço do tratado deixou de ser técnica e passou a ser orçamentária e política.

No Brasil, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (06.01) que o acordo está “bem encaminhado” e voltou a defender sua relevância num cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos, avanço do protecionismo e fragmentação das cadeias globais. Segundo ele, quando concluído, o tratado Mercosul–União Europeia será o maior acordo comercial do mundo, com impacto direto sobre o comércio multilateral.

A proposta europeia foi formalizada em carta enviada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à presidência do Conselho da União Europeia — atualmente sob comando do Chipre — e à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola. No documento, a Comissão sugere antecipar dois terços dos recursos previstos para a agricultura no próximo orçamento plurianual do bloco, que cobre o período de 2028 a 2034, antes mesmo da revisão intermediária do ciclo orçamentário.

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Pela proposta, os Estados-membros poderiam acessar os valores mediante a apresentação de planos nacionais e regionais, mecanismo que busca dar margem política aos governos mais resistentes ao acordo. Além disso, a carta reafirma instrumentos já existentes, como uma reserva de € 6,3 bilhões para lidar com distorções de mercado e a garantia de que ao menos 10% dos recursos dos planos nacionais e regionais sejam direcionados a áreas rurais.

Von der Leyen classificou o pacote como um apoio “sem precedentes” ao setor agrícola europeu, argumentando que, em alguns aspectos, o nível de suporte pode ser até superior ao do atual ciclo da Política Agrícola Comum (PAC). A sinalização tenta neutralizar críticas de que o acordo com o Mercosul ampliaria a concorrência sobre produtores europeus sem contrapartidas suficientes.

O tema ganhou ainda mais peso nesta semana com a convocação de uma reunião extraordinária dos ministros da Agricultura da União Europeia, marcada para quarta-feira (7). Entre os pontos em debate estão a reciprocidade nos acordos comerciais e o futuro orçamento da PAC, temas diretamente ligados à resistência ao tratado com o Mercosul.

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Na Itália, um dos países que haviam se alinhado à França contra o acordo em dezembro, o tom começou a mudar. O ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, classificou a proposta orçamentária como uma “boa notícia”, destacando que foi descartado um corte de 22% nos recursos agrícolas previstos para 2028–2034 e que o orçamento ainda foi ampliado em relação ao ciclo anterior. A primeira-ministra Giorgia Meloni também avaliou a iniciativa como um passo positivo nas negociações.

Fontes europeias indicam que a mudança de postura italiana pode ser decisiva. Segundo informações de agências internacionais, a votação dos Estados-membros está prevista para esta sexta-feira, e, caso haja aval político, a assinatura do acordo poderia ocorrer já na próxima segunda-feira, 12. Uma fonte da União Europeia ouvida pela Reuters afirmou que a Itália deve votar favoravelmente.

Mesmo assim, o histórico recente recomenda cautela. O acordo Mercosul–UE, que deveria ter sido fechado ainda em dezembro, entra em janeiro novamente cercado de expectativas, mas sem garantias. O avanço dependerá menos de textos negociados e mais da capacidade política de os governos europeus acomodarem as pressões internas de seus setores agrícolas — agora com o reforço de um pacote financeiro robusto sobre a mesa.

Fonte: Pensar Agro

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Brasil abre nova safra de soja com vantagem de 58 milhões de toneladas sobre os EUA

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O Brasil inicia o plantio da safra 2026/27 com potencial para colher 58,2 milhões de toneladas de soja a mais que os Estados Unidos e preservar uma liderança ampla na produção mundial. A primeira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta 181,64 milhões de toneladas no País, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta 123,42 milhões de toneladas para as lavouras norte-americanas.

A diferença corresponde a quase metade de toda a produção esperada nos Estados Unidos. Mesmo com a revisão positiva da safra americana, anunciada em setembro, o Brasil deverá produzir aproximadamente 47% mais soja que seu principal concorrente. O resultado mantém o País como maior fornecedor mundial da oleaginosa e reforça o peso da produção brasileira na formação da oferta internacional.

