AGRONEGÓCIO
Agricultura regenerativa ganha força em regiões desérticas e revela novas oportunidades
Publicado em
27 de julho de 2025por
Da Redação
A edição deste mês da Revista Pensar Agro traz uma reportagem especial que está movimentando discussões técnicas e estratégicas no setor agrícola: a ascensão da agricultura regenerativa no Oriente Médio e Norte da África (região MENA), onde 82% do território é dominado por áreas desérticas.
Diferente dos países ocidentais, onde a prática é geralmente associada à redução das emissões de carbono, nos países do MENA o foco está em enfrentar a desertificação e ampliar a produtividade das lavouras. Trata-se de uma mudança de paradigma que tem despertado a atenção de pesquisadores, financiadores e produtores rurais em busca de modelos resilientes e economicamente viáveis de produção.
Segundo especialistas, essa abordagem vai além da sustentabilidade tradicional, apostando na recuperação ativa dos solos, na diversificação de cultivos, no uso mínimo de insumos químicos e na reconstrução dos ecossistemas agrícolas. A proposta é transformar áreas improdutivas em terras férteis, por meio de práticas como plantio direto, rotação de culturas, sistemas agroflorestais e pastoreio rotacionado.
O resultado? Sistemas mais produtivos, menos dependentes de químicos, mais resistentes a extremos climáticos e com ganhos ambientais de longo prazo. Além de melhorar a qualidade da água e aumentar a biodiversidade, essas práticas promovem o sequestro de carbono no solo, o que pode render créditos de carbono — um mercado ainda incipiente na região, mas promissor.
A reportagem especial também destaca os desafios para a expansão da agricultura regenerativa, como a falta de conhecimento técnico, resistência à mudança por parte de alguns produtores e limitações de acesso a bioinsumos e tecnologias adaptadas ao clima local. Ainda assim, iniciativas públicas e privadas vêm surgindo para acelerar essa transição e estimular a adoção em larga escala.
Confira na edição de julho da revista Pensar Agro (clique aqui) um panorama detalhado sobre como a agricultura regenerativa está transformando solos degradados em ativos produtivos — e o que o Brasil pode aprender com essa revolução silenciosa em meio ao deserto.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço
Published
4 horas agoon
17 de agosto de 2026By
Da Redação
O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.
O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.
Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.
O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.
A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.
A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.
Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.
Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.
Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.
O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.
Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.
A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.
A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.
A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.
Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.
Fonte: Pensar Agro
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