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Espaço Caliandra leva diálogo masculino sobre não violência

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O Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar da Capital-Espaço Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), iniciou na manhã desta quarta-feira (26/11) mais uma frente de prevenção e conscientização sobre a violência de gênero contra mulheres e meninas. Desta vez, o diálogo é direcionado aos homens adultos, trabalhadores de empresas privadas de Cuiabá.Com o nome “Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino pela Não Violência”, o projeto busca aproximar o MPMT das empresas para promover conscientização, prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.A primeira palestra ocorreu na empresa Carvalima Transportes, que abriu as portas para receber a equipe do Espaço Caliandra, coordenada pela promotora de Justiça Claire Vogel Dutra. Cerca de 100 trabalhadores participaram do encontro, que abordou temas como masculinidade, violência de gênero, formas de violência e legislação.A iniciativa parte da compreensão de que o ambiente de trabalho é um espaço estratégico para a promoção de valores de respeito, igualdade e proteção. Como local onde a maior parte da população adulta passa grande parte do dia, o trabalho se torna um ambiente potente para o diálogo e para a transformação de comportamentos, refletindo também nas relações pessoais e familiares.Para a promotora de Justiça e idealizadora do projeto, Claire Vogel Dutra, a proposta surgiu da necessidade de ampliar o diálogo com os homens. Assim como ocorre nas rodas de conversa com adolescentes pelo projeto FloreSer, a promotora ressalta que o debate também precisa alcançar os homens adultos, promovendo a prevenção da violência em todas as fases da vida. “É a prevenção em vários níveis. É importante trazer os homens, que são diretamente interessados”, enfatizou.Segundo ela, a estratégia é dialogar com os homens nos espaços onde passam boa parte do tempo e convivem com colegas, mulheres e homens. “Há uma cultura de normalização da violência. Muitos praticam violência moral, psicológica, controle e até ciúme excessivo, que também é considerado violência psicológica, sem sequer saber disso, porque vivenciam essas práticas desde a infância. Precisamos conscientizá-los, porque muitas vezes não sabem que estão sendo violentos”, explicou.A palestra, ministrada pela assistente ministerial Maisa Magda Fernandes e pela psicóloga Vastir Maciel, aborda pontos-chave da violência de gênero, desde sua base na masculinidade tóxica até aspectos históricos e sociais dessa construção. Também são apresentados dados sobre suicídio masculino e feminicídio, tipos de violência, impactos na vida dos filhos, os órfãos de mães assassinadas e de pais que estão presos ou que cometeram suicídio, além dos efeitos no ambiente de trabalho, na saúde física e emocional dos trabalhadores, no rendimento profissional e no prejuízo social ao agressor, incluindo danos à imagem e risco de perda do emprego.Durante a palestra, chamou atenção o interesse de alguns trabalhadores, que aproveitaram o momento para tirar dúvidas com a promotora e a equipe sobre direitos dos homens. “É importante esclarecer que existe uma legislação específica para assegurar os direitos das mulheres, porque elas são as mais afetadas pela violência dentro dos lares. Mas também temos leis penais que protegem os homens”, explicou.Para a assistente ministerial e palestrante Maisa Fernandes, a experiência foi bastante positiva. “Percebemos que o público masculino também demonstra interesse pelo tema, e a apresentação de dados reais trouxe um impacto significativo. A interação com os funcionários mostrou que conseguimos alcançar nosso objetivo: provocar reflexão. Espero que tenhamos plantado uma sementinha em cada um deles, para que se tornem replicadores de conhecimento e de boas práticas”, disse. O Grupo Carvalima conta com 65 unidades no Estado de Mato Grosso e atua no transporte e logística de entregas em 89% do território nacional. Na unidade de Cuiabá são 1.066 trabalhadores, dos quais 77% são homens. O diretor administrativo-financeiro, Valdecir Manuel Ferreira, destacou que a empresa possui um público majoritariamente masculino em razão do ramo de atividade e, por isso, considera essencial contribuir para a conscientização.“Se houver trabalho conjunto na sociedade, conseguimos melhorar o relacionamento e o conhecimento, não só aqui na empresa, mas dentro das famílias. Temos a responsabilidade de checar nossos trabalhadores, motoristas, ajudantes, conferentes. Realizamos pesquisas de antecedentes e, caso o colaborador seja reprovado pela seguradora, não conseguimos avançar no processo, pois ele será bloqueado futuramente no carregamento de cargas”, afirmou.O projeto “Por Elas e Por Nós: Diálogo Masculino pela Não Violência” contemplará empresas de Cuiabá e integra a campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, iniciada em 20 de novembro e com programação até 10 de dezembro.Nesta primeira fase, já estão previstas palestras em empresas de grande porte sediadas na capital, como Carvalima Transportes, Nova Rota Oeste e Energisa.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT promove nova etapa de escuta social de comunidades ribeirinhas

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promove, de 15 a 18 de julho de 2026, a segunda etapa da escuta social ativa junto às comunidades ribeirinhas do Pantanal, no município de Poconé (a 100 km de Cuiabá). Desta vez, serão ouvidas a comunidade do Chumbo, pescadores de Poconé no Pesqueiro do Beição e do Porto Jofre. A programação também inclui visitas técnicas ao Instituto Urihi, ao Parque Estadual Encontro das Águas, ao Porto da Manga e reunião institucional com a organização não-governamental Panthera Brasil. A ação tem como objetivo identificar as principais demandas sociais e ambientais da população local, fortalecendo a atuação institucional voltada à defesa de direitos e à proteção do bioma. A iniciativa integra o projeto Travessia Pantaneira, desenvolvido em parceria com a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, A Casa do Centro e a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de MT e MS (Aguapan).Participam da comitiva a procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza e os promotores de Justiça Henrique Schneider Neto, Joelson de Campos Maciel, Mario Anthero Silveira de Souza, Liane Amelia Chaves Mansano, Adalberto Ferreira de Souza Junior e Claudio Angelo Correa Gonzaga.“A proposta é realizar uma escuta social ativa e qualificada, ouvindo diretamente as pessoas que vivem no Pantanal e conhecem, como ninguém, a realidade e os desafios da região. Ao estar presente nas comunidades, o Ministério Público amplia sua capacidade de compreender as demandas locais e de construir soluções mais efetivas para a garantia de direitos e a melhoria da qualidade de vida da população pantaneira”, destaca a procuradora de Justiça Ana Luiza Peterlini.Na edição anterior do Travessia Pantaneira, realizada em outubro de 2025, as principais demandas apresentadas pelas comunidades estiveram relacionadas à falta de água potável, à necessidade de perfuração de poços e de sistemas adequados de tratamento de água, à regularização fundiária de áreas ocupadas há gerações e à ampliação do acesso aos serviços de saúde e educação. Os moradores também apontaram a necessidade de maior apoio no combate aos incêndios florestais, com a criação de brigadas comunitárias, além de melhorias na infraestrutura, especialmente em estradas e pontes que dificultam a mobilidade e o acesso a serviços essenciais na região.

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Foto: Projeto Travessia Pantaneira.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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