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Pessoas de todo o estado lotam plenária para propor políticas públicas

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O Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros foi todo ocupado por pessoas das mais diversas origens em busca de representatividade. Indígenas, professores, trabalhadores rurais, pessoas transgêneros, pescadores, estudantes, líderes de movimentos sociais e da sociedade civil se reuniram para apresentar propostas para a elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 na tarde desta quinta-feira (15), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), durante a plenária participativa do PPA 2024-2027.

O espaço foi aberto para as lutas de grupos e pessoas que buscam melhores condições de vida possam ser vistas e, talvez, se tornar uma política pública ou programa de governo. Lutas como a de Débora Nascimento, trabalhadora rural que viajou cerca de 500 km com sua filha de cinco meses para reivindicar o direito de produzir.

Ela vive no Projeto de Assentamento Itanhagá-Tapurah, no norte do estado, e, apesar de já haver decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecendo o direito de posse dos assentados, os trabalhadores ainda vivem sob a ameaça de fazendeiros da região que tomaram parte da área. “Vim aqui para reivindicar que a reforma agrária seja realizada de fato. Que possamos receber nossos títulos e trabalhar nas terras que recebemos”, afirmou Débora, com a pequena Laura em seus braços.

Luiz Fernando Proença lidera a Associação Brasil Sem Teto em Cuiabá e luta por moradias populares. Ele está à frente dos moradores da região do contorno leste da capital, local que abriga cerca de cinco mil pessoas que vivem com medo de ser despejadas. “Viemos apresentar um manifesto pela direito à moradia própria, um direito constitucional ao qual milhares de pessoas não têm acesso. Em Mato Grosso, cerca de 370 mil famílias vivem em áreas de riscos e os programas atuais não atendem à população mais vulnerável”.

Leany Lemos, secretária nacional de Planejamento

Foto: Marcos Lopes

Do baixo Xingu, Maria Anarrory, da etnia Yudja, veio apresentar uma proposta para que o Governo Federal reconheça a autonomia dos povos indígenas em seus territórios e para que haja um programa de segurança alimentar. Ela também aproveitou a oportunidade para reiterar ser contra o Projeto de Lei 490, chamado de Marco Temporal, recentemente aprovado na Câmara Federal e que limita o reconhecimento de territórios indígenas.

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O senhor Lourival Alves veio de Cáceres, a 220 km da capital, para lutar pelo direito de exercer sua profissão. Ele é pescador e enfrenta, neste momento, o risco de ser proibido de transportar ou comercializar peixes. “Sou filho de pescador, há 35 anos vivo da pesca de subsistência. Não temos nada contra o turismo, mas queremos ter o direito de pescar nosso peixe. Só em Cáceres, são 1500 pescadores artesanais que poderão ser proibidos de trabalhar”, declarou seo Lourival.

São inúmeras histórias de homens e mulheres, histórias de vidas que poderão ser mudadas caso o Governo Federal destine recursos e desenvolva projetos nas áreas de segurança pública, saúde, economia, trabalho, mobilidade, moradia, agricultura, entre outras tantas frentes que dependem de investimentos.

“Não existem políticas públicas afirmativas voltadas à população LGBTQIA+. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans desde 2007, quando o levantamento começou a ser realizado. São crimes com requinte de crueldade sobre nossos corpos, crimes que não são solucionados. Não temos segurança, não temos acesso ao mercado de trabalho”, desabafou Adriana Liario, mulher trans, de Rondonópolis, que há 20 anos se prostitui por ser marginalizada pela sociedade.

A secretária nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento, Leany Lemos, afirmou que o objetivo das plenárias participativas do PPA é justamente fazer a escuta popular, ouvir as prioridades de cada região para saber quais serão as áreas de investimentos. “É uma forma da população identificar sua  importância dentro do governo federal e também do governo ocupar esses espaços”.

