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Expointer começa sábado e aposta no crédito para destravar investimentos

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A 49ª Expointer começa no próximo sábado (29.08), em Esteio (cerca de 25 quilômetros da capital, Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, com o desafio de reaquecer um mercado de máquinas agrícolas pressionado pelo endividamento dos produtores, pelos juros elevados e pela demora na liberação dos financiamentos. A feira prossegue até 6 de setembro e deverá funcionar como o primeiro grande teste regional do Plano Safra 2026/27.

O ponto de partida é uma base de comparação difícil. Em 2025, a Expointer recebeu o público recorde de 1,01 milhão de visitantes, aumento de 52,6% sobre o ano anterior. O crescimento da movimentação no parque, entretanto, não se converteu na mesma proporção em negócios.

A comercialização total caiu de R$ 8,1 bilhões, em 2024, para R$ 4,42 bilhões no ano passado, retração de 45,5%. A maior parte da diferença veio do setor de máquinas e implementos agrícolas, cujos negócios diminuíram de R$ 7,39 bilhões para R$ 3,78 bilhões, queda de quase 49%.

Mesmo com a retração, máquinas e implementos responderam por mais de 85% de tudo o que foi negociado na feira de 2025. Por isso, a velocidade com que os bancos analisarem as propostas e liberarem os recursos deverá ter influência direta no resultado econômico desta edição.

Até o momento, a organização não divulgou uma meta oficial de comercialização para 2026. O comportamento do mercado nacional, porém, mantém a cautela. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indicam redução de 21,3% nas vendas do setor no primeiro semestre.

As vendas de tratores ao usuário final recuaram 11,5% nos primeiros seis meses do ano. No caso das colheitadeiras, a retração em junho chegou a 41,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. Depois de uma expectativa inicial de recuperação, as projeções mais recentes passaram a indicar queda próxima de 8% nas vendas anuais.

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O produtor continua demonstrando interesse por equipamentos que diminuam custos, substituam mão de obra e aumentem a precisão das operações. A decisão de compra, contudo, depende da margem disponível, do nível de endividamento e das condições oferecidas para o financiamento.

No Rio Grande do Sul, esse quadro foi agravado pelas perdas acumuladas após sucessivos eventos climáticos. Parte dos produtores ainda precisa reorganizar dívidas anteriores antes de assumir novos compromissos. Mesmo quando existe uma linha de crédito anunciada, o financiamento pode esbarrar na capacidade de pagamento, nas garantias exigidas e na análise de risco das instituições financeiras.

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 reservou R$ 85,2 bilhões para operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Há juros de 2% ao ano para o custeio da produção de alimentos e de 1% para sistemas agroecológicos, orgânicos e produtos da sociobiodiversidade. As operações de investimento, inclusive para mecanização, seguem limites e condições próprios de cada linha.

O volume anunciado, entretanto, não garante que o dinheiro chegue imediatamente ao produtor. O desempenho da Expointer dependerá do número de propostas aprovadas, do prazo de análise e da disponibilidade de recursos em cada instituição financeira. Intenções de compra sem financiamento liberado não se transformam em renovação da frota.

A regularização de dívidas também terá peso nesse processo. O prazo para adesão às medidas do Desenrola Rural aplicáveis às operações enquadradas foi prorrogado até 20 de dezembro de 2026. A renegociação ou liquidação dos débitos pode recuperar a condição de adimplência e permitir que parte dos agricultores volte a contratar crédito, mas os benefícios variam conforme a origem, a data e a situação de cada operação.

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Além das máquinas, a agricultura familiar terá presença ampliada na feira. O pavilhão destinado ao segmento reunirá 509 expositores de 218 municípios gaúchos. Desse total, 400 são agroindústrias familiares, 74 atuam no artesanato e 28 comercializam plantas, mudas e flores.

