AGRONEGÓCIO
Proposta busca otimizar escoamento de grãos e reduzir custos logísticos
Publicado em
30 de janeiro de 2025por
Da Redação
Uma nova proposta, discutida por pesquisadores e especialistas do setor agropecuário, visa melhorar a eficiência do escoamento de grãos no Brasil, um dos maiores desafios logísticos do país. A medida principal inclui a criação de um sistema de agendamento nos terminais para evitar congestionamentos e otimizar o fluxo de caminhões e cargas, com monitoramento desde as rodovias até o embarque nos navios. O objetivo é identificar gargalos na infraestrutura portuária e direcionar investimentos necessários para reduzir os custos logísticos, que impactam diretamente o preço final dos produtos.
A dependência do transporte rodoviário tem aumentado, especialmente com o crescimento da produção de grãos no país. De acordo com dados do Grupo de Pesquisa em Logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-LOG), em 2024, 54,2% da produção foi escoada por caminhões, uma evolução considerável desde 2010, quando essa porcentagem era de 44,7%. Essa dependência das rodovias expõe vulnerabilidades estruturais que geram custos adicionais aos produtores, os quais acabam sendo repassados ao preço final dos produtos.
O tempo de espera para o carregamento de navios é uma das principais consequências dessa fragilidade. O produtor de soja Tiago Cinpak, de Lucas do Rio Verde (MT), enfrenta dificuldades devido à falta de armazéns e à concentração de grãos nas rodovias, o que resulta em atrasos no escoamento. Apesar de ter investido em armazéns próprios, muitos produtores ainda dependem de cerealistas, que não têm capacidade para atender ao ritmo da colheita.
O impacto desses gargalos logísticos também se reflete no custo do transporte. O transporte de soja de Mato Grosso até o Porto de Xangai, via Porto de Santos, teve um custo de US$ 116,47 por tonelada em 2024, sendo que 73% desse valor correspondeu ao trajeto terrestre. Além disso, a escassez de caminhões e o aumento do preço do diesel devem elevar os custos de frete de 15% a 20% em 2024, tornando ainda mais desafiador o cenário logístico para o agronegócio.
Embora as rodovias ainda sejam predominantes, as ferrovias, que representam apenas 2,46% do total de operações, surgem como uma alternativa viável para aliviar a pressão sobre as rodovias. No entanto, o uso limitado da malha ferroviária e a falta de investimentos continuam sendo obstáculos para a ampliação dessa modalidade de transporte. A distância média entre as fazendas e os terminais ferroviários, que varia de 600 a 700 km, também limita a eficiência do sistema.
Outro problema significativo é a falta de capacidade de armazenagem no Brasil. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade atual dos armazéns não é suficiente para armazenar toda a produção de grãos, especialmente considerando o crescimento da safra, que deverá alcançar 322 milhões de toneladas em 2024/2025. A escassez de espaço para armazenamento prejudica a negociação dos grãos, forçando os produtores a venderem suas colheitas a preços mais baixos quando entregam diretamente às tradings.
A solução para esses desafios passa por investimentos em infraestrutura, incluindo a construção de mais armazéns e melhorias nas malhas ferroviária e rodoviária. Além disso, a implementação de tecnologias que integrem o sistema de transporte e ofereçam maior previsibilidade e rastreabilidade das cargas pode melhorar significativamente a eficiência logística. É fundamental que o governo federal adote políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do setor, com incentivos à construção de armazéns privados e à ampliação da capacidade de transporte, a fim de garantir que o Brasil continue competitivo no mercado global.
A iniciativa envolve os Ministérios da Agricultura, Transportes e Portos e Aeroportos, além de órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro
Published
10 horas agoon
31 de agosto de 2026By
Da Redação
A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.
Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.
Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.
Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.
A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.
No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.
O movimento continua em 2026.
Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.
Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.
Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.
O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.
Essa vantagem aparece com clareza na soja.
Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.
A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.
Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.
No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.
A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.
O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.
A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.
O efeito ultrapassou a soja.
O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.
Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.
Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.
A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.
O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.
Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.
Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.
Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.
Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.
Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.
Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.
A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.
Fonte: Pensar Agro
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