AGRONEGÓCIO

Terceiro maior exportador do país, estado amplia receita do agronegócio

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Minas Gerais exportou R$ 62,1 bilhões em produtos do agronegócio entre janeiro e julho deste ano, alta de 17% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar do avanço em valores, o volume embarcado caiu 8,4%, para 10,2 milhões de toneladas, segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O desempenho mantém o estado como o terceiro maior exportador do país, com participação de 12% na receita nacional do setor agropecuário.

O resultado foi impulsionado sobretudo pelo café, que somou US$ 6,2 bilhões (R$ 33,8 bilhões) no período, o equivalente a 54% da receita do agro mineiro. A cifra representa crescimento de 56,4% em comparação a 2024, sustentada pela escassez global e pela demanda firme de parceiros tradicionais, o que levou à formação de preços médios recordes. O volume, no entanto, foi menor, refletindo impactos climáticos sobre a safra.

Outros segmentos também tiveram papel relevante. As exportações de carnes — bovina, suína e de frango — atingiram US$ 1 bilhão (R$ 5,45 bilhões), crescimento de 16,8%, com embarque de 284 mil toneladas, alta de 3%. Já o complexo soja, que inclui grãos, óleo e farelo, recuou, com receitas de US$ 2,2 bilhões (R$ 12 bilhões), queda de 16,5% em valor e 8,2% em volume, totalizando 5,5 milhões de toneladas.

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Segmentos de menor peso ganharam espaço. Os produtos apícolas geraram US$ 17 milhões (R$ 92,6 milhões), avanço de 60% frente a 2024, consolidando Minas como líder nacional no setor. As frutas frescas também bateram recorde, com US$ 11 milhões (R$ 59,9 milhões) e 7 mil toneladas exportadas, altas de 48,4% em valor e 38,2% em volume.

As vendas externas do agro mineiro alcançaram 171 destinos, liderados por China (25,5%), Estados Unidos (11,6%), Alemanha (8%), Itália (5,2%) e Japão (4,7%). Apesar do bom desempenho no acumulado, analistas destacam que a preocupação agora se volta ao segundo semestre, marcado por maior volatilidade nos preços internacionais e risco de retração da demanda diante de medidas protecionistas em grandes mercados consumidores.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Confronto armado e feridos em colheita judicial reforçam urgência por segurança jurídica

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O cumprimento de uma ordem judicial para a colheita de safra em uma propriedade rural de Feliz Natal (cerca de 510 km da capital, Cuiabá) em Mato Grosso, na última sexta-feira (26.06), terminou em um confronto armado que deixou feridos e expôs a fragilidade dos protocolos atuais para a execução de mandados no meio rural.

O produtor rural Maikel Alan Tespesel, que estava acompanhado pela esposa e pelos dois filhos menores no momento da ocorrência, foi atingido por disparos de arma de fogo. O prestador de serviços contratado pela empresa credora também ficou ferido após ser atingido pela caminhonete do produtor. Ambos estão internados num hospital de Sorriso e passam bem.

O caso, que está sob investigação da Polícia Civil, coloca em debate o modelo adotado para o cumprimento de decisões judiciais que envolvem ativos agrícolas. A presença de empresas de segurança privada em diligências de alto risco, em vez de um aparato ostensivo das forças de segurança do Estado, é apontada por especialistas como um dos fatores que transformaram uma ação de natureza cível em um episódio de violência física.

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A empresa credora da produção, contratou serviços de terceiros para realizar a colheita autorizada pela Justiça. Segundo informações da Polícia Militar, o conflito teve início quando houve uma tentativa de bloqueio do veículo do produtor. Os homens contratados pela empresa teriam efetuado disparos contra a caminhonete do produtor rural.

O episódio repercutiu negativamente no setor. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou nota oficial repudiando a violência e defendendo uma investigação rigorosa. Para a entidade, disputas comerciais e execuções de ordens judiciais precisam observar protocolos estritos de legalidade, sendo inaceitável que o ambiente de produção se torne palco de confrontos que coloquem em risco a vida de produtores e suas famílias.

O incidente em Mato Grosso reforça um pleito antigo do setor agropecuário: a necessidade de garantir que decisões judiciais sejam executadas de forma técnica e segura. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende sistematicamente que o cumprimento de mandados judiciais em áreas rurais ocorra com apoio das forças de segurança pública, evitando que produtores e credores sejam submetidos a situações de risco iminente.

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O episódio reflete um cenário de crescente tensão na zona rural brasileira. Dados do relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025’, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam a ocorrência de 1.408 episódios de conflito no último ano, atingindo mais de 715 mil pessoas.

Estados como Mato Grosso, Pará e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentram as áreas de maior atrito, onde a expansão da fronteira agrícola e a complexidade na regularização de terras têm transformado disputas comerciais e possessórias em confrontos diretos.

Para a bancada do agronegócio, esses números evidenciam um vácuo de autoridade que exige solução urgente. A FPA sustenta que a insegurança jurídica e a falta de protocolos estaduais eficientes para o cumprimento de mandados judiciais impedem a pacificação no campo, transformando a resolução de litígios — que deveriam ser estritamente técnicos — em cenários de risco iminente para produtores, trabalhadores e seus familiares.

Fonte: Pensar Agro

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