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O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (União), destacou a importância da iniciativa, que ele chamou de orçamento democrático. “É muito importante ouvir as propostas, o que as classes sociais precisam. Em Mato Grosso, há uma deficiência muito grande de casas populares, essa é uma demanda importante. Além da agricultura familiar, que está morrendo dentro do estado e carece de investimentos”.

Além do presidente Botelho, também participaram do evento os deputados Valdir Barranco (PT), Lúdio Cabral (PT), Juca do Guaraná Filho (MDB), Beto Dois a Um (PSB), Fabinho (PSB), o assessor especial da Presidência da República, Valtenir Pereira, o prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio, e o conselheiro substituto do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Luiz Henrique Lima.

A destinação dos recursos para os programas serão definidos a partir desta consulta, que será realizada em todas as capitais, mas também por meio de dados coletados por órgãos como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) e de dados e indicadores oficiais para definir a alocação de recursos. Ao todo, o orçamento deverá ser distribuído entre cerca de 90 programas.

Como participar – O processo de consulta pública continua até o dia 14 de julho por meio da Plataforma Brasil Participativo, onde as pessoas, movimentos sociais, entidades, podem votar e cadastrar suas propostas. O usuário poderá escolher três programas federais como prioritários, apresentar três propostas e votar em outras três. As opiniões populares serão consideradas na elaboração do PPA.

Até o momento, a Plataforma Brasil Participativo registra 200 mil participantes e mais de duas mil propostas cadastradas. Após a etapa de coleta de dados, a equipe técnica fará a compilação das informações, estruturará a proposta, e no dia 31 de agosto o Plano Plurianual 2024-2027 deverá ser encaminhado para o Congresso Nacional, onde ficará em debate até o final do ano.

Fonte: ALMT – MT

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ALMT abre inscrições para webinário sobre avanços e desafios da Lei Maria da Penha

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Os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11340/2006) serão marcados pelo webinário promovido pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio da Procuradoria da Mulher e da Escola do Legislativo. O evento será realizado nesta terça-feira (18), das 16h às 19h, em formato on-line e ao vivo, com participação gratuita e espaço para perguntas e interação com o público. Se inscreva gratuitamente aqui.

Com o tema “20 anos da Lei Maria da Penha – avanços, desafios e o compromisso contínuo com a proteção das mulheres”, a iniciativa pretende ampliar o conhecimento sobre a legislação, discutir sua evolução ao longo de duas décadas e refletir sobre os desafios ainda existentes para garantir proteção efetiva às vítimas de violência doméstica e familiar.

A assessora jurídica da Procuradoria da Mulher da ALMT, Mariana Pereira, destacou que o evento foi construído em parceria com a Escola do Legislativo e tem como um dos principais objetivos levar informação não apenas à população, mas especialmente às vereadoras que atuam nas Procuradorias da Mulher instaladas nas câmaras municipais.

“Temos hoje 50 Procuradorias da Mulher instaladas no estado, mas Mato Grosso possui 142 municípios. Quanto mais as vereadoras e a população cobrarem a criação dessas estruturas, mais pontos de apoio teremos para as vítimas de violência doméstica”, explicou Mariana, que participou junto com a secretária da Escola do Legislativo Marcela Vieira, nesta segunda-feira (17), no programal Painel, da Rádio Assembleia, apresentado pelo jornalista Bruno Pini.

Segundo Mariana, a atuação em rede é fundamental para ampliar o alcance das políticas de proteção. A Procuradoria da Mulher da ALMT busca o fortalecimento do intercâmbio com as estruturas municipais para contribuir à formação de uma rede de acolhimento e orientação em todo o estado.

Para Mariana, a aplicação da Lei Maria da Penha avançou significativamente nos últimos 20 anos, especialmente no reconhecimento das diferentes formas de violência e no fortalecimento dos mecanismos de proteção. Entre os instrumentos previstos está a medida protetiva de urgência, que tem como objetivo afastar o agressor e garantir segurança à vítima.

