AGRONEGÓCIO

Frio, calor, seca e chuva: tudo ao mesmo tempo em agosto

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Em agosto, as condições climáticas no Brasil, segundo previsões do ClimaTempo, devem apresentar variações regionais significativas, impactando a agricultura de diferentes maneiras. Veja a previsão região por região:

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o tempo seco predominará, com temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar. Essas condições são desfavoráveis para culturas que dependem de umidade constante, como a soja e o milho. No entanto, a ausência de chuvas intensas pode beneficiar a colheita de culturas de sequeiro. É essencial que os agricultores adotem práticas de irrigação eficientes para minimizar o estresse hídrico nas plantações.

Norte

A região Norte enfrentará temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média, devido à presença de massas de ar seco. Essas condições podem afetar a produção de culturas como o açaí e a mandioca, que requerem umidade regular. Os agricultores devem estar preparados para períodos de seca prolongada, implementando técnicas de conservação de solo e água para sustentar as plantações.

Nordeste

No interior do Nordeste, a seca continuará a ser um desafio, com vegetação e solos cada vez mais secos. Isso impacta negativamente a produção de culturas como o feijão e o milho. No entanto, no litoral, especialmente entre Sergipe e Rio Grande do Norte, a tendência é de chuvas ligeiramente acima da média, graças à forte circulação de ar do mar para o continente. Essas chuvas podem beneficiar as plantações de cana-de-açúcar e frutas tropicais, proporcionando um alívio temporário para a seca.

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Sudeste

No Sudeste, as condições climáticas serão variadas. A passagem de frentes frias trará chuvas significativas, especialmente no leste da região, incluindo São Paulo e Minas Gerais. Essas chuvas são benéficas para a produção de café, cana-de-açúcar e hortaliças. As temperaturas se manterão próximas da média, com possibilidade de quedas durante as incursões de frentes frias. Os agricultores devem estar atentos às previsões para aproveitar ao máximo os períodos de precipitação.

Sul

A região Sul será fortemente impactada pela passagem de frentes frias, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As chuvas serão significativas e acima da média, o que pode beneficiar culturas de inverno como o trigo e a cevada. No entanto, a queda acentuada nas temperaturas pode representar um risco de geadas, especialmente nas áreas de maior altitude. É crucial que os agricultores adotem medidas de proteção contra o frio para evitar perdas nas lavouras.

Considerações Finais

No geral, agosto seguirá a tendência de tempo seco em grande parte do Brasil, com aumento gradual das temperaturas à medida que o inverno se aproxima do fim. A atuação das frentes frias e massas de ar seco serão os principais fatores influenciando o clima. Os agricultores devem monitorar as condições climáticas de perto e adaptar suas práticas agrícolas para mitigar os impactos adversos e maximizar a produtividade. Práticas como irrigação eficiente, conservação de solo e proteção contra o frio são essenciais para enfrentar os desafios climáticos deste mês.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Pecuária reage a exigências da União Europeia e cobra autonomia sobre uso de medicamentos

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O setor agropecuário brasileiro vive um momento de tensão sem precedentes com a aproximação do dia 3 de setembro, data em que entra em vigor o embargo da União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil. A crise, motivada por alegações europeias de falhas no controle do uso de antimicrobianos nos rebanhos, colocou em rota de colisão dois pesos-pesados da economia nacional: a indústria frigorífica e os produtores rurais.

Enquanto a União Europeia mantém sua posição de exigir regras mais rígidas, o Brasil se vê encurralado entre o risco de perder mercados bilionários e a soberania sobre suas próprias práticas de produção. O impasse gerou um movimento atípico nos corredores do poder: a cúpula da JBS, incluindo o empresário Joesley Batista e o CEO global Gilberto Tomazoni, buscou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pessoalmente para pressionar pela proibição imediata de um rol mais amplo de antimicrobianos no país, antes mesmo que entidades como a Abiec e a ABPA formalizassem o pedido.

A indústria argumenta que a proibição nacional é a única via para salvar as exportações. Em contrapartida, uma coalizão de peso — que reúne entidades como Acrimat, Famato, SRB, Assocon e ABCZ — defende que as exigências do bloco europeu devem ser restritas apenas aos animais destinados à exportação, por meio de um sistema de segregação, e não transformadas em uma lei geral para toda a pecuária nacional.

Soberania técnica em jogo

Uma ampla frente de entidades representativas da pecuária brasileira decidiu enfrentar a pressão pela mudança nas regras de uso de medicamentos veterinários no país. Com a data limite se aproximando, os produtores se uniram para dizer “não” à imposição de normas estrangeiras como regra geral para toda a produção nacional.

Em uma nota técnica conjunta, o setor deixou claro: o Brasil tem um sistema de controle sanitário robusto e as exigências comerciais de um mercado específico não devem ser transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira.

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Para os produtores, a solução não é mudar a lei brasileira para agradar aos europeus, mas sim criar um sistema de “segregação”. Em termos simples: quem quiser vender para a Europa que siga as regras exigidas pelo comprador, mas quem vende para outros mercados ou para o consumidor interno deve manter as práticas atuais, que garantem eficiência, saúde animal e desempenho do rebanho sem aumentar custos ou burocracia desnecessária.

“As entidades consideram inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”, diz o manifesto. Segundo os produtores, ceder a essas pressões cria um precedente perigoso, permitindo que interesses políticos ou comerciais de fora definam as leis nacionais.

Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), alerta que a submissão cega a normas externas pode ser um caminho sem volta para a competitividade do campo.

“Precisamos evitar uma ‘colonização regulatória’, onde normas criadas fora de nossa realidade técnica ditem o ritmo da nossa pecuária. O uso responsável de antimicrobianos não é apenas uma questão de sanidade, mas de eficiência produtiva e soberania científica”, afirma Rezende.

“Se banirmos tecnologias reconhecidas pelo Codex Alimentarius sem uma justificativa sanitária própria, estaremos sacrificando a nossa competitividade global no altar da burocracia externa, abrindo precedentes perigosos para que futuras exigências, de qualquer natureza, ditem as políticas nacionais”, completou.

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura, tem sido alvo de críticas tanto da indústria, que exige mais rigidez, quanto dos produtores, que temem o aumento de custos e a burocratização excessiva para o mercado interno. A ideia do governo de implementar um protocolo de rastreabilidade do nascimento ao abate foi rejeitada pelos europeus, o que forçou o debate sobre a “segregação da produção” — ou seja, ter uma “linha de frente” que atenda aos critérios europeus e uma “linha doméstica” que siga os critérios brasileiros, hoje considerados um dos mais rigorosos do mundo.

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No entanto, o receio do setor produtivo é que essa concessão abra a porta para que outros países importadores imponham suas próprias agendas, engessando a pecuária nacional. Em nota conjunta, as entidades foram claras: “Consideramos inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”.

Com a data limite se aproximando, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade comercial de manter o acesso ao mercado europeu com o desejo de manter a autonomia sobre suas políticas sanitárias. O desfecho dessa disputa definirá não apenas o futuro das exportações de carne, mas o nível de influência que interesses externos terão sobre o desenho da pecuária brasileira nos próximos anos.

Quem assina a manifestação: Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat); Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato); Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul); Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apron); União Nacional da Pecuária (Unapec); Sociedade Rural Brasileira (SRB); Associação Nacional dos Confinadores (Assocon); Associação dos Criadores do Pará (Acripará); Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg); Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB); Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT); Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB) e Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS).

Fonte: Pensar Agro

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