AGRONEGÓCIO

Paralisação do governo nos EUA traz incerteza ao agro e acirra volatilidade no mercado global

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O fechamento do governo dos Estados Unidos (shutdown), que já chega a 37 dias nesta quinta-feira (06.11), causa um efeito dominó que atinge diretamente o agronegócio brasileiro. O impasse político no Congresso americano paralisou atividades do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), gerando um cenário de incerteza e maior risco nos mercados de grãos, que é a base da produção e da exportação agrícola brasileira.

De acordo com comunicado oficial do órgão, a paralisação compromete não só o SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar), mas também programas agrícolas, inspeção de alimentos, controle de doenças em animais e plantas, desenvolvimento rural e a proteção das terras federais.

O impacto mais sentido no Brasil está na falta de divulgação de dados oficiais. No último mês, não foi publicado o tradicional relatório mensal de oferta e demanda mundial de grãos, referência global usada por produtores, exportadores e analistas para embasar suas decisões comerciais. O documento detalha estoques, produção, consumo e exportações dos principais países produtores, sendo peça-chave para a formação dos preços internacionais.

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O USDA produz relatórios pautam o mercado e que fazem a diferença para quem é trader, analista ou produtor. A previsão, segundo o próprio USDA, é que os relatórios só voltem a ser publicados em 14 de novembro. Até lá, o mercado lida com uma espécie de “venda no escuro”: sem informações confiáveis sobre estoques e exportações nos EUA, aumentam as apostas, a especulação e a volatilidade nos preços.

No campo, a operação do USDA em modo reduzido afeta produtores mundo afora. Escritórios locais nos EUA funcionam com equipe mínima ou estão fechados, dificultando o acesso de agricultores e pecuaristas a créditos rurais, seguros agrícolas e assistência técnica. Para o produtor brasileiro, o maior risco está na incerteza: preços internacionais podem oscilar de forma imprevisível diante da ausência dos dados americanos, dificultando negociações, contratos de exportação e planejamento financeiro da safra.

O impacto econômico do shutdown já é estimado em pelo menos US$ 7 bilhões. Embora parte dos dados ainda seja publicada por outros meios, faltam as informações cruciais relativas ao volume da colheita, exportações e estoque final dos Estados Unidos. Sem esses números, a capacidade do produtor brasileiro de antecipar cenários e se proteger contra variações abruptas de preços fica mais limitada.

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Em conclusão, a paralisia política nos Estados Unidos evidencia a dependência global em relação às informações do USDA e reforça a importância de fontes diversificadas e alternativas para dar mais segurança e previsibilidade ao agronegócio brasileiro em tempos de incerteza.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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