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Dentre os desafios apontados está a ampliação do monitoramento dos agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas e a efetiva implementação dos mecanismos previstos na legislação.

A assessora também chamou atenção para um dos principais obstáculos enfrentados pelas vítimas: a dificuldade de romper o ciclo da violência. Disse que, muitas vezes, por vergonha, medo, dependência financeira, preocupação com os filhos e a própria estrutura familiar podem fazer com que a mulher demore a procurar ajuda. Em alguns casos, mesmo após denunciar, ela acaba recuando diante das dificuldades econômicas e emocionais para reconstruir a própria vida.

“Ela precisa saber que existem outros mecanismos que podem acolhê-la”, destacou Mariana, citando, entre as possibilidades, o acompanhamento psicológico, o atendimento social e o auxílio-aluguel previsto para mulheres em situação de violência que atendam aos requisitos legais.

Proteção – Outra palestrante no evento, a secretária da Escola do Legislativo, Marcela Vieira, reforçou que o webinário não representa apenas uma atividade alusiva aos 20 anos da Lei Maria da Penha, mas uma oportunidade de ampliar conhecimento e conscientização.

Para ela, enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade que ultrapassa os limites das instituições públicas e envolve toda a sociedade.

“Esse webinário vai proporcionar conhecimento, reflexão, verificar todos os avanços que tivemos até aqui e o que ainda temos para avançar”, disse a secretária.

Marcela destacou ainda a importância de capacitar as representantes municipais que mantêm contato direto com a população. A intenção é fortalecer as Procuradorias da Mulher e ampliar a rede de proteção para além da Assembleia Legislativa.

“Quanto mais conseguimos levar essa informação com clareza, abrindo espaço para perguntas e respostas, mais as pessoas se sentem à vontade para participar do combate à violência contra a mulher”, afirmou.

A programação também deverá abordar os aspectos emocionais que dificultam a ruptura do ciclo de violência, com foco no acolhimento. Para as organizadoras, muitas vezes um contato inicial com uma informação em uma entrevista, palestra, rede social ou evento pode representar o estímulo necessário para que uma mulher reconheça sua situação e procure apoio.

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Além da violência vicária, caracterizada pela utilização de pessoas próximas à vítima, especialmente filhos e familiares, como instrumento para causar sofrimento, exercer controle ou impedir o rompimento do relacionamento, também serão debatidas as diferentes formas de violências previstas na Lei Maria da Penha, como a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A necessidade de ampliar a prevenção e a proteção também está relacionada aos números de feminicídio registrados em Mato Grosso e no país. Mariana alertou que em 2025 o estado registrou 54 feminicídios, enquanto que neste ano já somem 31.

“Precisamos mudar esse cenário e entender que só vamos conseguir isso realmente com tomada de consciência, esclarecimento e difusão das informações”, destacou Mariana.

A proposta é que o debate também contribua para que homens, mulheres, adolescentes, estudantes, agentes públicos e toda a sociedade compreendam que o enfrentamento à violência contra a mulher não é responsabilidade exclusiva das vítimas ou dos órgãos especializados. O público também poderá participar diretamente, enviando perguntas e dúvidas às palestrantes.

Além de Mariana e Marcela, o webinário contará com a participação da procuradora da Mulher da ALMT, Francielle Brustolin, que também atuará na mediadora, além das advogadas Tatiane Castro, integrante da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica da ABMCJ, Sirlei Theis, palestrante e especialista em Comunicação, e Laila Allemand, advogada e professora de Direito.

Serviço

Evento: 20 anos da Lei Maria da Penha – avanços, desafios e o compromisso contínuo com a proteção das mulheres

Data: 18 de agosto de 2026

Horário: 16h às 19h

Formato: on-line, ao vivo, pelo Google Meet (link liberado após inscrição)

Realização: Procuradoria da Mulher da ALMT e Escola do Legislativo

Informações: (65) 98134-2231

Fonte: ALMT – MT

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