AGRONEGÓCIO

Congresso quer colocar biocombustíveis no centro da transição energética

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O agronegócio brasileiro começou a se mover de forma mais organizada para não ficar à margem das decisões que vão definir o futuro da matriz energética do País. Deputados ligados ao setor lançaram nesta quarta-feira (04.02) a Coalizão pelos Biocombustíveis, uma articulação inédita no Congresso que reúne diferentes frentes parlamentares com um objetivo claro: garantir que os biocombustíveis tenham papel central no chamado Mapa do Caminho da transição energética brasileira.

A coalizão une a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a Frente Parlamentar Mista da Economia Verde, a Frente Parlamentar do Biodiesel e a Frente Parlamentar do Etanol. Na prática, trata-se de uma resposta política do agro ao avanço das discussões sobre descarbonização, num momento em que o governo federal estrutura diretrizes para reduzir, de forma gradual, a dependência de combustíveis fósseis.

Coordenador-geral da iniciativa, o deputado federal Arnaldo Jardim afirmou que a primeira ação concreta do grupo será encaminhar ao governo federal uma proposta formal para incluir os biocombustíveis como eixo estratégico do plano em elaboração. A coordenação do documento está sob responsabilidade da Casa Civil, com participação dos ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente.

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Nos bastidores, a leitura do setor é clara: se o agro não ocupar espaço agora, corre o risco de ver a transição energética ser desenhada com foco excessivo em fontes importadas, soluções urbanas ou modelos que ignoram a realidade produtiva do campo brasileiro.

Em dezembro do ano passado, o presidente da República determinou a elaboração de uma resolução com diretrizes para esse Mapa do Caminho, estabelecendo prazo de 60 dias para apresentação da minuta — que se encerra oficialmente em 8 de fevereiro. Apesar disso, parlamentares avaliam que o texto dificilmente ficará pronto dentro do cronograma original.

Para a Coalizão, o mais importante não é a data, mas o conteúdo. A avaliação é de que o Brasil já possui vantagens competitivas claras na produção de etanol, biodiesel, biogás e bioquerosene, mas falta transformar esse potencial em política de Estado, com previsibilidade regulatória, financiamento e estímulo à expansão industrial.

Além da articulação em torno do plano energético, o grupo também pretende acompanhar de perto a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro, considerada estratégica para destravar investimentos em novas biorrefinarias e no aumento da capacidade instalada do setor. Entre as diretrizes defendidas pela Coalizão estão o fortalecimento do desenvolvimento tecnológico nacional, a adoção do ciclo completo dos biocombustíveis como critério de avaliação ambiental e a ampliação de linhas de crédito específicas para o segmento.

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Entidades do setor produtivo veem a iniciativa como um passo necessário para reduzir incertezas. Para a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), a articulação no Congresso ajuda a dar sustentação política a decisões de longo prazo, fundamentais para quem investe no campo e na indústria. A avaliação é de que, sem segurança jurídica e regras claras, projetos bilionários simplesmente não saem do papel.

A expectativa da Coalizão é que o posicionamento do agro ganhe ainda mais força ao longo de 2026, com a apresentação das propostas brasileiras nos fóruns internacionais de clima. Até lá, o setor trabalha para deixar claro que biocombustível não é tema acessório na transição energética — é ativo estratégico, geração de renda no campo e uma das principais cartas do Brasil na disputa global por energia limpa.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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