AGRONEGÓCIO

Safra recorde pressiona logística e expõe falta de ferrovias no escoamento do agronegócio

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O avanço do transporte ferroviário de grãos no Brasil acompanha o crescimento da produção agrícola, mas ainda esbarra em um problema estrutural: a falta de trilhos suficientes para atender à demanda. Enquanto o país colhe safras recordes, a logística segue concentrada nas rodovias, com impacto direto no custo do frete.

Hoje, o Brasil possui cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Esse número praticamente não mudou nas últimas décadas e, na prática, nem toda essa extensão é plenamente utilizada. Estimativas indicam que parte relevante da malha está subutilizada ou com baixa operação.

Na comparação, o contraste com o modal rodoviário é evidente. Especialistas apontam que as ferrovias representam menos de um quinto da infraestrutura de transporte do país, enquanto as rodovias dominam amplamente a matriz logística. Na prática, isso significa que a maior parte da safra ainda percorre longas distâncias em caminhões até chegar aos portos.

Esse desequilíbrio aparece no bolso do produtor. O frete rodoviário é mais caro em trajetos longos, especialmente em regiões como Centro-Oeste e Matopiba, onde estão os maiores volumes de produção. Já o transporte ferroviário, quando disponível, permite reduzir o custo por tonelada e dar mais previsibilidade à entrega.

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Mesmo com limitações, o uso das ferrovias vem crescendo. Em 2025, o transporte ferroviário de cargas atingiu recorde, com 555,4 milhões de toneladas movimentadas, puxadas principalmente pelo agronegócio. O avanço está diretamente ligado à safra recorde, que superou 346 milhões de toneladas, segundo o IBGE.

O problema é que a infraestrutura não acompanha o ritmo da produção. O país ainda precisa expandir significativamente sua malha ferroviária para atender à demanda crescente. Projetos em andamento e planejados somam milhares de quilômetros de trilhos, mas ainda estão longe de resolver o déficit.

Entre os principais projetos, estão ferrovias estratégicas para o agro, como:

  • Ferrogrão (ligando Mato Grosso ao Pará)
  • Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO)
  • Ferrovia de Mato Grosso, com cerca de 743 km em construção

Além disso, o governo prevê leilões que podem somar mais de 9 mil quilômetros de novas ferrovias, com investimentos estimados em cerca de R$ 140 bilhões. Apesar disso, boa parte desses projetos ainda está em fase de planejamento, licenciamento ou execução inicial, o que significa que o impacto prático no escoamento da safra ainda será gradual.

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Para especialistas, o Brasil precisaria praticamente dobrar a capacidade ferroviária para equilibrar a matriz de transporte e reduzir custos logísticos no campo. Hoje, mesmo com crescimento recente, as ferrovias respondem por cerca de um quarto do transporte de cargas, enquanto o restante segue concentrado nas estradas.

Na prática, o produtor continua dependente do caminhão — especialmente na saída da fazenda —, o que mantém o frete elevado e mais sensível a fatores como preço do diesel, disponibilidade de veículos e condições das estradas.

O avanço das ferrovias tende a aliviar esse cenário, principalmente em regiões mais distantes dos portos. Mas, até que os novos projetos saiam do papel, o crescimento da produção agrícola seguirá pressionando a logística.

Para o agro, o recado é claro: produzir mais já não é o principal desafio. O gargalo está em como escoar essa produção com eficiência — e custo competitivo.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Exportações do agro atingem R$ 29,6 bilhões o primeiro quadrimestre

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As exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançaram R$ 29,6 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, consolidando o estado como o terceiro maior exportador do setor no País, com uma fatia de 10,6% de toda a receita cambial da agropecuária nacional.

Entre janeiro e abril, as fazendas e agroindústrias mineiras embarcaram 4,8 milhões de toneladas de produtos. De acordo com o balanço oficial da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o resultado reafirma a robustez do campo mineiro e a ampla inserção global do estado, que conseguiu acessar mais de 160 países com uma cesta diversificada de 500 produtos diferentes.

O grande destaque positivo do período ficou com o segmento de carnes, que despontou como o principal vetor de crescimento ao faturar R$ 2,94 bilhões com o envio de 160 mil toneladas ao exterior. O avanço de 8,2% na receita das proteínas foi impulsionado pela valorização da carne bovina no mercado internacional. A expansão das carnes e o desempenho favorável de setores como sementes, algodão, papel, frutas e bebidas comprovam que o estado avança na diversificação de sua pauta, criando defesas contra as oscilações de preços das commodities tradicionais.

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A escala exportadora confere ao estado a liderança isolada em mercados de nicho e produtos de alto valor agregado. O agronegócio mineiro responde atualmente por 71% de todas as exportações brasileiras de café, além de deter 30,5% das vendas externas de produtos apícolas, 20,4% de lácteos, 12,8% de rações para animais e 11,9% de produtos hortícolas, leguminosas e tubérculos. Essa capilaridade garante receita estável ao produtor e mantém o interior do estado dinâmico economicamente.

No mapeamento dos destinos internacionais, a União Europeia manteve a posição de principal parceiro comercial das frentes agrícolas mineiras, absorvendo R$ 8,67 bilhões, o equivalente a 29,6% da pauta total do quadrimestre. Embora o café represente a quase totalidade das compras do bloco, os produtos florestais registraram um salto de 42,8% e os embarques de carnes mais do que dobraram para o mercado europeu.

Já os países do Mercosul movimentaram R$ 418,2 milhões, registrando uma expansão de 10,1% no volume físico importado. A Argentina liderou as compras intrabloco com 63,2% de participação, absorvendo uma cesta diversificada de produtos de consumo como chocolates, lácteos e alimentos processados.

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O balanço do quadrimestre absorveu as acomodações de preços e volumes nas cadeias de maior peso, que registraram faturamentos expressivos apesar das bases comparativas elevadas do ano anterior. O café gerou uma receita de R$ 16,32 bilhões com o embarque de 7,4 milhões de sacas, enquanto o complexo soja garantiu a vice-liderança da pauta com R$ 5,81 bilhões injetados na economia mineira a partir do comércio de 2,71 milhões de toneladas. O complexo sucroalcooleiro complementou a receita externa do estado com R$ 1,37 bilhão faturados no período, consolidando o agronegócio como o principal motor produtivo do estado no comércio global.

Fonte: Pensar Agro

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