AGRONEGÓCIO
Crédito rural flexibiliza regras e amplia acesso à mecanização
Publicado em
30 de março de 2026por
Da Redação
As mudanças nas regras do crédito rural, implementadas a partir do Plano Safra 2025/26, começaram a reconfigurar o acesso à mecanização no País. Com prazos mais longos, manutenção de juros equalizados e maior flexibilidade nas garantias, o financiamento de tratores e implementos passa a alcançar um público mais amplo, especialmente entre pequenos e médios produtores.
O movimento ocorre em um segmento de peso. O mercado de máquinas agrícolas no Brasil movimenta entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões por ano, impulsionado pela renovação de frota e pela expansão da área cultivada. Ainda assim, há forte heterogeneidade regional: enquanto polos consolidados operam com alto nível de mecanização, áreas de menor escala ainda dependem, em grande medida, do aluguel de equipamentos.
As novas condições de crédito alteram essa dinâmica ao reduzir o custo de entrada. A ampliação dos prazos dilui o valor das parcelas, enquanto a manutenção de linhas com juros subsidiados preserva a previsibilidade financeira das operações. Ao mesmo tempo, instituições financeiras passaram a adotar critérios mais flexíveis na exigência de garantias, incluindo o próprio equipamento financiado como parte da operação.
Outra mudança relevante está na forma de análise de crédito. O modelo passa a considerar com maior peso a capacidade de geração de renda do projeto financiado, e não apenas o patrimônio do produtor. Na prática, operações voltadas à mecanização passam a incorporar ganhos de eficiência — como a substituição do aluguel de máquinas e o aumento potencial de produtividade — na avaliação de risco.
A simplificação de procedimentos também contribui para ampliar o acesso. A digitalização de etapas e a padronização de documentos reduziram o tempo de tramitação dos pedidos, ainda que a liberação siga condicionada à análise cadastral e à regularidade da propriedade.
Para o produtor, o efeito mais imediato é a mudança na lógica de investimento. Em diversas regiões, o custo anual com serviços mecanizados se aproxima do valor das parcelas de financiamento, o que torna a aquisição do equipamento economicamente viável. Além de reduzir a dependência de terceiros, a mecanização própria permite maior controle sobre o calendário agrícola, especialmente em períodos críticos de plantio e colheita.
Programas voltados à agricultura familiar e ao pequeno produtor também foram ajustados, com ampliação de limites financiáveis e inclusão de conjuntos completos de mecanização, que vão além do trator e abrangem implementos essenciais à operação.
Apesar do avanço, fatores estruturais continuam a influenciar a decisão. Custos operacionais, como diesel e manutenção, seguem pressionando a rentabilidade, e o acesso ao crédito ainda varia conforme região e perfil do produtor.
No conjunto, as mudanças indicam um ambiente mais favorável à mecanização, com potencial de ampliar a produtividade em propriedades de menor escala. O impacto tende a ser gradual, à medida que as novas condições de financiamento se consolidam e se traduzem em investimento efetivo no campo.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Published
4 horas agoon
10 de setembro de 2026By
Da Redação
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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