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Safra 26/27 deve começar sob excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Oeste

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O plantio da safra de verão 2026/27 deverá começar sob riscos climáticos opostos: excesso de chuva no Sul e perda de umidade no solo no Centro-Oeste. Enquanto a chuva acima da média ameaça aumentar a pressão de doenças sobre o trigo no Sul, a redução da umidade do solo poderá dificultar a implantação da soja no Centro-Oeste. Temperaturas mais elevadas também são previstas para praticamente todo o País.

O cenário consta do Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), elaborado para o trimestre de julho a setembro. O período é decisivo porque combina o desenvolvimento das culturas de inverno, a conclusão da colheita do milho e do algodão e a preparação de aproximadamente 49 milhões de hectares para o plantio da próxima safra de soja.

A preocupação aumenta com o fortalecimento do El Niño. O fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e deverá ganhar intensidade até o fim do ano, segundo o centro de previsão climática dos Estados Unidos. A probabilidade de permanecer até o início de 2027 é de 97%.

Modelos experimentais indicam a possibilidade de um episódio muito forte. A expressão “Super El Niño”, porém, não constitui uma categoria meteorológica oficial e não deve ser tratada como uma intensidade já confirmada. A força definitiva do evento dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.

No Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente toda a região, acompanhada de temperaturas mais elevadas. A disponibilidade de água no solo deverá permanecer alta, condição inicialmente favorável ao desenvolvimento do trigo, da aveia, da cevada e de outras culturas de inverno.

O problema aparece quando a umidade persiste. Períodos prolongados de chuva e nebulosidade reduzem a entrada de máquinas, dificultam a aplicação de defensivos e criam ambiente favorável às doenças fúngicas. Dependendo da fase das lavouras, também podem provocar acamamento, germinação dos grãos ainda na espiga e perda de qualidade.

O alerta ocorre em uma safra que já começou menor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 6 milhões de toneladas de trigo em 2026, queda de 23,5% em relação ao ano anterior. Com menos área e produtividade projetada mais baixa, novas perdas climáticas aumentariam a necessidade de importação do cereal.

A chuva no Sul também poderá reduzir as janelas disponíveis para concluir a colheita do milho segunda safra no Paraná. O Estado entrou na segunda metade de julho com os trabalhos atrasados em relação às temporadas anteriores. A umidade elevada não significa necessariamente perda imediata, mas aumenta os gastos com secagem e o risco de deterioração quando o milho maduro permanece por mais tempo no campo.

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No Centro-Oeste, o quadro é diferente. A previsão de chuvas próximas da média e temperaturas elevadas tende a favorecer a conclusão da colheita do milho e do algodão. Mato Grosso já retirou mais de 90% do milho, mas Mato Grosso do Sul e Goiás ainda têm uma parcela expressiva da produção nas lavouras.

O tempo mais seco ajuda as máquinas, reduz a umidade dos grãos e facilita o transporte. Ao mesmo tempo, o armazenamento de água no solo deverá cair progressivamente entre agosto e setembro, justamente quando começam os preparativos para a soja.

A área brasileira de soja poderá chegar a 49,1 milhões de hectares em 2026/27. As primeiras estimativas apontam produção próxima de 180 milhões de toneladas, mas esse potencial dependerá da regularização das chuvas a partir de setembro.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o vazio sanitário termina em 6 de setembro. Isso não significa que o plantio começará imediatamente em todas as propriedades. Para uma germinação uniforme, o produtor precisa encontrar umidade suficiente no perfil do solo e perspectiva de continuidade das precipitações.

O chamado “plantio no pó”, realizado antes da consolidação das chuvas, aumenta o risco de germinação irregular e replantio. A decisão de esperar também tem custo, porque o atraso da soja reduz a janela disponível para o milho e o algodão cultivados na sequência.

No Sudeste, o boletim prevê chuvas próximas da média na maior parte da região, com volumes menores no Espírito Santo e no extremo nordeste de Minas Gerais. Áreas do sul e do leste de São Paulo podem receber precipitações acima do padrão.

As temperaturas deverão permanecer elevadas em toda a região. A redução da água armazenada no solo exige atenção nas lavouras de café e no trigo cultivado sem irrigação. Para a cafeicultura, agosto e setembro também marcam a conclusão da colheita e a preparação das plantas para a próxima florada.

Chuvas durante a colheita podem interromper a retirada e a secagem do café, enquanto a falta de umidade no momento da florada prejudica o pegamento dos frutos. O produtor, portanto, enfrenta um equilíbrio delicado entre a necessidade de tempo seco para finalizar a safra atual e a chegada das precipitações necessárias ao próximo ciclo.

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No Nordeste, a tendência é de chuva abaixo da média e calor mais intenso. A combinação deverá ampliar o déficit hídrico e aumentar os riscos para milho e feijão de terceira safra cultivados sem irrigação. Nas áreas onde o solo já possui pouca reserva, mesmo períodos curtos de estiagem podem comprometer o enchimento dos grãos.

O tempo seco, por outro lado, favorece a maturação e a colheita do algodão no oeste do Matopiba. A menor umidade reduz interrupções, facilita o funcionamento das máquinas e ajuda a preservar a qualidade da pluma, desde que não seja acompanhada por calor extremo ou ventos capazes de aumentar perdas.

Na Região Norte, a disponibilidade de água deverá continuar satisfatória em algumas áreas durante julho e agosto, beneficiando milho e sorgo em maturação. No centro-sul da região, entretanto, o déficit hídrico tende a se intensificar ao longo do trimestre, elevando também o risco de incêndios e os problemas para pastagens.

O impacto econômico do El Niño não será uniforme. O mesmo fenômeno capaz de aumentar as chuvas em uma região pode provocar seca em outra. Também não é possível concluir antecipadamente que determinado produto necessariamente ficará mais caro, porque os preços dependem dos estoques, da demanda, do câmbio e da produção de vários países.

O Brasil chega a esse período com uma produção de grãos estimada em 360,1 milhões de toneladas na safra 2025/26. O volume inclui 180,3 milhões de toneladas de soja e 141,7 milhões de milho. Além de abastecer o mercado interno, o País deverá exportar 116,3 milhões de toneladas de soja e permanece entre os maiores fornecedores mundiais de milho, carnes, açúcar e café.

Essa posição cria oportunidades quando concorrentes enfrentam perdas, mas não garante rentabilidade. Uma oferta brasileira maior pode pressionar as cotações internacionais, enquanto fertilizantes, crédito, frete, energia e armazenagem continuam pesando sobre os custos.

A recomendação é que o produtor acompanhe não apenas o volume previsto de chuva, mas também a distribuição das precipitações em sua propriedade. Escalonamento do plantio, escolha de cultivares, manejo de doenças, seguro rural, comercialização antecipada e proteção de preços ganham importância em uma safra marcada por maior instabilidade.

Fonte: Pensar Agro

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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil

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Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.

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Fonte: Pensar Agro

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