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Agro puxa exportações e Brasil fecha semestre com superávit de R$ 173,6 bilhões

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O comércio exterior brasileiro registrou desempenho positivo no primeiro semestre de 2025, com exportações que somaram cerca de R$ 949 bilhões, segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No mesmo período, as importações totalizaram aproximadamente R$ 776 bilhões, resultando em um superávit de R$ 173,6 bilhões e uma corrente de comércio de R$ 1,725 trilhão. Os números refletem a força do setor externo brasileiro, mesmo diante de um cenário internacional desafiador.

Analisando os destinos das vendas externas, a China permanece como principal parceiro, comprando cerca de R$ 109,5 bilhões em produtos brasileiros no primeiro trimestre, seguida pela União Europeia (R$ 61,4 bilhões) e pelos Estados Unidos (R$ 53,7 bilhões). Outros compradores relevantes no semestre incluem Argentina, Países Baixos e Espanha, que juntos representaram parcela significativa das exportações. Entre os compradores de carnes e ovos, além dos EUA também se destacam países como México, Filipinas, Coreia do Sul e União Europeia.

No recorte específico do agronegócio, as exportações brasileiras somaram cerca de R$ 520 bilhões no primeiro semestre de 2025, representando mais de 54% do total exportado pelo país no período. Produtos como soja, carne bovina, milho, café e suco de laranja lideraram os embarques, com destaque para o crescimento expressivo das vendas de carne bovina e derivados cítricos. A China se manteve como o maior destino das commodities agrícolas, seguida pelos Estados Unidos, União Europeia e países do Sudeste Asiático. O desempenho robusto do setor reforça seu papel como motor do comércio exterior brasileiro, mesmo em um cenário global de incertezas e pressões comerciais.

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No setor agroindustrial, houve avanços importantes: as exportações de ovos cresceram 41,8% no início de 2025, alcançando 4.884 toneladas no bimestre, motivadas pela alta demanda internacional, enquanto as vendas de carne de frango subiram 0,5%, atingindo 2,6 milhões de toneladas no semestre. Já o óleo de soja, apesar de queda de preço, viu seu produto derivado — o farelo — atingir volume recorde de 5,4 milhões de toneladas apenas no primeiro trimestre .

Ainda que o comércio como um todo tenha registrado crescimento, setores míticos da indústria e de produtos semi-industriais enfrentam dificuldades. Relatório da Amcham Brasil apontou que segmentos como celulose, autopeças, motores e máquinas amargaram retrações expressivas nas exportações para os EUA — parte delas atribuída a barreiras tarifárias específicas . A corrente de comércio bilateral cresceu, mas a competitividade de certos produtos manufaturados já foi afetada.

Especialistas estimam que essas restrições podem impactar o crescimento do PIB e pressionar a demanda interna. Estimativas indicam que as barreiras podem resultar em perdas de até R$ 36 bilhões em exportações no ano, e até R$ 91 bilhões em 2026, com possível redução de até 0,5 ponto percentual no crescimento do PIB .

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Para o produtor rural, o cenário exige cautela e reação estratégica. Com a China e a União Europeia firmes como principais destinos, há espaço para diversificação, mas o caminho deve ser trilhado com inteligência logística e comercial. A qualidade dos produtos, a abertura de novos mercados e o fortalecimento de canais diplomáticos e institucionais surgem como fatores-chave para garantir a estabilidade diante de um ambiente externo que, apesar de promissor em números, já começa a mostrar sinais de tensão setorial.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Confronto armado e feridos em colheita judicial reforçam urgência por segurança jurídica

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O cumprimento de uma ordem judicial para a colheita de safra em uma propriedade rural de Feliz Natal (cerca de 510 km da capital, Cuiabá) em Mato Grosso, na última sexta-feira (26.06), terminou em um confronto armado que deixou feridos e expôs a fragilidade dos protocolos atuais para a execução de mandados no meio rural.

O produtor rural Maikel Alan Tespesel, que estava acompanhado pela esposa e pelos dois filhos menores no momento da ocorrência, foi atingido por disparos de arma de fogo. O prestador de serviços contratado pela empresa credora também ficou ferido após ser atingido pela caminhonete do produtor. Ambos estão internados num hospital de Sorriso e passam bem.

O caso, que está sob investigação da Polícia Civil, coloca em debate o modelo adotado para o cumprimento de decisões judiciais que envolvem ativos agrícolas. A presença de empresas de segurança privada em diligências de alto risco, em vez de um aparato ostensivo das forças de segurança do Estado, é apontada por especialistas como um dos fatores que transformaram uma ação de natureza cível em um episódio de violência física.

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A empresa credora da produção, contratou serviços de terceiros para realizar a colheita autorizada pela Justiça. Segundo informações da Polícia Militar, o conflito teve início quando houve uma tentativa de bloqueio do veículo do produtor. Os homens contratados pela empresa teriam efetuado disparos contra a caminhonete do produtor rural.

O episódio repercutiu negativamente no setor. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou nota oficial repudiando a violência e defendendo uma investigação rigorosa. Para a entidade, disputas comerciais e execuções de ordens judiciais precisam observar protocolos estritos de legalidade, sendo inaceitável que o ambiente de produção se torne palco de confrontos que coloquem em risco a vida de produtores e suas famílias.

O incidente em Mato Grosso reforça um pleito antigo do setor agropecuário: a necessidade de garantir que decisões judiciais sejam executadas de forma técnica e segura. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende sistematicamente que o cumprimento de mandados judiciais em áreas rurais ocorra com apoio das forças de segurança pública, evitando que produtores e credores sejam submetidos a situações de risco iminente.

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O episódio reflete um cenário de crescente tensão na zona rural brasileira. Dados do relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025’, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam a ocorrência de 1.408 episódios de conflito no último ano, atingindo mais de 715 mil pessoas.

Estados como Mato Grosso, Pará e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentram as áreas de maior atrito, onde a expansão da fronteira agrícola e a complexidade na regularização de terras têm transformado disputas comerciais e possessórias em confrontos diretos.

Para a bancada do agronegócio, esses números evidenciam um vácuo de autoridade que exige solução urgente. A FPA sustenta que a insegurança jurídica e a falta de protocolos estaduais eficientes para o cumprimento de mandados judiciais impedem a pacificação no campo, transformando a resolução de litígios — que deveriam ser estritamente técnicos — em cenários de risco iminente para produtores, trabalhadores e seus familiares.

Fonte: Pensar Agro

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