AGRONEGÓCIO

Brasil entra em estado de alerta por causa da gripe aviária

Publicado em

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional devido à detecção da infecção pelo vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) – H5N1 – em aves silvestres no Brasil.

A influenza aviária é uma doença grave e letal para o plantel avícola e, portanto, requer notificação obrigatória e imediata às autoridades nacionais e internacionais de controle de saúde animal.

A doença foi inicialmente diagnosticada no Brasil em 15 de maio, em duas aves marinhas da espécie trinta-réis-de-bando e em uma ave migratória da espécie atobá-pardo, no litoral do Espírito Santo. Outros casos foram registrados recentemente, incluindo um no Rio de Janeiro.

Especialistas enfatizam que, embora o vírus esteja presente em aves marinhas, o Brasil ainda mantém seu status de país livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, e o comércio internacional não deve ser afetado. No entanto, é crucial manter um estado de alerta e reforçar as medidas de prevenção.

O motivo de preocupação é o impacto que a doença pode ter na avicultura, tanto do ponto de vista econômico para o país quanto, principalmente, para os pequenos avicultores. A chegada da doença aos plantéis comerciais do Brasil poderia resultar em perdas significativas na produção e na subsistência dos produtores.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, atendendo a 145 países, e a avicultura é uma atividade que emprega muitas pessoas. Portanto, é essencial que todos os envolvidos na avicultura estejam cientes da gravidade da situação e adotem medidas de biosseguridade para proteger seus plantéis.

LEIA MAISBrasil se torna o primeiro país do mundo a exportar frango para Israel

Leia Também:  Consumo de café no Brasil atingiu 21,67 milhões de sacas em 2023

A biosseguridade é a palavra-chave para prevenir a entrada da doença no país e proteger a produção avícola. Isso envolve a implementação de uma série de medidas e estruturas que visam reduzir os riscos sanitários nas granjas, independentemente do sistema de produção, seja comercial, industrial ou colonial.

Algumas das medidas incluem a definição de áreas de acesso restrito nas granjas, o uso de telas antipássaro, controle rigoroso de visitantes, uso de água potável de qualidade, isolamento de áreas de produção, entre outras ações. Essas regras também se aplicam à produção de pequena escala ou subsistência, pois são essenciais para prevenir a disseminação de doenças.

A Embrapa Suínos e Aves preparou uma página especial em seu portal com informações, documentos, vídeos, publicações e materiais didáticos para orientar produtores e a sociedade em geral sobre a influenza aviária.

A doença, conhecida cientificamente há muito tempo, foi inicialmente diagnosticada na Itália em 1878 como Praga Aviária e, em 1955, o vírus foi identificado como influenza A aviária.

A gripe aviária, causada pelos vírus H5N1, foi relatada pela primeira vez em humanos em 1997, em Hong Kong. Esse salto do vírus aviário para humanos ocorreu devido ao contato próximo entre aves doentes e pessoas. Desde então, ocorreram casos semelhantes na Ásia e na Europa.

No entanto, a transmissão do vírus de um humano infectado para outra pessoa é extremamente rara devido à localização dos receptores para o vírus da influenza aviária, que se encontram apenas no fundo dos pulmões (brônquios e alvéolos). Até o momento, houve 862 casos relatados em todo o mundo, com 455 óbitos.

Leia Também:  Prefeitura do Rio alerta para possíveis chuvas fortes

O vírus causador da gripe aviária pertence ao grupo A dos orthomixovírus, que é do tipo aviário. Os grupos de vírus de influenza são A, B e C, sendo que o grupo A infecta várias espécies, incluindo humanos e animais.

Embora as aves aquáticas, como gaivotas, maçaricos, patos, cisnes e outros, sejam consideradas reservatórios naturais do vírus da influenza aviária, as aves domésticas terrestres, como galinhas e perus, não são consideradas reservatórios, mas podem ser sensíveis à infecção por vírus transmitidos por aves silvestres. No entanto, elas podem excretar o vírus após a recuperação da doença, tornando-se um potencial meio de transmissão.

Além das aves, o vírus da influenza aviária também pode ser encontrado esporadicamente em espécies de mamíferos marinhos, como lobos e leões marinhos, focas, baleias e martas. Recentemente, houve casos de infecção pelo vírus H5N1 em um urso preto e também em felinos, suínos e cães.

A transmissão do vírus ocorre principalmente entre aves silvestres e, eventualmente, das aves para suínos e humanos. A adaptação do vírus aos suínos pode resultar em transmissão entre humanos e suínos, bem como entre humanos e aves. Portanto, é fundamental monitorar e controlar a disseminação do vírus entre diferentes espécies para evitar a propagação da gripe aviária.

Em caso de suspeita da doença em aves domésticas, é importante entrar em contato com um médico veterinário e notificar o Serviço Veterinário Oficial da região para investigação e medidas de contenção adequadas.

Mais informações no portal da Embrapa, clique aqui.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

Published

on

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

Leia Também:  Bolsistas do Governo de MT são medalhistas no Troféu Brasil de Atletismo 2024

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Leia Também:  Brasil registra 23 novos defensivos agrícolas, com foco em sustentabilidade e inovação

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

Cuiabá

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA