AGRONEGÓCIO

Congresso mundial sobre azeite debate avanço da olivicultura no Brasil

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A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), em São Paulo, recebe nesta quarta-feira (12.11) o Olive Oil World Congress (OOWC), evento internacional que reúne especialistas, produtores e chefs de cozinha para discutir ciência, qualidade e mercado do azeite de oliva. A edição brasileira marca um momento estratégico: o país, embora ainda pequeno na produção, consolida-se como um dos maiores consumidores mundiais e busca ampliar sua presença no setor.

O simpósio “Azeite e Saúde”, parte da programação, é realizado em parceria com a Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (OLIVA) e com a Casa do Azeite, contando com o apoio da Interprofesional do Azeite de Oliva, Gallo e Filippo Berio. A abertura será feita por Rita Bassi, presidente da OLIVA, junto de autoridades e representantes do setor.

Entre os destaques, o diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional, Jaime Lillo, apresenta “O azeite de oliva no mundo atual”, enquanto o pesquisador Miguel Ángel Martínez, da Universidade de Harvard, traz as mais recentes evidências sobre a dieta mediterrânea e seus impactos na saúde. Uma mesa-redonda mediada por Rita Bassi contará com a participação de Andrea Romanos (Harvard), Ramón Estruch (Universidade de Barcelona), Áureo Augusto Delgado (gastroenterologista brasileiro) e Mariana Del Bosco (nutricionista da ABESO), analisando o papel do azeite na prevenção de doenças.

O congresso também marca o início do OOWC 2026, com painéis dedicados à qualidade e autenticidade do azeite. Teresa Pérez, da Interprofesional do Azeite de Oliva (Espanha), falará sobre características físicas e químicas do produto; Mariana Matos, da Casa do Azeite (Portugal), explicará os fatores que determinam a excelência “da azeitona à garrafa”; e o chef Beto Almeida demonstrará o uso do azeite na culinária brasileira. O evento será encerrado com um debate aberto e uma degustação guiada de azeites de diferentes origens.

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Brasil quer deixar de ser apenas importador

Hoje, o Brasil consome cerca de 97 mil toneladas de azeite por ano, o que representa pouco mais de 3% do consumo mundial, mas ainda depende quase totalmente de importações para atender à demanda interna. Em 2024, o país comprou aproximadamente 77 mil toneladas, o equivalente a cerca de R$ 4,1 bilhões. O preço médio da tonelada importada subiu mais de 35% em relação ao ano anterior, impulsionado por oscilações climáticas em países produtores e pelo aumento global da demanda.

Do outro lado, a produção nacional cresce de forma gradual. Segundo dados recentes, o Brasil já produz em torno de 530 toneladas de azeite por ano, principalmente no Rio Grande do Sul, responsável por mais de 70% do total, seguido por Minas Gerais e São Paulo. A cultura da oliveira tem se expandido, apoiada em novas tecnologias de cultivo e extração, e o produto brasileiro começa a ser reconhecido por sua qualidade e pureza.

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Mesmo pequeno em volume, o setor vem conquistando espaço em feiras internacionais e prêmios de qualidade, o que reforça a importância de eventos como o OOWC no país. A realização em São Paulo é vista como um passo para aproximar a cadeia produtiva nacional dos padrões internacionais e estimular a entrada de novos produtores.

“O congresso reforça a necessidade de conectar ciência, qualidade e mercado. É uma oportunidade para entender o que o consumidor busca, como garantir autenticidade e o que diferencia um azeite comum de um azeite premium”, afirmou a organização.

Com consumo crescente, potencial de expansão agrícola e interesse do consumidor por produtos saudáveis e rastreáveis, o Brasil tem espaço para se tornar referência regional na olivicultura. A troca de conhecimento e a aproximação com grandes produtores internacionais podem acelerar esse processo e reduzir a dependência das importações nos próximos anos.

Serviço

Evento: Olive Oil World Congress – OOWC
Data: 12 de novembro de 2025 (quarta-feira)
Local: Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), São Paulo (SP)
Programação: Palestras, mesa-redonda, lançamento do OOWC 2026 e degustação de azeites
Organização: OLIVA, Casa do Azeite e Interprofesional do Azeite de Oliva

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural

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O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.

A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.

“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.

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“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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