AGRONEGÓCIO

Bancada começa ano focada em vetos, financiamento, seguro rural e relações comerciais

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Pelo menos dois vetos presidenciais estão na mira da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) neste início de trabalhos legislativos de 2025. A bancada ruralista se mobiliza para derrubar o veto à isenção tributária dos Fundos de Investimentos nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e para anular os efeitos do decreto presidencial que ampliou os poderes da Fundação Nacional do Índio (Funai). Além disso, questões como o financiamento do agronegócio, o seguro rural e as relações comerciais internacionais também estão na pauta da FPA.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirmou que a bancada está determinada a derrubar os vetos e impedir que medidas governamentais prejudiquem o setor agropecuário. Um dos principais embates envolve o veto do presidente da República à isenção tributária dos Fiagros, que são instrumentos financeiros fundamentais para o financiamento da produção agropecuária.

Segundo o deputado Arnaldo Jardim, a taxação pode comprometer o setor, afetando diretamente produtores e investidores. “Mais de 600 mil brasileiros já investem nesses fundos, com um volume que ultrapassa R$ 40 bilhões. Taxá-los é um erro estratégico que pode reduzir a capacidade de financiamento do agro”, destacou Jardim.

O deputado Alceu Moreira também criticou a decisão do governo. Para ele, tributar os Fiagros desestimula investimentos no setor. “Isso significa que o cidadão terá que pagar imposto para participar de um fundo criado justamente para fortalecer o agronegócio”, afirmou.

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Lupion reforçou que a bancada atuará para reverter a decisão no Congresso Nacional. “Esse veto não era necessário e representa um retrocesso para o financiamento do setor agropecuário. Vamos pautar esse tema e trabalhar para sua derrubada”, disse.

Outro ponto central das discussões foi o decreto presidencial que ampliou o poder de ação da Funai. A FPA argumenta que a medida concede à fundação prerrogativas que extrapolam suas competências, como a aplicação de medidas cautelares, apreensão de bens e lacração de propriedades em áreas em processo de demarcação.

Para Lupion, o decreto é inconstitucional e traz insegurança jurídica para produtores rurais. “Isso gera uma verdadeira milícia política no campo, o que não podemos aceitar. Vamos trabalhar para sustar esse decreto no Congresso o mais rápido possível”, afirmou.

O governo, por outro lado, defende que o decreto visa proteger os povos indígenas contra invasões e ocupações ilegais de terras demarcadas, permitindo que a Funai adote medidas preventivas em caso de risco iminente.

A bancada ruralista também demonstrou preocupação com os cortes no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e a falta de recursos para o seguro rural. De acordo com Lupion, cerca de 40% dos produtores que dependiam desse mecanismo podem ser afetados. “Sem crédito e sem seguro, fica difícil planejar a próxima safra. Precisamos de alternativas que garantam segurança ao produtor”, destacou.

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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também reconheceu a gravidade da situação e defendeu mudanças legislativas a médio prazo para garantir a continuidade do crédito agrícola. A FPA apoia a tramitação do projeto de lei 2951/2024, da senadora Tereza Cristina, que propõe alterações no modelo de seguro rural e a ativação do Fundo Catástrofe para proteger o orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Outro ponto que preocupa o setor é o cenário internacional. Com a possível imposição de novas tarifas comerciais pelo governo dos Estados Unidos, a FPA defende a necessidade de manter diálogo aberto para evitar impactos negativos nas exportações do agronegócio brasileiro.

O presidente da FPA destacou que o Brasil deve se preparar para um eventual movimento tarifário do presidente norte-americano, Donald Trump. “Nossa relação comercial com os Estados Unidos é fundamental, e qualquer mudança pode impactar nosso mercado. Precisamos acompanhar de perto essa questão e buscar alternativas para minimizar eventuais prejuízos”, afirmou Lupion.

Com uma agenda intensa e desafios significativos pela frente, a Frente Parlamentar da Agropecuária se posiciona para atuar de forma estratégica na defesa dos interesses do setor, buscando garantir segurança jurídica, financiamento adequado e um ambiente favorável ao crescimento do agronegócio brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Ação do MPT na Justiça Federal pede proibição do glifosato em todo o País

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O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou na sexta-feira (22.05) uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a União pedindo a proibição imediata, em todo o território nacional, de produtos à base de glifosato. O composto é o herbicida mais comercializado no Brasil e o principal insumo utilizado no manejo de pragas nas safras de grãos, cana-de-açúcar e culturas perenes.

Por se tratar de uma ação proposta por um órgão de abrangência federal contra a União e uma autarquia regulatória, o processo tramita na Justiça Federal de Brasília. Uma eventual decisão favorável ao pedido terá efeito imediato sobre todo o território nacional, afetando diretamente as regras de comercialização em todos os estados produtores.

A petição exige o cancelamento de todos os registros vigentes e veda novas autorizações para produção, importação, comercialização e uso da substância e de seus derivados. Caso a Justiça Federal acate o pedido, a Anvisa e a União terão um prazo de transição de até 180 dias para aplicar o banimento, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão. Representantes do setor produtivo apontam risco de impacto financeiro sobre o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário e na competitividade das commodities brasileiras.

Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmam o volume do uso do defensivo no País: o glifosato lidera o ranking de ingredientes ativos mais vendidos no mercado doméstico, com 231,9 mil toneladas comercializadas no último ano consolidado.

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Especialistas em agronomia afirmam que a retirada do princípio ativo geraria dificuldades técnicas no controle de plantas daninhas no sistema de plantio direto. O argumento do setor é que as alternativas químicas disponíveis hoje na indústria possuem custo superior, demandam maior número de aplicações e registram menor eficácia em lavouras geneticamente modificadas, o que elevaria o custo de produção.

O MPT fundamenta o pedido no princípio da precaução, apresentando relatórios sobre riscos à saúde ocupacional de trabalhadores rurais e contaminação de mananciais de água potável. A peça jurídica cita a classificação de 2015 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), que enquadrou o herbicida como “provavelmente carcinogênico para humanos”.

O órgão também aponta a recente retratação acadêmica de um artigo científico do ano 2000 que atestava a inocuidade do produto, alegando que houve quebra de integridade na publicação original.

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A Anvisa mantém o parecer de sua última reavaliação oficial do ativo, na qual concluiu que o glifosato não preenche os critérios legais para proibição total no mercado brasileiro. A agência optou por manter a liberação do ingrediente, mas estabeleceu restrições de dispersão e novos parâmetros de referência toxicológica para a proteção dos trabalhadores que manejam o produto no campo.

A disputa amplia a pressão jurídica sobre empresas do setor químico, com destaque para a alemã Bayer, detentora da marca Roundup, que enfrenta processos semelhantes nos Estados Unidos movidos por trabalhadores que alegam ter desenvolvido linfoma não-Hodgkin após exposição crônica ao produto. A companhia defende a segurança do defensivo quando utilizado de acordo com as instruções da bula.

No Brasil, o embate nacional soma-se a ações regionais movidas pelo Ministério Público em estados como Mato Grosso, maior produtor de grãos do País. Entidades como a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) contestam as tentativas de restrição, apontando falta de alternativas exequíveis no curto prazo.

Fonte: Pensar Agro

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