A Polícia Civil entrevistou 150 pessoas, no período de seis dias de diligências, para esclarecer o assassinato de Raquel Maziero Cattani, de 26 anos, ocorrido há quase uma semana, em Nova Mutum. Foram ouvidos familiares da vítima, amigas, vizinhos, trabalhadores de empresas da região, moradores do assentamento Pontal do Marape e pessoas que mantiveram contato com o mandante do crime, o ex-marido da vítima.
Na tentativa de ludibriar as investigações, o mandante do crime criou álibis como almoço com os ex-sogros, churrasco com pessoas com as quais não tinha convivência estreita e a ida a boates na cidade de Tapurah, entre a tarde e a noite de execução do crime, com a intenção de reforçar que não seria considerado o principal suspeito do homicídio.
Porém, no decorrer das diligências, as equipes policiais foram reunindo evidências que possibilitaram chegar aos dois envolvidos no crime brutal – o mandante e ex-marido da vítima, e seu irmão, o executor do crime, que montou a cena na residência de Raquel para que a Polícia Civil acreditasse que o crime teria motivação patrimonial.
Os irmãos foram presos nesta quarta-feira (24). O mandante do crime foi detido no sítio de propriedade do ex-sogro, no assentamento Pontal do Marape, município de Nova Mutum. Já o irmão dele foi preso na cidade de Lucas do Rio Verde.
Simulou latrocínio
Para levar a polícia a crer que se tratava de um possível latrocínio, após matar a vítima, o executor do crime quebrou uma televisão e a jogou na parte de fora da casa, e levou alguns objetos pessoais e a motocicleta de Raquel.
Ao ser preso em flagrante na quarta-feira, ele relatou aos policiais civis que jogou o veículo, a arma usada no crime e um celulardentro do Rio Verde, em Lucas do Rio Verde.
Nesta quinta-feira (25), as equipes policiais realizaram as buscas no local indicado, com auxílio do Corpo de Bombeiros, para a retirada do veículo do rio. A motocicleta foi enviada à delegacia em Nova Mutum e passará por perícia.
Os dois irmãos presos pelo crime serão apresentados em audiência de custódia na Comarca de Nova Mutum, ainda nesta quinta-feira.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15.10), a Operação Fantasma, para cumprimento de ordens judiciais no âmbito de uma investigação que apura uma série de furtos de cargas de soja em grãos em uma fazenda, no município de Sapezal, a 480 quilômetros de Cuiabá.
As ordens judiciais foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Tangará da Serra, com base nas investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
Ao todo, são cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão, além de medidas para apreensão de cinco conjuntos veiculares, entre caminhões-tratores, reboques e semirreboques. As ordens judiciais são cumpridas nos municípios de Sapezal, Rondonópolis e Sinop.
Investigação
As investigações da GCCO/Draco identificaram dez episódios de carregamento irregular de soja, ocorridos entre janeiro e agosto de 2026. Segundo as investigações, os crimes envolviam a utilização de veículos e motorista em esquema estruturado, com indícios de participação de funcionários e terceiros.
Conforme os elementos reunidos no inquérito, veículos entravam na propriedade, eram carregados com os grãos e deixavam a fazenda sem cumprir os procedimentos habituais de controle, pesagem, documentação e liberação da carga.
A apuração apontou indícios de uma atuação coordenada entre pessoas que desempenhavam diferentes funções, tanto no interior da unidade rural quanto no transporte externo da mercadoria. A dinâmica investigada envolvia etapas como o controle de acesso à propriedade, a classificação e pesagem dos grãos, o carregamento e a saída dos veículos.
Durante as investigações, os policiais realizaram a análise de imagens do sistema de videomonitoramento, registros de áudio da guarita, leituras automatizadas de placas, controles de entrada e saída, jornadas de trabalho e outros documentos operacionais. O cruzamento das informações permitiu identificar a repetição do mesmo padrão em diferentes ocasiões, além da utilização recorrente de determinados veículos nos episódios investigados.
Apreensão em Rondonópolis
Um dos furtos praticados pelo grupo criminoso, ocorrido no dia 14 de agosto deste ano, após a saída de um conjunto veicular da fazenda, foi possível acompanhar o transporte da carga até Rondonópolis, onde a soja foi localizada e apreendida.
A carga foi posteriormente restituída à empresa vítima e a ação contribuiu para o aprofundamento das investigações e para a identificação de pessoas suspeitas de envolvimento no transporte da mercadoria.
Os levantamentos também apontaram possíveis comunicações relacionadas ao agendamento dos caminhões, à autorização de entrada, ao carregamento e à saída dos veículos, além de referências a valores, pagamentos e à possível tentativa de apagar conversas.
Ordens judiciais
As medidas judiciais buscam aprofundar a coleta de provas e preservar elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos. As buscas têm o objetivo de apreender aparelhos celulares, computadores, documentos, registros de transporte e outros materiais relacionados aos carregamentos investigados.
A investigação continua em andamento, com o objetivo de esclarecer a participação individual dos suspeitos, identificar a destinação das cargas subtraídas e verificar a possível participação de outras pessoas na dinâmica criminosa.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.