AGRONEGÓCIO
“O agro brasileiro precisa plantar com inteligência, colher com responsabilidade e vender com estratégia”
Publicado em
11 de maio de 2025por
Da Redação
Em um cenário global marcado por instabilidade, mudanças climáticas e novas regras comerciais, o agronegócio brasileiro continua sendo um dos pilares da economia nacional. Mas, segundo o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o setor precisa se reinventar para manter sua posição de destaque no mundo.
“O agronegócio brasileiro é, sem dúvida, um dos gigantes do planeta quando o assunto é produzir comida, combustível e riqueza no campo. Com tecnologia de ponta, clima que ajuda e muita terra fértil, o setor é forte na produção de grãos, carnes, frutas e biocombustíveis. Mas o mundo está virando de cabeça pra baixo — guerras, disputas comerciais, clima extremo — e isso tudo bate direto na porteira da fazenda”, comentou o presidente do IA.
Rezende diz que o impacto da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, foi um divisor de águas para o setor, especialmente por causa da dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados. Boa parte desses insumos — como nitrogenados, fosfatados e potássicos — vinha da região em conflito. O resultado foi um aumento nos preços e dificuldade de acesso, o que escancarou, nas palavras de Isan, “uma ferida antiga que a gente empurrou com a barriga por tempo demais”.
O presidente do IA lembra que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e que o momento atual deveria servir de alerta definitivo para a criação de uma política nacional de autossuficiência nesse setor. “Perdemos chances preciosas de fortalecer a produção interna e criar reservas estratégicas. Agora, corremos contra o tempo para não repetir o erro”, afirma.
Mas, como o próprio Rezende reconhece, o conflito internacional também abriu oportunidades. Com a dificuldade de países europeus e asiáticos em acessar produtos do Leste Europeu, o Brasil passou a ser visto como fornecedor confiável de grãos, como milho e trigo. Segundo ele, o setor tem buscado aproveitar esse momento, mas reforça que quantidade não basta. “Não adianta só ser o celeiro do mundo. O mercado agora quer rastreabilidade, sustentabilidade e compromisso ambiental. O Brasil precisa mostrar que está à altura dessa responsabilidade.”
Além do conflito europeu, a postura da China também entrou no radar do setor. Isan observa que o gigante asiático — principal destino da soja e da carne brasileiras — tem sinalizado um desejo crescente de depender menos das importações e mais da produção local. Para o líder do Instituto do Agronegócio, essa mudança exige uma resposta imediata do Brasil: “Temos que abrir os olhos para outros mercados. A Ásia, a África e o Oriente Médio são promissores. Mas cada um deles tem suas exigências específicas. É preciso se adaptar”.
Rezende também comentou sobre as crescentes pressões internacionais por práticas sustentáveis. Ele destaca a nova lei da União Europeia, que proíbe a importação de produtos ligados a desmatamento ilegal. A exigência, segundo ele, não pode ser vista apenas como um problema, mas como uma oportunidade de modernização. “Temos que entender que o mundo mudou. Os consumidores querem saber a origem do que comem. Quem não tiver como provar que produziu com responsabilidade, vai perder espaço”, alerta.
Na tentativa de evitar que essas exigências virem barreiras comerciais disfarçadas, o Brasil tem intensificado sua atuação diplomática no setor agrícola. Rezende cita a atuação em fóruns multilaterais e as negociações com a União Europeia e o Indo-Pacífico como estratégias fundamentais para garantir acesso aos mercados e regras claras. “Não queremos facilidades. Queremos equilíbrio. E mais acordos comerciais que nos protejam de ficar dependentes de poucos compradores”.
Sobre o futuro do agro brasileiro, Isan Rezende é direto: o setor precisa investir em inovação, tecnologias de baixo impacto ambiental, bioinsumos e modernização das práticas agrícolas. Tudo isso, claro, sem comprometer a produtividade. “O produtor brasileiro já demonstrou sua capacidade de superação muitas vezes. Agora é hora de acelerar essa transição. É a única forma de seguir competitivo em um mercado que está cada vez mais exigente”.
Para ele, o recado é claro: o agro vai ter que se adaptar. Investir em inovação, bioinsumos, agricultura de baixo impacto ambiental e tecnologia no campo. Tudo isso mantendo a produtividade e cumprindo com as novas regras do jogo. “O mundo mudou, e não vai esperar. O agro brasileiro precisa plantar com inteligência, colher com responsabilidade e vender com estratégia. Esse é o caminho para continuarmos fortes”, completou Isan Rezende.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Published
16 horas agoon
30 de agosto de 2026By
Da Redação
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro
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