Na edição anterior, as vendas da agricultura familiar alcançaram R$ 13,64 milhões, crescimento de 25,3% sobre os R$ 10,88 milhões registrados em 2024. O resultado seguiu na direção oposta à retração do mercado de máquinas e mostrou a capacidade da feira de ampliar a venda direta e a renda de pequenos empreendimentos rurais.

A Expointer de 2026 também contabiliza 7.926 animais inscritos entre exemplares de argola e rústicos. A programação reúne julgamentos, leilões, provas, exposição de genética, tecnologias para produção animal e vegetal, artesanato e alimentos processados nas propriedades.

Para o produtor, o principal indicador não será apenas o movimento nos estandes. A quantidade de financiamentos efetivamente contratados mostrará se os recursos do novo Plano Safra começaram a chegar ao campo e se existe espaço para retomar os investimentos represados.

Serviço

Evento: 49ª Expointer
Data: 29 de agosto a 6 de setembro de 2026
Horário: das 8h às 20h
Local: Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, BR-116, km 13, Esteio (RS)

Fonte: Pensar Agro

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Mercado de sementes de R$ 47 bilhões abre congresso hoje

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Um mercado estimado em R$ 47,3 bilhões e decisivo para a produtividade das lavouras estará no centro do 23º Congresso Brasileiro de Sementes, que começa nesta terça-feira (25.08), em Foz do Iguaçu (640 km da capital, Curitiba), no Paraná. O encontro prossegue até sexta-feira (28) com debates sobre custos, genética, biotecnologia, qualidade, armazenamento e combate à comercialização clandestina.

O congresso ocorre em um momento de margens apertadas nas principais culturas e de aumento da preocupação com o custo da implantação das lavouras. Para o produtor, a escolha da semente interfere no potencial produtivo, na população de plantas, na resistência a doenças, na adaptação climática e na eficiência dos investimentos realizados durante todo o ciclo.

Estimativas da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), elaboradas com base na safra 2024/25, mostram que o mercado nacional de sementes certificadas das principais culturas movimenta R$ 47,3 bilhões. A soja responde por R$ 27,6 bilhões, ou aproximadamente 58% desse total.

O milho ocupa a segunda posição, com R$ 14,5 bilhões. Na sequência aparecem algodão, com R$ 2,4 bilhões; trigo, com R$ 1,5 bilhão; sorgo, com R$ 600 milhões; feijão e arroz, com cerca de R$ 300 milhões cada.

O tamanho do mercado acompanha o avanço da área cultivada e a incorporação de tecnologias genéticas às sementes. Além do material utilizado para iniciar a lavoura, o preço inclui investimentos em pesquisa, desenvolvimento de cultivares, multiplicação, beneficiamento, controle de qualidade, tratamento, armazenamento e distribuição.

Parte desse potencial, entretanto, permanece fora do mercado certificado. O uso de sementes salvas e de material clandestino representa uma perda estimada de R$ 14,6 bilhões no faturamento potencial da cadeia.

A soja concentra R$ 10,7 bilhões desse valor. Aproximadamente 29% das sementes usadas na cultura não são certificadas. No algodão, o percentual chega a 35%; no arroz, a 38%; no trigo, a 25%; e no feijão, a 85%. Milho e sorgo apresentam taxas menores, próximas de 3%, devido às características dos híbridos e à necessidade de aquisição de novas sementes para preservar o desempenho produtivo.

Nem toda semente não certificada é ilegal. A legislação permite que o agricultor reserve parte da própria produção para uso na safra seguinte, desde que cumpra as regras aplicáveis, utilize o material exclusivamente na propriedade e faça as declarações exigidas. A venda desse produto a terceiros, porém, caracteriza comércio clandestino.

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O material pirata não passa necessariamente pelos testes de germinação, vigor, pureza genética e sanidade exigidos das sementes certificadas. Também pode transportar plantas daninhas, fungos, bactérias e outros agentes capazes de comprometer o estabelecimento da lavoura.

