Servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) participam do 8º Encontro Técnico do Grupo Agenda Azul da Amazônia Legal, realizado em Boa Vista, Roraima. O principal tema em pauta é a proposta de criação de um Índice de Qualidade da Água (IQA) específico para a Amazônia.
De acordo com os representantes dos estados que compõem a Amazônia Legal — Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará, Roraima, Amapá, Rondônia, Acre e Amazonas, as características naturais dos rios da Amazônia são distintas do restante do país, o que justifica a necessidade de um índice específico, adaptado às particularidades da região.
Em nível nacional, o Índice de Qualidade da Água começou a ser utilizado em 1975 pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Nas décadas seguintes, outros Estados brasileiros adotaram o IQA, que hoje é o principal índice de qualidade da água utilizado no país. Ele foi desenvolvido para avaliar a qualidade da água bruta visando seu uso para o abastecimento público, após tratamento. Os parâmetros utilizados no cálculo são em sua maioria indicadores de contaminação causada pelo lançamento de esgotos domésticos.
O superintendente de Recursos Hídricos da Sema, Luiz Henrique Magalhães Noquelli, destaca que a discussão conta com a participação de representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), considerada referência nacional no monitoramento da qualidade da água. Além da contribuição da Universidade do Amazonas, que desenvolve pesquisas específicas sobre o IQA amazônico.
O 8º Encontro Técnico do Grupo Agenda Azul da Amazônia Legal tem duração de três dias e reúne representantes dos nove estados que compõem a Amazônia Legal. Pela Sema, além do superintendente de Recursos Hídricos, também participam do evento o coordenador de Monitoramento da Qualidade da Água e do Ar, Sérgio Batista de Figueiredo, e a presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Rio Cuiabá, Leonice de Souza Lotufo. O evento termina nesta sexta-feira (23).
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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