A estimativa da Conab representa crescimento de 0,7% sobre as 180,41 milhões de toneladas colhidas em 2025/26. A área deve aumentar 1,4%, de 48,61 milhões para 49,31 milhões de hectares, mas a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8% em relação aos 3.711 quilos registrados na temporada anterior.

Os números mostram que a expansão prevista para a nova safra será sustentada pelo aumento da área. Como a produtividade estimada é menor, o desempenho dependerá da implantação das lavouras, da distribuição das chuvas e das condições durante as fases de floração e enchimento dos grãos.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a semeadura alcançou 1,15% dos 13,05 milhões de hectares previstos, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No mesmo período do ano passado, 0,55% da área havia sido plantada. A média dos cinco ciclos anteriores para esta época é de 0,94%.

O avanço acima da média indica que parte dos agricultores aproveitou as primeiras chuvas e o início do calendário autorizado para colocar as máquinas no campo. A semeadura, porém, ainda está concentrada em determinadas regiões e deve ganhar maior ritmo à medida que a umidade do solo se tornar mais regular.

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O início antecipado ajuda a preservar a janela do milho e do algodão cultivados depois da soja. Ao mesmo tempo, exige cautela em áreas onde as chuvas foram isoladas, porque uma interrupção das precipitações após a germinação pode provocar falhas de emergência e elevar a necessidade de replantio.

Nos Estados Unidos, o USDA elevou a previsão da safra de 123 milhões para 123,42 milhões de toneladas. O resultado ficou acima das expectativas do mercado, que apontavam uma possível redução para aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.

A revisão ocorreu apesar da diminuição da produtividade projetada, de 53 para 52,7 bushels por acre. O aumento da área efetivamente destinada à colheita compensou a redução do rendimento e ampliou ligeiramente o volume esperado.

A oferta americana maior pode limitar altas mais fortes nas cotações internacionais durante a colheita nos Estados Unidos. O balanço divulgado pelo USDA, contudo, não indica formação de estoques excessivos. A projeção para as reservas finais americanas caiu de 8,71 milhões para 8,44 milhões de toneladas.

A redução dos estoques está relacionada, em parte, à expectativa de exportações mais elevadas. O USDA aumentou a previsão dos embarques norte-americanos para 45,86 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume corresponde a menos da metade do que o Brasil costuma colocar no mercado externo.

A produção mundial de soja foi estimada em 442,35 milhões de toneladas. O Brasil deverá responder por cerca de 41% desse volume pela projeção da Conab. Se considerada a estimativa do USDA, que calcula a safra brasileira em 186 milhões de toneladas, a participação nacional sobe para aproximadamente 42%.

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A diferença de 4,36 milhões de toneladas entre as projeções para o Brasil decorre das metodologias e dos calendários utilizados pelas duas instituições. A estimativa da Conab é a referência oficial brasileira e será atualizada conforme o plantio avance e as condições das lavouras possam ser avaliadas em campo.

Os estoques mundiais foram projetados pelo USDA em 124,02 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da estimativa de agosto, mas acima das expectativas do mercado. O quadro indica oferta confortável, embora sem crescimento suficiente para retirar a importância do clima e da demanda na formação dos preços.

A China permanece como elemento central desse equilíbrio. O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a previsão das importações chinesas em 2026/27, dois milhões de toneladas acima do volume estimado para a temporada anterior. Essa demanda equivale a mais de um quarto de toda a soja que deverá ser produzida no mundo.

Para o produtor brasileiro, a combinação entre oferta elevada nos Estados Unidos, estoques globais próximos da estabilidade e compras chinesas sustentadas recomenda atenção aos momentos de comercialização. A maior safra americana pode pressionar as cotações no curto prazo, enquanto a redução dos estoques nos Estados Unidos e a continuidade da demanda chinesa oferecem sustentação ao mercado.

O Brasil começa a temporada com vantagem produtiva, capacidade de exportação e plantio mais adiantado em Mato Grosso. A liderança mundial está preservada pelas projeções atuais, mas a margem do produtor dependerá menos do tamanho isolado da safra e mais do clima, dos custos, da produtividade obtida e da estratégia adotada para vender a produção.

Fonte: Pensar Agro

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