O preço aparentemente menor pode transformar-se em prejuízo quando há falhas de emergência, necessidade de replantio ou formação desuniforme do estande. Como adubação, defensivos e operações mecanizadas são calculados para determinada população de plantas, uma semente de baixa qualidade reduz o retorno dos demais investimentos realizados pelo produtor.

A pirataria também diminui os recursos destinados ao desenvolvimento de novas cultivares. Estimativas apresentadas pelo setor indicam que a redução do comércio ilegal de sementes de soja poderia acrescentar quase R$ 10 bilhões à receita dos diferentes elos da cadeia.

Desse total, aproximadamente R$ 2,5 bilhões poderiam chegar aos produtores como resultado de ganhos de produtividade. A indústria de sementes teria aumento de R$ 4 bilhões na receita, enquanto as agroindústrias de farelo e óleo poderiam agregar R$ 1,2 bilhão. O efeito projetado inclui ainda R$ 1,5 bilhão em exportações, R$ 90 milhões adicionais em pesquisa e desenvolvimento e a criação de cerca de 1,5 mil empregos diretos.

O Brasil também ganha espaço como fornecedor internacional. Entre janeiro e outubro de 2025, foram exportadas 39,1 mil toneladas de sementes agrícolas, com a maior receita para o período em cinco anos. Sementes de milho e de espécies forrageiras responderam por 74% do faturamento, enquanto Paraguai, Colômbia e Argentina estiveram entre os principais destinos.

A posição de Foz do Iguaçu, próxima ao Paraguai e à Argentina, aproxima o congresso de uma região estratégica para o comércio e a produção de sementes no Mercosul. A expectativa é reunir mais de 1,5 mil participantes, provenientes de pelo menos 15 países.

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Promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), o encontro terá mais de 60 palestrantes e a apresentação de aproximadamente 600 trabalhos. O evento é realizado desde 1979 e chega à 23ª edição com o tema “Sementes: alicerces para ciência, tecnologia e produção”.

A programação começa com uma análise dos riscos e das oportunidades para a safra 2026/27. Ao longo dos quatro dias, serão discutidos secagem, beneficiamento, armazenamento, tratamento industrial, bioinsumos, propriedade intelectual, qualidade sanitária e formação dos preços.

O impacto das sementes sobre a margem das empresas e das propriedades aparece de forma direta nos painéis. Um dos debates discutirá quando erros no planejamento da produção e na escolha do portfólio se transformam em perda comercial. Outro tratará dos limites da tecnologia embarcada em sementes de milho de alta produtividade.

Também serão apresentadas ferramentas de inteligência artificial, análise de imagens e sensores capazes de identificar danos, impurezas e diferenças de qualidade com maior rapidez. Essas tecnologias procuram reduzir erros nas unidades de beneficiamento e aumentar a precisão da classificação dos lotes.

A aplicação de bioinsumos às sementes terá espaço próprio. O desafio é preservar germinação e vigor durante o tratamento e o armazenamento, assegurando que microrganismos e outros produtos biológicos cheguem ao solo em condições de desempenhar a função esperada.

Quatro encontros ocorrerão simultaneamente ao congresso: os simpósios brasileiros de sementes de espécies forrageiras, análise de sementes, patologia de sementes e tecnologia de sementes florestais. A programação inclui ainda um espaço para exposição de máquinas, equipamentos, insumos e sistemas de controle de qualidade.

Para o produtor, a discussão econômica vai além do preço do saco. A comparação precisa considerar germinação, vigor, adaptação da cultivar, população recomendada e risco de replantio. Uma semente mais barata deixa de representar economia quando não entrega o número de plantas necessário para sustentar a produtividade planejada.

Serviço

Evento: 23º Congresso Brasileiro de Sementes
Data: 25 a 28 de agosto de 2026
Local: Rafain Palace Hotel & Convention, Foz do Iguaçu (PR)
Público esperado: mais de 1,5 mil participantes

Fonte: Pensar Agro

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