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Colheita do trigo e plantio do arroz se aproximam do encerramento

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A safra de inverno no Rio Grande do Sul caminha para a conclusão com a colheita de trigo praticamente encerrada e o plantio do arroz avançando para os últimos talhões. O cenário marca a transição entre culturas no maior Estado produtor dos dois grãos e evidencia, ao mesmo tempo, resultados produtivos consistentes no trigo e desafios econômicos e de manejo no arroz.

No caso do trigo, restam apenas áreas pontuais a serem colhidas — cerca de 1% da área estimada — concentradas em regiões de maior altitude do Planalto e dos Campos de Cima da Serra, onde o ciclo da cultura é naturalmente mais longo. Nessas localidades, o desenvolvimento vegetativo foi mais lento, prolongando o calendário de campo.

A área cultivada com trigo no Estado foi estimada em 1,15 milhão de hectares, com produção total próxima de 3,4 milhões de toneladas. A produtividade média final ficou em torno de 3 toneladas por hectare, praticamente em linha com a projeção inicial feita no momento da semeadura. O resultado, no entanto, ficou abaixo das expectativas intermediárias observadas no pico do desenvolvimento das lavouras, quando o potencial produtivo era mais elevado.

A redução do rendimento está diretamente associada às chuvas ocorridas entre o fim de outubro e o início de novembro. O excesso de umidade coincidiu com o avanço da colheita em várias regiões e afetou tanto o peso quanto a qualidade dos grãos, além de favorecer o aumento de doenças fúngicas, com destaque para a giberela, que comprometeu parte das espigas.

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Mesmo com esses impactos, o desempenho do trigo foi bastante heterogêneo no Estado. Regiões como Caxias do Sul, Passo Fundo e Erechim registraram produtividades acima de 3,5 toneladas por hectare, sustentadas por condições ambientais favoráveis e maior investimento em tecnologia e manejo.

Em uma faixa intermediária, com rendimentos entre 2,7 e 3,3 toneladas por hectare, ficaram regiões tradicionais como Ijuí, Santa Maria, Santa Rosa e Pelotas, onde o clima interferiu de forma moderada e houve maior variabilidade entre lavouras. Já os menores rendimentos, abaixo de 2,5 toneladas por hectare, foram observados em áreas da Fronteira Oeste e da Região Metropolitana, mais impactadas pela instabilidade climática e por níveis mais baixos de investimento.

Enquanto o trigo sai de cena, o arroz entra na fase decisiva de implantação. O plantio no Rio Grande do Sul alcançou cerca de 95% da área prevista, estimada em pouco mais de 920 mil hectares. O avanço foi favorecido por um período prolongado de tempo firme e boa disponibilidade de água para irrigação, permitindo condições adequadas para o estabelecimento das lavouras.

As áreas semeadas dentro da janela ideal apresentam desenvolvimento uniforme e bom vigor vegetativo. Em algumas lavouras mais precoces, o florescimento já começou, ainda que de forma bastante pontual. No entanto, as áreas implantadas mais tardiamente, especialmente em novembro, já mostram maior risco produtivo, com falhas no estande em razão da escassez de chuvas recentes.

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Além do fator climático, o cenário econômico pesa sobre as decisões dos produtores. Os preços do arroz, considerados pouco atrativos, têm desestimulado o encerramento total da semeadura, sobretudo em áreas que ainda exigiriam novos investimentos. A expectativa é que parte das áreas inicialmente planejadas acabe ficando fora do ciclo.

Apesar do quadro geral favorável, o manejo hídrico passou a exigir atenção redobrada. Alguns reservatórios apresentaram rebaixamento inicial, o que levou produtores a adotar irrigação pontual para garantir germinação uniforme. Em regiões como Bagé e Quaraí, a situação ainda não é crítica, mas reforça a necessidade de monitoramento constante.

Em áreas como Pelotas e Santa Maria, além de pendências no plantio, dificuldades de financiamento e restrições de crédito também influenciam a decisão dos produtores, reduzindo o ritmo de implantação das lavouras.

Com produtividade média estimada próxima de 8,75 toneladas por hectare, o arroz gaúcho entra na nova safra com bom potencial agronômico nas áreas já consolidadas. Ainda assim, a combinação entre preços baixos, limitações financeiras e riscos climáticos deve seguir como fator de cautela nas decisões do campo ao longo do ciclo.

Fonte: Pensar Agro

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Ação do MPT na Justiça Federal pede proibição do glifosato em todo o País

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou na sexta-feira (22.05) uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a União pedindo a proibição imediata, em todo o território nacional, de produtos à base de glifosato. O composto é o herbicida mais comercializado no Brasil e o principal insumo utilizado no manejo de pragas nas safras de grãos, cana-de-açúcar e culturas perenes.

Por se tratar de uma ação proposta por um órgão de abrangência federal contra a União e uma autarquia regulatória, o processo tramita na Justiça Federal de Brasília. Uma eventual decisão favorável ao pedido terá efeito imediato sobre todo o território nacional, afetando diretamente as regras de comercialização em todos os estados produtores.

A petição exige o cancelamento de todos os registros vigentes e veda novas autorizações para produção, importação, comercialização e uso da substância e de seus derivados. Caso a Justiça Federal acate o pedido, a Anvisa e a União terão um prazo de transição de até 180 dias para aplicar o banimento, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão. Representantes do setor produtivo apontam risco de impacto financeiro sobre o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário e na competitividade das commodities brasileiras.

Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmam o volume do uso do defensivo no País: o glifosato lidera o ranking de ingredientes ativos mais vendidos no mercado doméstico, com 231,9 mil toneladas comercializadas no último ano consolidado.

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Especialistas em agronomia afirmam que a retirada do princípio ativo geraria dificuldades técnicas no controle de plantas daninhas no sistema de plantio direto. O argumento do setor é que as alternativas químicas disponíveis hoje na indústria possuem custo superior, demandam maior número de aplicações e registram menor eficácia em lavouras geneticamente modificadas, o que elevaria o custo de produção.

O MPT fundamenta o pedido no princípio da precaução, apresentando relatórios sobre riscos à saúde ocupacional de trabalhadores rurais e contaminação de mananciais de água potável. A peça jurídica cita a classificação de 2015 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), que enquadrou o herbicida como “provavelmente carcinogênico para humanos”.

O órgão também aponta a recente retratação acadêmica de um artigo científico do ano 2000 que atestava a inocuidade do produto, alegando que houve quebra de integridade na publicação original.

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A Anvisa mantém o parecer de sua última reavaliação oficial do ativo, na qual concluiu que o glifosato não preenche os critérios legais para proibição total no mercado brasileiro. A agência optou por manter a liberação do ingrediente, mas estabeleceu restrições de dispersão e novos parâmetros de referência toxicológica para a proteção dos trabalhadores que manejam o produto no campo.

A disputa amplia a pressão jurídica sobre empresas do setor químico, com destaque para a alemã Bayer, detentora da marca Roundup, que enfrenta processos semelhantes nos Estados Unidos movidos por trabalhadores que alegam ter desenvolvido linfoma não-Hodgkin após exposição crônica ao produto. A companhia defende a segurança do defensivo quando utilizado de acordo com as instruções da bula.

No Brasil, o embate nacional soma-se a ações regionais movidas pelo Ministério Público em estados como Mato Grosso, maior produtor de grãos do País. Entidades como a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) contestam as tentativas de restrição, apontando falta de alternativas exequíveis no curto prazo.

Fonte: Pensar Agro

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