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Magistradas de MT levam experiências e ampliam diálogo internacional sobre equidade e justiça

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Magistradas de Mato Grosso participaram, nos dias 26 e 27 de março de 2026, da Conferência Regional da International Association of Women Judges, realizada em São Luís (MA). O encontro promoveu a troca de experiências e a construção de estratégias para ampliar o acesso das mulheres à justiça e tornar o sistema judicial mais sensível às desigualdades sociais.

Representaram o estado as desembargadoras Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo e Gabriela Knaul Albuquerque, além das juízas Célia Regina Vidotti, Christiane da Costa Marques Neves, Cristiane Padim da Silva, Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, Marina Carlos França, Renata do Carmo Evaristo Parreira, Suzana Guimarães Ribeiro e Tatiane Colombo.

Com o tema “Mulheres Juízas em Conexão: Equidade, Justiça e Liderança na América Latina e Caribe”, a conferência reuniu cerca de 100 magistradas de diferentes países. A programação contou com palestras, painéis e atividades voltadas ao compartilhamento de experiências, apresentação de diagnósticos regionais e construção de propostas para fortalecer a atuação feminina no Judiciário.

Durante o evento, a desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque presidiu mesa de debates realizada na manhã de sexta-feira (27), contribuindo para a condução das discussões sobre boas práticas e igualdade no sistema de justiça. A participação das magistradas mato-grossenses, segundo ela, representa um avanço institucional ao inserir o Judiciário estadual em um espaço internacional de diálogo.

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“O diálogo entre diferentes realidades jurídicas fortalece a construção de soluções comuns em jurisdições latino-americanas e caribenhas. Os temas apresentados referentes à saúde judicial, paridade, liderança e novos desafios como a cibercriminalidade, revelam que a agenda de gênero no Judiciário é transversal, dinâmica e essencial para o fortalecimento do Estado de Direito”, disse.

“Esse debate contribui também para o aprimoramento da atuação jurisdicional a partir de uma perspectiva mais sensível às desigualdades estruturais e aos direitos fundamentais”, acrescentou.

A desembargadora também ressaltou que os debates dialogam com diretrizes nacionais voltadas à promoção da equidade e à ampliação da participação feminina nos espaços de decisão, além de reforçarem a importância de uma atuação judicial baseada na escuta qualificada e na inclusão.

Outro destaque foi a participação da juíza Amini Haddad Campos, que apresentou o lançamento do Observatório Pró-equidade da Justiça Militar da União, iniciativa voltada ao acompanhamento e promoção de políticas de igualdade no sistema de justiça.

A juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, integrante do Comitê de Equidade Racial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), destacou que o evento ampliou o debate sobre igualdade ao incorporar diferentes dimensões da desigualdade. “A conferência reafirmou que o fortalecimento da atuação feminina não se limita a ampliar o número de mulheres, mas a garantir que elas ocupem espaços de liderança de forma paritária”, afirmou.

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Segundo ela, a temática racial esteve presente de forma significativa nas discussões, com destaque para a necessidade de enfrentar desigualdades históricas. “Houve um debate fundamental sobre a interseccionalidade, mostrando que gênero não é um marcador único, mas se relaciona com raça, classe e identidade, criando diferentes experiências no acesso à justiça”, completou.

A conferência teve como objetivo fortalecer redes de cooperação entre magistradas da América Latina e Caribe, promover o intercâmbio de boas práticas e ampliar a construção de soluções mais inclusivas. O encontro também abordou desafios enfrentados pelas mulheres na magistratura, como barreiras estruturais, desigualdades de gênero e a necessidade de políticas institucionais mais efetivas.

Ao reunir diferentes experiências e realidades, o evento contribuiu para o desenvolvimento de uma atuação judicial mais alinhada às demandas sociais e comprometida com a promoção da igualdade e dos direitos das mulheres.

Autor: Adellisses Magalhães

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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