AGRONEGÓCIO

Estoques de suco sobem 75% e acendem alerta para preços ao produtor

Publicado em

O avanço de 75,4% nos estoques globais de suco de laranja brasileiro em 2025 muda o sinal do mercado e tende a pressionar preços pagos ao citricultor nos próximos meses. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), o volume armazenado chegou a 616,46 mil toneladas em dezembro, em equivalente a suco concentrado e congelado (FCOJ 66° Brix), ante 351,48 mil toneladas um ano antes.

Em termos práticos, o dado indica que a indústria encerrou o ano com oferta confortável — cenário oposto ao de 2024, quando os estoques estavam em níveis historicamente baixos e sustentaram cotações recordes no mercado internacional. Agora, com mais produto disponível e demanda enfraquecida, sobretudo na Europa, o poder de barganha tende a migrar para o lado dos compradores.

No acumulado da safra 2025/26 até janeiro, as exportações para a União Europeia recuaram cerca de 13%, segundo a entidade. O bloco é o principal destino do suco brasileiro e referência para formação de preços globais. Com menor ritmo de compras, o excedente permanece nos tanques das indústrias.

Leia Também:  Missão brasileira acompanha lavouras nos EUA para entender clima e mercado

Para o produtor de laranja, estoques elevados costumam anteceder ciclos de acomodação nos contratos de compra da fruta. Com a indústria menos pressionada a disputar matéria-prima, o preço da caixa tende a perder força, especialmente se a próxima safra confirmar boa produtividade.

O movimento ocorre após um período atípico de margens elevadas, quando quebras de safra na Flórida reduziram a oferta mundial e impulsionaram as cotações. A normalização da produção brasileira em 2025/26 recompôs a disponibilidade de fruta, mas a demanda internacional não acompanhou o mesmo ritmo.

O Brasil responde por mais de dois terços do comércio global de suco de laranja. O desempenho do setor tem impacto direto sobre a balança comercial do agronegócio e sobre a renda em polos citrícolas de São Paulo e Triângulo Mineiro.

Com estoques em alta, o setor passa a depender de dois vetores para reequilibrar o mercado: redução de preços ao consumidor final — estimulando consumo — e retomada das compras europeias. Caso contrário, o excedente pode prolongar a fase de ajuste e manter as cotações internacionais sob pressão ao longo de 2026.

Leia Também:  Prazo para regularizar imóveis rurais em faixa de fronteira é prorrogado até 2030

Em síntese, o salto de 75% nos estoques não é apenas um dado estatístico: ele sinaliza virada de ciclo. Após um período de escassez e preços recordes, o mercado de suco entra em fase de oferta mais folgada — cenário que historicamente significa margens mais apertadas para a indústria e, principalmente, para o produtor de laranja.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural

Published

on

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.

O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.

A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.

A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.

“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.

A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.

Leia Também:  Das urnas à lavoura: nova edição mostra o que está em jogo para o agro

O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.

Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.

“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.

O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.

A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.

Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.

Leia Também:  O que o produtor rural precisa saber sobre a conferência que vai mexer com o campo

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.

“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.

Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.

Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.

O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.

A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

Cuiabá

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA